Jaraguá do Sul concluiu neste domingo, com brilhantismo, mais uma edição do Festival Internacional de Música de Santa Catarina (Femusc). Mas além desses 14 dias intensos de espetáculos com músicos do Brasil e exterior, a cidade investe nessa arte o ano inteiro por meio de cursos na SCAR (Sociedade Cultural Artística). O presidente do conselho da WEG, Décio da Silva; a presidente da SCAR e ex-presidente do conselho da DR, Monika Hufenüssler, e o presidente executivo (CEO) da WEG, Alberto Kuba, falaram para a coluna sobre apoio ao Femusc, à SCAR e importância da música para economia de Jaraguá.

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Na cidade, a música é o “A” da metodologia STEAM, que resulta em profissionais mais inovadores, observa Décio da Silva, da WEG. Durante o Femusc, ele falou sobre investimentos culturais da empresa e fez referência ao método das iniciais inglesas de ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática.  

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– Há cerca de 30 anos, a Universidade de Harvard informou que para um país ser desenvolvido, deveria ensinar bem ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). E há alguns anos, ela incluiu o “A”, das artes, porque a arte abre espaço para mais inovação – disse o empresário.

Décio da Silva é engenheiro mecânico, gosta de música e revela que toca violão (entre risos, diz que não toca bem). A presidente do Instituto Femusc e do conselho da SCAR, é engenheira química e, quando jovem, tocou piano. Ex-presidente do conselho da empresa DR, ela também destaca a força da música para um bom desempenho na engenharia.

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– Eu acho que concerto musical é fruto de um trabalho de construção de conhecimento. Isso faz muito bem para a nossa economia criativa, para esse mundo de hoje que precisa de gente que faz diferente. Então, a educação musical é algo muito importante. As crianças têm sinapses no cérebro quando aprendem música muito grande. E, principalmente, nas ciências exatas, é onde esses alunos que tiveram aulas de música quando crianças se desenvolvem mais. Porque não é só cuidar de manual, é realmente entender disciplina, compasso, música, harmonia, sentimento, tudo isso mesclado que faz com que essas crianças se desenvolvam bem. Isso ajuda serem engenheiros melhores – disse Monika.

– Eu tenho orgulho de muitas coisas do município. Uma delas, com certeza, é da SCAR, um projeto que reflete a cultura empreendedora da nossa cidade. Ela tem modelo de gestão super profissional, como são as empresas daqui, com uma integração de toda a sociedade. Uma cidade de 200 mil habitantes ter uma escola de artes com 4 mil alunos, é um negócio fantástico. O Femusc mostra a cidade e motiva esses alunos da SCAR diante de professores e alunos do exterior. É um caldeirão internacional. Uma cidade que tem a WEG e muitas outras empresas internacionais, tinha que ter um projeto assim – destacou Décio da Silva.

Por isso a WEG é patrocinadora do Femusc via lei de incentivo desde a primeira edição. Além disso, ela também apoia a SCAR o ano inteiro. É para manter a entidade porque a maioria dos 4 mil alunos estuda música gratuitamente lá durante o ano.

O presidente executivo da Weg, Alberto Kuba (que é engenheiro eletricista) também estava no Femusc quinta-feira e comentou sobre o apoio da companhia ao evento e à SCAR. Ele fez questão de citar um exemplo para mostrar como essa difusão do ensino de música impacta na cidade e além dela.

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– Eu estava almoçando na WEG, uma colaboradora do refeitório da empresa veio falar comigo e me disse: Sr. Kuba, a WEG mudou a vida da minha família. Sou mãe de cinco filhos, a provedora da casa e vim de fora trabalhar aqui em Jaraguá. Todos os meus filhos estudam em escolas públicas no município e todos fazem curso de música na SCAR. Essa cultura e essa educação impactam na sociedade. Ela disse que todos os filhos dela são os melhores alunos das respectivas turmas no colégio e todos estão tocando bem um instrumento musical. Isso mostra que as empresas apoiam a cultura e como isso impacta na cidade – destaca Kuba.

O apoio de diversas empresas à SCAR possibilita que alunos tenham aulas de graça. Para o dia a dia das atividades musicais, além do incentivo cultural via Lei Rouanet, alguns projetos têm apoio do FIA, Fundo para a Infância e Adolescência.

A propósito, entre os fundadores da orquestra da SCAR, no final dos anos de 1950, estavam pessoas ligadas à WEG, que tocavam instrumentos musicais, disse Décio da Silva. O avô dele, Emílio da Silva, foi um dos fundadores a orquestra. Tocava violoncelo, violino e contrabaixo. Werner Voigt, um dos três fundadores da WEG, também foi um dos fundadores da orquestra. Ele tocava clarinete. Décio da Silva disse lembrar do avô Emílio construindo um contrabaixo (instrumento parecido com um violão). A criatividade na cidade começava com a fabricação de instrumentos.

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