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Ritmo da vacinação contra a Covid-19 em Blumenau cai 41% na etapa das comorbidades

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Por Evandro de Assis
02/06/2021 - 08h48
Em caso de informações conflitantes no atendimento, cidadão deve ligar para a Ouvidoria no telefone 156
Em caso de informações conflitantes no atendimento, cidadão deve ligar para a Ouvidoria no telefone 156 (Foto: Patrick Rodrigues, BD, Santa)

O ritmo da vacinação contra a Covid-19 em Blumenau desacelerou 41% durante a etapa que priorizou os pacientes com comorbidades. Levantamento da Secretaria Municipal de Promoção da Saúde mostra que a média de doses aplicadas por dia caiu para 1.012 entre 6 e 25 de maio, quando portadores de doenças pré-existentes eram o foco da campanha de imunização. Nos 19 dias anteriores, a média era de 1.731 doses diárias.

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Os números incluem primeira e segunda doses e também os demais grupos contemplados entre abril e 25 de maio, como os idosos e profissionais de saúde. Pelo gráfico, é possível perceber que, a partir do dia 26, quando começou a imunização de profissionais de educação, o número de atendimentos cresceu.

As dificuldades para proteger do coronavírus os portadores de comorbidades repetem-se em todo o Estado. Por isso, ganhou força a hipótese de que a população deste grupo esteja superestimada. Na semana passada, o governo estadual anunciou que excluiria 442 mil pessoas da estimativa inicial. Mas a decisão ainda não chegou aos municípios, que não recalcularam o tamanho dessa população. Isso deve ocorrer a partir desta quarta-feira (2), após a reunião da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) da Saúde. Nesta mesma reunião será discutida a retomada da imunização por idade, começando por quem tem 59 anos.

A população com comorbidades estimada originalmente teria redundâncias com outros grupos já vacinados, principalmente idosos. Por isso a dificuldade de elevar a cobertura.

Atestado de comorbidade

Mas essa não é a única explicação para as dificuldades na vacinação dos pacientes com comorbidades. A comprovação do direito à prioridade depende de consultas médicas para emissão de atestados. Na rede privada, as consultas são agendadas para semanas, até meses depois. Nos postos de saúde, a prefeitura facilitou o processo, permitindo que enfermeiros emitam relatórios com base nos prontuários dos pacientes.

Em ambos os casos, blumenauenses têm reclamado da burocracia e de informações desencontradas. A coluna apurou o caso de uma paciente de 58 anos que buscou o atestado em um ESF do bairro Itoupavazinha, mas foi orientada primeiro a agendar a vacina — regra inexistente. Uma vez agendada, soube que não tinha direito à imunização porque a hipertensão é grau 2, e não 3. Dias depois, a mulher, que não quis ter o nome divulgado, ouviu na imprensa que grau 2 está, sim, contemplado. Quando voltou ao postinho, foi informada de que bastava apresentar receitas de três medicamentos na Vila Germânica, sem precisar do atestado. Orientação que contraria o divulgado pela prefeitura. O atestado é imprescindível. Depois de ligar para o telefone 156 e retornar ao posto, a paciente finalmente conseguiu ser vacinada.

Em outro caso, Tainara da Silva, de 36 anos, portadora de hipertensão grau 2 e que já teve um AVC, levou à Vila Germânica o atestado do médico da rede particular e mais as receitas de três medicamentos. Ao ser atendida, soube que os nomes dos remédios deveriam constar também do atestado. Tainara então retornou ao consultório médico e levou um novo laudo à central. Aí foi informada de que não poderia ser vacinada porque o grau da hipertensão não era 3. Somente após discutir com os atendentes ela teve acesso à dose. Para Tainara, as orientações contraditórias têm afastado os blumenauenses da vacina.

— É só passar uma manhã lá com as pessoas que têm direito precisando brigar para conseguir, um tremendo constrangimento — lamenta.

A coordenadora da campanha de vacinação contra a Covid-19 em Blumenau, a vice-prefeita Maria Regina de Souza Soar (PSDB), informou à coluna que os profissionais de saúde recebem informações atualizadas sobre os procedimentos a serem adotados. Em caso de orientações desencontradas, os cidadãos devem entrar em contato com a Ouvidoria no telefone 156.

Segundo Maria Regina, Blumenau tem capacidade instalada para triplicar a vacinação. Desde que hajam doses disponíveis e maior flexibilidade para avançar. Em meados de maio, o município pediu ao Estado autorização para antecipar a imunização de professores, mas sem sucesso.

Agora, a expectativa é de que a inclusão de mais grupos finalmente acelere o trabalho.

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