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Escândalo das vacinas faz Jair Bolsonaro viver dias de Carlos Moisés

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Por Evandro de Assis
30/06/2021 - 09h00
Quem indignou-se com os R$ 33 milhões dos respiradores vai se contentar com o "eu não sabia" de Bolsonaro?
Quem indignou-se com os R$ 33 milhões dos respiradores vai se contentar com o "eu não sabia" de Bolsonaro? (Foto: Tiago Ghizoni, BD, NSC Total)

Denúncias de fraudes na compra de vacinas contra a Covid-19 trazidas à tona por jornalistas na noite de terça-feira (29) prendem o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a um cipoal. Se balançar demais os galhos do Centrão que sustentam os escândalos e a própria gestão, periga tombar o governo todo. Do contrário, se permanecer imóvel, vira alvo fácil de quem o acusa de prevaricar.

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Esse novo patamar da crise, impulsionada pela acusação da propina de um dólar por dose, faz Bolsonaro viver dias de Carlos Moisés (PSL), o governador catarinense amarrado pela compra mal explicada dos respiradores de R$ 33 milhões, e de onde somente libertou-se por circunstâncias singulares da política local. A quem indignou-se com o escândalo estadual, dá o que pensar a frase atribuída ao diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, sobre uma suposta cobrança de propinas na compra de imunizantes contra a Covid-19, revelada pela Folha de S. Paulo: "Pensa direitinho, se você quiser vender vacina no ministério tem que ser dessa forma".

A depender dos movimentos do governo Bolsonaro diante do emaranhado que se desenha, o de roubalheira na compra de vacinas, abre-se uma nova interpretação sobre a resistência do governo à compra de imunizantes contra Covid-19. Quem pensava em negacionismo científico, burrice ideológica contra os comunistas chineses ou ataques a adversários políticos, como João Dória (PSDB), pode também considerar a hipótese de que estavam, na verdade, criando dificuldades para vender facilidades. Seria mortal para o presidente que anunciou ter acabado com a corrupção.

Emergem dos esgotos da República tipos de personagens bastante conhecidos da clepto-historiografia nacional: o servidor-bomba, o empresário-delator, a ex-mulher vingativa e o deputado que trai o governo. No papel de chefão do suposto esquema está Ricardo Barros (PP), deputado que apoiou FHC, Lula, Dilma e Temer sempre tendo o nome conjugado a relações pouco republicanas. Bolsonaro o transformou, mesmo com essa ficha corrida, em líder na Câmara e senhor do setor de Compras da Saúde.

O presidente precisa cortar alguns dos cipós que o prendem ao escândalo, a exemplo de Barros, mas isso acarretaria o risco de perder a frágil sustentação política no Congresso. Outra opção seria insistir no manjado "eu não sabia".

A saber se quem brada pelos R$ 33 milhões dos respiradores vai contentar-se com isso.

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