Um dos balanços econômicos relevantes é o de investimento em inovação via financiamento do BNDES em Santa Catarina e também no Brasil nos últimos três anos. Com o programa BNDES Mais Inovação, SC investiu R$ 2,5 bilhões no período de 2023 a 2025. Isso corresponde a 147% mais frente aos quatro anos do governo anterior, informa o diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do banco, José Luis Gordon.
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Um dos maiores projetos financiados por essa linha BNDES Mais Inovação é a fábrica anunciada nesta semana pela WEG para Itajaí. Serão R$ 280 milhões para fabricar sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS), incluindo pesquisa e desenvolvimento.
A propósito, o diretor do BNDES destaca que em função desse maior apoio à inovação, multinacionais vieram fazer pesquisa e desenvolvimento no Brasil e muitos cientistas do país passaram a ter mais oportunidades. A linha segue com crédito disponível. Saiba mais na entrevista de José Luis Gordon, a seguir:
O BNDES expandiu de forma relevante a concessão de crédito para inovação no Brasil e em Santa Catarina por meio do BNDES Mais Inovação? Acaba de financiar um grande projeto para a WEG. Pode explicar mais sobre esse programa?
– No governo do presidente Lula, o BNDES criou o programa Mais Inovação. O presidente compreendeu a importância do apoio à inovação e à indústria no âmbito da Nova Indústria Brasil, que é a política industrial do governo federal. Essa política recolocou o setor industrial, o empreendedorismo e a inovação como prioridades para o país.
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Além disso, foi criada uma taxa específica para esse programa, a TR do Mais Inovação, enviada ao Congresso Nacional e aprovada. Essa taxa permite que o BNDES apoie o setor empresarial para investir em inovação e a assumir riscos tecnológicos, algo que não existia anteriormente.
Essa foi uma decisão estratégica do presidente Lula de apoiar o setor industrial e trazer o BNDES de volta para a casa da indústria. Nosso papel é estar próximo, entender as demandas e apoiar o investimento produtivo.
Temos visto que, quando há recursos disponíveis e previsibilidade, o setor empresarial investe em inovação, desenvolvimento tecnológico e pesquisa e desenvolvimento. Santa Catarina é um exemplo claro disso: o empresariado do estado é historicamente inovador e empreendedor, e com linhas como o Mais Inovação consegue fazer ainda mais.
Como foi o crescimento desse crédito ao mercado?
– Em âmbito nacional, foram mais de R$ 36 bilhões em apoio à inovação em três anos, um crescimento superior a 400% em relação aos quatro anos anteriores ao governo do presidente Lula. Isso mostra que uma política industrial bem estruturada, com instrumentos financeiros adequados, gera resultados concretos para o empreendedorismo e para a inovação.
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E em Santa Catarina?
Em Santa Catarina, o volume foi superior a R$ 2,5 bilhões, um crescimento de 147% em relação aos três anos anteriores. Isso demonstra claramente o potencial do empresariado catarinense. Sabemos da força do estado em diversos setores e queremos apoiar cada vez mais. Essa é uma diretriz do presidente Lula: fazer com que o BNDES seja, de fato, a casa da indústria e esteja ao lado dos empresários em todo o país.
Dentro desse contexto, o que representa o projeto da WEG, com investimento de R$ 280 milhões?
Esse projeto mostra o enorme potencial do setor empresarial brasileiro quando há apoio do BNDES e uma política industrial clara. Ele está diretamente ligado a uma agenda estratégica de transição energética, agregando valor à produção nacional e fortalecendo uma indústria brasileira de armazenamento de energia.
Uma das grandes questões do setor energético hoje é a intermitência. Para lidar com isso, é fundamental avançar na capacidade de armazenagem. A WEG, que já é uma empresa fortemente comprometida com inovação, passará a produzir no Brasil sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS), um equipamento essencial para o futuro do setor.
