Santa Catarina registrou, no período de janeiro a maio, 11,5 mil novos postos de trabalho no setor da construção civil, 9% mais do que no mesmo período de 2024. Esse resultado ficou atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais, segundo análise feita pela Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), com base nos dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho.
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O presidente da Facisc, Elson Otto, observa que apesar desse dado positivo no ano, o setor registrou menor ritmo na oferta de novas vagas em maio, puxado principalmente pela retração nas obras de montagem industrial. Esse é um dos impactos dos juros altos, avalia ele.
Veja mais imagens de cidades de SC com o setor de construção aquecido
– Mesmo diante de um cenário nacional marcado por incertezas fiscais e juros elevados, Santa Catarina demonstra força e resiliência, movida pela confiança no setor da construção e pelo protagonismo dos nossos empresários – avalia o presidente da Facisc, Elson Otto.
A federação apurou que esse crescimento resulta de atividades em todas as etapas do setor, desde as iniciais como fundações e alvenaria, até as finais, como o acabamento. Cidades litorâneas criaram mais vagas, mas outros municípios também se destacaram. Itapema foi a líder com 1.663 novos postos de trabalho na construção civil de janeiro a maio deste ano.
Segundo o estudo, entre as ocupações mais ofertadas nesse período estão as de serventes de obras, pedreiros, carpinteiros, pintores e aplicadores de revestimentos cerâmicos. Quanto à idade, as contratações foram mais para pessoas entre 18 e 39 anos.
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O diretor de Articulação Estratégica da Facisc, Marco Antonio Corsini, que é industrial da construção civil, chama a atenção para a formalização do setor em SC. É a segunda maior do país, com 52% de vagas formais, atrás somente do Distrito Federal.
– Além de movimentar a economia em diferentes regiões, o setor contribui para a formalização de empregos em uma área historicamente marcada pela informalidade. Isso é positivo para o trabalhador, para as empresas e para o desenvolvimento sustentável do estado – analisa Corsini.
Outro ponto forte da construção civil é a continuidade de atividades no setor, mesmo diante das variações de juros e outras enfrentadas pela economia brasileira, destaca o industrial do setor Eduardo Schuster, coordenador do Núcleo da Construção Civil da Associação Empresarial de Penha e sócio da Santer Empreendimentos, empresa que atua no litoral Norte de SC.
Segundo ele, mesmo diante das instabilidades fiscais e taxas de juros elevadas, o setor da construção civil segue gerando empregos porque as obras começam e seguem até a conclusão no prazo previsto. Elas têm ciclos longos, de aproximadamente quatro anos. A Santer atua nas cidades de Barra Velha, Balneário Piçarras e Penha.
– Essa previsibilidade garante a continuidade das contratações e segurança para fornecedores, prestadores de serviços e centenas de famílias que dependem da cadeia produtiva da construção – explica Schuster ao observar que os salários médios do setor também estão acima da média de outros setores.
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O setor da construção civil, apesar de ter a resiliência da necessidade de continuidade das obras, também sofre impactos dos juros altos. Em maio, o saldo positivo de vagas em SC ficou em apenas 11. Mas vale citar uma informação já destacada pelo empresário Corsini, que o setor da construção movimenta 97 atividades econômicas, o que significa que é uma potência para acelerar ou também para manter a estabilidade econômica em momentos de dificuldades.
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