Um vereador do Vale do Itajaí propôs a criação do Dia Municipal de Combate à Violência Doméstica Contra o Homem. Como justificativa, numa lógica singular, citou o assassinato de um menino de quatro anos no Distrito Federal, a 1,6 mil quilômetros da cidade onde vive.

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Outro político da região, apoiado por um deputado estadual, promoveu campanha nas redes sociais contra uma escola em que estudantes propuseram a criação de banheiro unissex. No Sul, outro parlamentar quer proibir sátiras contra religiões. No litoral, a intenção é proibir o naturismo na única praia da região destinada a esse fim.

As propostas têm dois pontos em comum: o potencial de provocar reações hostis, a favor ou contra, e o interesse eleitoral dos envolvidos. Todos apresentaram-se como pré-candidatos à Assembleia Legislativa. À exceção de um dos oportunistas, que abriu mão, todos devem estar na urna em outubro.

A estratégia é mais do que manjada. O sujeito põe em debate tema emocionalmente caro à população, geralmente relacionado a comportamento. Atrai atenção tanto de quem apoia quanto de quem condena a iniciativa, obtendo engajamento nas redes sociais e ampliando o alcance da mensagem (e do seu nome) junto ao eleitorado. Importa pouco o sucesso da proposta de legislação. Menos ainda o bem-estar da comunidade, que invariavelmente termina dividida e raivosa. O objetivo é puramente eleitoral.

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Funciona tanto que 21 deputados estaduais catarinenses assinaram um vergonhoso pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a menina de 11 anos de idade submetida a aborto legal, recomendado pelo Ministério Público. Ninguém vai beneficiar-se do dinheiro investido no terrorismo moral patrocinado por parlamentares irresponsáveis, exceto os próprios.

Não por acaso, quem inventou a investigação pressiona para que ela seja aberta de imediato, a tempo de gerar engajamento antes das eleições. Fosse mesmo o caso de averiguar friamente o ocorrido, deixariam para novembro.

Maus políticos jogam com os sentimentos e crenças mais profundos dos catarinenses e garimpam votos na notoriedade obtida artificialmente. Só há uma maneira de neutralizá-los: negar-lhes o engajamento. Ignorar é o melhor dos remédios. Não cite, não compartilhe, não comente. Deixe que falem sozinhos e enfrentem as urnas.

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