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Não é verdade que “ninguém sabe o que fazer” contra a Covid-19

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Por Evandro de Assis
07/03/2021 - 08h29 - Atualizada em: 08/03/2021 - 16h53
Governantes sabiam e sabem o que fazer. Se não o fazem, é por outros motivos
Governantes sabiam e sabem o que fazer. Se não o fazem, é por outros motivos (Foto: Patrick Rodrigues, BD, Santa)

Nesses dias em que os piores temores sobre a Covid-19 confirmam-se, aqui e ali surgem resignados lamentando que “ninguém sabe o que fazer em lugar nenhum no mundo” para evitar o desastre. Aqui vão uma boa e uma má notícia. A boa: há, sim, conhecimento suficiente sobre o coronavírus para sustentar políticas de contenção até que a vacinação avance. A má: o caminho que funciona é rejeitado por políticos, empresários e boa parte da população.

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Sabe-se que o coronavírus é transmitido pelo ar de pessoa para pessoa. Muito mais em ambientes fechados do que onde há boa ventilação. Máscaras diminuem (mas não eliminam) a chance de uma minúscula gota de saliva sair da boca de um doente e pairar no ar até encontrar um indivíduo saudável. O mesmo vale para o distanciamento.

Infelizmente, até o momento não se descobriu um tratamento eficaz contra o vírus — o que, aliás, é comum em se tratando de vírus. Por isso, os pacientes são orientados a tratar os sintomas enquanto aguardam o sistema imunológico agir. A maioria supera a doença sem grandes percalços.

Porém, um percentual alto de contaminados precisará de hospitalização. E quando o número de indivíduos doentes supera a capacidade de atendimento do sistema de saúde, há colapso. Aí, mesmo pessoas com outros problemas de saúde podem ficar sem assistência.

Investir em UTIs hospitalares é importante, mas não pode ser a principal estratégia de combate à doença. A experiência mostra que cerca de 40% dos internados em tratamento intensivo morrem. Mesmo os que sobrevivem têm alto risco de desenvolver doenças secundárias e sequelas.

Se não há tratamento, a melhor política é impedir que pessoas entrem em contato com o vírus. Em tempos normais, isso pode ser feito com enormes quantidades de testes, abafando focos de contaminação. Por exemplo, se um garçom é diagnosticado, serão testados todos os colegas de trabalho, clientes dos últimos dias, familiares e até mesmo pessoas que usaram a mesma linha de ônibus. Na dúvida, mantêm-se os suspeitos em quarentena. Nada disso é prazeroso para os envolvidos.

> SC tem mais de 300 pessoas na fila por leito de UTI.

Só que quando o número de doentes é alto demais, não há maneira de investigar todos os casos. A única alternativa é baixar drasticamente o índice de contágio para que se retome o controle da situação. É por isso que a palavra “lockdown” é pronunciada com cada vez mais frequência.

Tudo isso é conhecimento corrente. Os governantes sabiam e sabem o que fazer. Se não o fazem, é por outros motivos.

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