O prenúncio de demissões em massa na unidade da Coteminas em Blumenau tem impacto suficiente para despertar antigos traumas. Não se discute um corte abrupto de 800 empregos numa única empresa da cidade desde a falência da Sulfabril, em 1999. Naquele episódio, que marcou o ápice da dramática crise têxtil dos anos 1990, cerca de 2,5 mil trabalhadores tiveram a segurança financeira ameaçada de uma só vez.

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Por décadas, quem trabalhava na indústria do vestuário de Blumenau tinha a certeza de uma vida sem sustos. Profissionais permaneciam com o mesmo CNPJ na carteira de trabalho até a aposentadoria. Quase todo grande bairro de Blumenau expandiu-se no entorno de um importante parque fabril.

Então veio a abertura do mercado nacional aos importados, no governo Fernando Collor, que expôs fragilidades das indústrias blumenauenses. Foram anos consecutivos de más notícias: pagamentos atrasados, demissões, falências e direitos trabalhistas devidos. Todo esse desgosto materializou-se numa passeata de trabalhadores da Sulfabril, em setembro de 1999. Um cortejo fúnebre da empresa outrora símbolo do dinamismo industrial catarinense.

Blumenau parou diante de centenas de pessoas aos prantos pela Avenida Beira-Rio. Uma agonia que se prolongou nos escaninhos do Judiciário. Dezenas de trabalhadores morreram sem receber o que lhes era devido. Para muitas famílias blumenauenses, o orgulho de “vestir a camisa” transformou-se em mágoa.

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Quase 24 anos depois, Blumenau e sua indústria mudaram. As plantas estão enxutas e mecanizadas. Os trabalhadores são mais especializados. Marcas como Artex e Hering foram compradas por grupos nacionais. Gestões familiares profissionalizaram-se. A economia da cidade é hoje diversificada. Pela tendência da arrecadação municipal, o setor de serviços (TI e saúde à frente) deve superar a produção de mercadorias em poucos anos.

Venda da Hering marca o fim de uma era para Blumenau

Neste cenário, muito mais favorável para os que forem desligados da Coteminas e para Blumenau como um todo, o trauma do desemprego tende a ser momentâneo. Tomara.

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