Entre as razões pelas quais a economia catarinense é uma das mais dinâmicas do Brasil está sua potência exportadora. Esse diferencial está ajudando empresas de SC encontrar mais mercados no exterior diante do tarifaço dos Estados Unidos e deve impulsionar oportunidades que estão se abrindo com o acordo Mercosul e União Europeia. O estado conta com 14 polos industriais com inserção internacional.
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Essa potência nas exportações é mostrada pelo estudo “Polos Industriais de Referência”, realizado pelo Observatório Fiesc, da Federação das Indústrias de SC, em parceria com a Rede de Observatórios do Sistema Indústria e a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O trabalho foi coordenado pelo economista do Observatório Fiesc, Marcelo Albuquerque.
De acordo com o levantamento, esses 14 polos desenvolvem atividades com negócios no exterior principalmente em sete segmentos industriais. Nesse grupo estão madeira e móveis; papel e celulose; máquinas e equipamentos; equipamentos elétricos; alimentos e bebidas; minerais não metálicos; e veículos, embarcações e aeronaves.
O setor de madeira e móveis tem maior frequência, com presença em cinco polos internacionais, baseados nas regiões Oeste, Norte, Vale do Itajaí, Serra e Sul do estado. O estudo mostrou também que os três estados da Região Sul empatam em número de polos com inserção internacional. São 14 em cada estado, número menor apenas que o de São Paulo considerando os demais estados brasileiros.
A mesorregião do Norte de Santa Catarina é a que tem mais polos internacionais. São quatro, nos setores madeira e móveis, papel e celulose, máquinas e equipamentos e equipamentos elétricos. Florianópolis tem dois polos, os de embarcações náuticas e cerâmicas de revestimento.
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O Vale do Itajaí conta com os polos industriais de fabricação de embarcações e produtos de madeira. O Oeste de SC tem polos de alimentos e bebidas, madeira e móveis. O Sul do estado conta com os polos de cerâmicas e produtos de madeira e a Serra Catarinense se destaca com os polos de madeira e móveis, celulose e papel.
Empresas que participam de negócios internacionais se fortalecem e, também, fortalecem as economias onde estão inseridas. Vender em outros países significa ter mais clientes, melhorar a competitividade, reduzir riscos de sazonalidade, incentiva produtividade, vendas.
Mesorregião Norte de SC
Com quatro polos de inserção internacional, a mesorregião Norte catarinense apresenta maiores resultados na balança comercial, segundo o estudo. Eles são dos setores de móveis e madeira, papel e celulose, máquinas e equipamentos e equipamentos elétricos.
A região tem indústrias que se destacam em seus setores no mundo, como a WEG, Nidec, Tupy e Tigre. Juntos, esses polos alcançaram exportações de US$ 4,97 bilhões em 2024.
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– Essa região tem uma cultura muito industrial, desde a imigração. A diversidade de setores, a capacidade de inovação e a valorização da formação profissional são características do Norte do estado – destaca Gilberto Seleme, presidente da Federação das Indústrias de SC (Fiesc).
Oeste, Serra e Sul
Fornecedor global de proteína animal, o Oeste catarinense se destaca pelas exportações de alimentos e bebidas e também por madeira e móveis. Em 2024, a região exportou US$ 1,45 bilhão, sendo que desse total, US$ 638 milhões foram resultados de vendas do polo de alimentos e bebidas, e US$ 385,9 milhões, de madeira e móveis, somando pouco mais de R$ 1 bilhão. A outra parte da receita veio de exportações de outros setores.
– O desempenho dos dois polos internacionais reforça a relevância econômica da mesorregião Oeste para Santa Catarina, evidenciando cadeias produtivas consolidadas, com elevada capacidade exportadora, geração de empregos e integração competitiva aos mercados internacionais – analisa o presidente da Fiesc, Gilberto Seleme.
A região Oeste é a que abriga algumas das principais unidade frigoríficas das gigantes de proteína animal do Brasil, que são líderes ou referência no mercado mundial. Aí estão plantas da MBRF, dona das marcas Sadia e Perdigão; JBS, dona da marca Seara; e a Aurora Coop, dona da marca Aurora Alimentos.
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A Serra Catarinense se projeta com dois polos exportadores de base florestal: em 2024, o setor de madeira e móveis vendeu no exterior US$ 381,8 milhões e o setor de celulose e papel somou US$ 166,5 milhões nas vendas externas.
A mesorregião Sul de SC se destaca com exportações de cerâmica para revestimentos e produtos de madeira. Em 2024, somente o setor cerâmico alcançou US$ 105,9 milhões e a madeira, US$ 54,3 milhões.
Florianópolis e Litoral Norte
A região de Florianópolis, que tem uma forte imigração, se destaca com dois polos inseridos nos negócios internacionais. São o de cerâmica de revestimento e da indústria náutica de barcos de passeio. Ao todo, essa região da capital exportou quase US$ 252,45 milhões em 2024.
A mesorregião do Vale do Itajaí, de acordo com o estudo, conta com dois polos com inserção internacional: fabricação de embarcações e produtos de madeira. Em 2024, os negócios de madeira e móveis resultaram em US$ 413,75 milhões em exportações. E as embarcações somaram US$ 26,23 milhões.
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*Reportagem feita com informações da assessoria de imprensa da Fiesc
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