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Venda da Hering marca o fim de uma era para Blumenau

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Por Evandro de Assis
26/04/2021 - 17h51 - Atualizada em: 27/04/2021 - 19h19
Nenhuma outra empresa blumenauense impactou tantos brasileiros por tanto tempo
Nenhuma outra empresa blumenauense impactou tantos brasileiros por tanto tempo (Foto: Carlos Augusto Waldrich, Divulgação)

Esta segunda-feira (26) marca o fim de uma era em Blumenau. A troca de controlador da Cia Hering rompe o cordão umbilical da cidade com a mais conhecida de suas indústrias. E uma das mais perenes, fundada há 140 anos. Nenhuma outra marca blumenauense atingiu tantos brasileiros por tanto tempo. Nem exerceu tamanha influência na economia, na política e na cultura. Junto com a venda da velha “companhia” vai-se o imaginário coletivo de uma cidade industrial, cuja vida circundava os endereços das grandes fábricas e parte do senso de pertencimento residia na qualidade do que entregava aos quatro cantos do país.

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Encarada com frieza, a venda anunciada nesta segunda-feira (26) finaliza a longa transformação de uma empresa familiar numa corporação brasileira e internacional, que agora integra o cardápio de marcas do conglomerado Soma — para saber mais, leia o colega Pedro Machado. No campo simbólico, porém, o que ocorre é mais profundo. É a identidade de Blumenau que se modifica.

Claro, não se apaga a história. Foi aqui que os irmãos Hering fincaram raízes, em 1880, e a partir daqui a família construiu uma das mais valiosas marcas brasileiras. Estão nas placas de ruas importantes os nomes de Herings que se destacaram na economia e na política: Hermann, Max, Curt, Ingo… Nas artes, Paul e Elke. No meio ambiente e na responsabilidade social, Bruno e Victor. Obras individuais que se desdobraram em políticas institucionais ao longo de décadas e inspiraram outras indústrias e famílias de Blumenau. Tudo isso permanece.

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Quanto ao futuro da Cia Hering, há inevitáveis e preocupantes dúvidas. Blumenau já viu enormes grupos econômicos abocanharem Artex e Cremer, por exemplo, mantendo plantas industriais e até parte do relacionamento com a comunidade. Mas também acompanhou o sumiço da Dudalina, abduzida pela Restoque. O modo como se dará esse “rompimento” dependerá da sensibilidade dos novos donos.

Fato é que, no momento em que tudo isso acontece, Blumenau está melhor preparada para lidar com a perda. Enquanto as têxteis sofriam nas décadas de 1990 e 2000, empresas de tecnologia consolidaram-se e passaram a gerar empregos melhores, inclusive. O setor de serviços ocupou parte do terreno, em especial os de saúde. Do passado remoto, a cidade resgatou as raízes cervejeiras e reivindicou, com justiça, o título de capital nacional.

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Porém, nenhuma dessas frentes ainda deu a Blumenau a condição de liderança obtida no passado, com as têxteis. Não chegou perto disso no poderio econômico, menos ainda no intangível, na capacidade de influenciar a política e a cultura.

O fim de uma era traz consigo certa melancolia, mas também circunstâncias que favorecem a inovação. Que Blumenau substituirá aquela que se foi?

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