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    Imunidade de rebanho contra o coronavírus em Blumenau é improvável

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    Por Evandro de Assis
    27/09/2020 - 17h01 - Atualizada em: 28/09/2020 - 08h20
    Se a estimativa de letalidade da OMS for válida para Blumenau, número de infectados não deve passar dos 25 mil
    Se a estimativa de letalidade da OMS for válida para Blumenau, número de infectados não deve passar dos 25 mil (Foto: Patrick Rodrigues)

    Faz quase dois meses que Blumenau conseguiu inverter a tendência do gráfico da pandemia de coronavírus. Casos, internações e agora também os números de mortes desaceleraram, dando a impressão de que o pior já passou. Como quase tudo na vida cotidiana voltou ao normal, sem que houvesse nova disparada, a questão que se impõe agora é: a imunidade de rebanho chegou?

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    O percentual que garantiria essa segurança ainda é incerto entre os cientistas. Em Manaus (AM), pesquisadores estimam que entre 44% e 66% da população contaminaram-se — e ainda assim já surgem indícios de uma segunda onda na cidade. Porém, há estudos que sugerem desaceleração na taxa de contágio já a partir de 20% ou 30% dos habitantes imunizados.

    Então, como saber qual o tamanho da população já infectada? Em Blumenau, pela testagem oficial, quase 13 mil pessoas, mas tem a subnotificação. Uma maneira de estimar esse contingente é tomar por base o número de mortes no município: 149 até este domingo (27). A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula, já descontada a subnotificação, que 0,6% dos infectados pelo novo coronavírus morrem.

    > Novo pico do coronavírus em Blumenau deve ocorrer em novembro, prevê especialista.

    Essa letalidade para Blumenau significaria um total de 25 mil pessoas já imunizadas, o equivalente a 7% da população (361 mil). Para sentirmos os primeiros efeitos da imunidade de rebanho, seria necessário ao menos o triplo. Há quem acredite nessa possibilidade. Mas uma subnotificação desse tamanho representaria, também, uma letalidade três vezes menor do que a média internacional estimada pela OMS.

    Porém, não é desprezível a chance de que determinados grupos da população tenham índices superiores de contaminação — pessoas entre 25 e 50 anos de idade, por exemplo, ou bairros como os da Região Norte. Parece ser essa a hipótese levantada pelo secretário municipal de Saúde, Winnetou Krambeck, em entrevista ao Santa. Tampouco pode ser excluído o pior de todos os cenários: não haver imunidade duradoura para o vírus.

    Epidemiologistas e infectologistas com quem tenho conversado dizem ser impossível apontar explicação única para a atual estabilidade do contágio em Blumenau. São muitas variáveis a interferir na análise. Mas todos os profissionais alertam: a calmaria pode ser presságio de nova tempestade.

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