Esse projeto é fundamental porque coloca o Brasil na agenda global de produção de sistemas de armazenamento de energia. Em breve, teremos leilões específicos para armazenamento, e contar com uma empresa brasileira produzindo essa tecnologia no país é estratégico. Isso representa uma mudança de paradigma: política industrial, empresário brasileiro e BNDES atuando juntos para gerar emprego, renda, tecnologia de qualidade e soberania nacional. Ter tecnologia desenvolvida e produzida no Brasil é, acima de tudo, soberania.
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O senhor mencionou leilões. Que leilão será esse?
– Está em discussão um leilão específico para armazenagem de energia. Já houve consulta pública sobre esse tema, e a nova fábrica da WEG será fundamental para que a empresa possa fornecer equipamentos para esse leilão.
Quais setores hoje mais demandam recursos para inovação no BNDES?
– Temos um conjunto bastante diversificado de setores demandando recursos. O setor de saúde é um dos que mais se destacam, assim como o setor automobilístico. Há muitos projetos envolvendo inteligência artificial, além de uma forte demanda por parte das empresas de máquinas e equipamentos. Também vemos projetos relevantes na área de biocombustíveis e em outros segmentos estratégicos.
Esse movimento tem atraído, inclusive, centros de pesquisa e desenvolvimento para o Brasil. No âmbito da Nova Indústria Brasil e do programa Mais Inovação, empresas internacionais passaram a deslocar projetos de P&D para o país.
Exemplos disso são Volkswagen, Bosch, Fiat, Stellantis e Toyota. Projetos de motores híbridos e flex, por exemplo, estão sendo desenvolvidos no Brasil. As matrizes dessas empresas delegam ao país o desenvolvimento de produtos porque sabem que aqui há recursos, política industrial e um ambiente favorável à inovação.
Esses recursos para financiamentos são limitados ou é uma oferta mais ampla?
– Esses recursos correspondem a um percentual do funding do BNDES. O banco opera majoritariamente com recursos do FAT, e uma parte desse saldo é destinada especificamente para pesquisa, desenvolvimento e inovação. Em 2024, por exemplo, cerca de 2,5% do saldo do FAT foi direcionado para esse tipo de apoio.
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Isso é resultado de um projeto de lei enviado pelo presidente Lula ao Congresso Nacional logo no início do governo, em 2023, e aprovado pelo Parlamento. Antes disso, o BNDES não dispunha dessa taxa diferenciada. Esse marco legal permitiu que o banco ampliasse significativamente o apoio à inovação. A taxa de juros desse programa é a TR.
A empresa financia diretamente com o BNDES?
– O financiamento pode ser direto ou indireto. As médias e grandes empresas acessam o crédito diretamente com o BNDES. Já as pequenas empresas operam por meio de agentes financeiros credenciados.
Essa é a taxa mais barata do mercado para investimento?
– Sim, é a mais barata para investimento. Pesquisa, desenvolvimento e inovação envolvem muito risco. Por isso, são necessárias taxas diferenciadas para estimular o empresário a realizar esse tipo de projeto.
Esses projetos também envolvem pesquisas e registro de patentes? Vocês acompanham esse tipo de indicador?
– Não tenho aqui o número específico de patentes registradas, mas temos dados bastante relevantes. Entre 2023 e 2024, nos projetos apoiados pelo BNDES, foram mais de 5.400 pesquisadores envolvidos. Isso significa geração de emprego de alta qualidade.
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São profissionais altamente qualificados que, em muitos casos, antes precisavam sair do Brasil para desenvolver tecnologia. Agora, permanecem no país, contribuindo para o desenvolvimento tecnológico nacional e fortalecendo nossa base científica e produtiva.
Essa linha para inovação segue até o fim do ano, independentemente do calendário eleitoral?
– Sim. A linha segue aberta até o final do ano, independentemente das eleições. Estamos em busca de bons projetos e queremos apoiar ainda mais o empresariado catarinense e brasileiro ao longo de 2025.
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