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Salário mais alto de professores em SC gera concorrência com prefeituras

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Por Evandro de Assis
13/10/2021 - 07h34 - Atualizada em: 13/10/2021 - 07h41
Municípios devem ser pressionados a elevar salários e promover concursos para efetivos
Municípios devem ser pressionados a elevar salários e promover concursos para efetivos (Foto: Diorgenes Pandini, BD, NSC Total)

O aumento no piso salarial dos professores da rede estadual em Santa Catarina mudou a perspectiva para profissionais em início de carreira. A temporada de seleções para docentes Admitidos em Caráter Temporário (ACT) acontece sob expectativa de concorrência entre Estado e prefeituras. Conforme o novo patamar de salários em vigor, quem tem Ensino Superior completo recebe R$ 5 mil, no mínimo.

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O recorde de 76 mil inscritos no processo seletivo de temporários da Secretaria de Estado da Educação, o dobro do anterior, deixou muito prefeito preocupado. Se antes as redes municipais costumavam oferecer condições mais atrativas aos profissionais na comparação com o Estado, agora a conta inverteu-se na maioria das cidades. Contratar temporários para 2022 tende a ser mais complicado.

Nas maiores cidades, o impacto ainda não foi percebido. Florianópolis teve 6,5 mil inscritos para o processo de ACTs válido para 2022. Em Blumenau, as provas tiveram quase 3 mil candidatos e baixa abstenção. Na última seleção para professores substitutos, em julho, Joinville registrou pouco mais de 2 mil interessados. Os números incluem os profissionais da Educação Infantil, que não é oferecida pelo Estado.

A situação ficará mais clara no momento da contratação. Muitos professores fazem mais de um processo seletivo para atuar como temporário. Na hora da escolha é que será possível medir o real impacto do aumento salarial no mercado de docentes. Mas espera-se que ele seja maior nas cidades médias e pequenas, onde a oferta de pessoal com formação é inferior.

Professores e gestores ouvidos pela coluna preveem que a disputa será por professores em início de carreira. São eles os beneficiados pela alteração salarial promovida pelo governo do Estado. Para quem já é concursado, possui tempo de serviço, mestrado ou doutorado, não valeria a pena renunciar à carreira atual para iniciar um nova na rede estadual. E, para quem é professor do Estado há anos, ficou a sensação de achatamento da carreira. Ou seja, a diferença salarial entre o iniciante e o veterano diminuiu, quando existe.

Dois efeitos colaterais da elevação do piso estadual são esperados nos municípios: prefeitos serão pressionados em 2022 para acompanhar o Estado no aumento de salários. Haverá maior oferta de concursos públicos para contratação de professores efetivos, que passam a fazer parte do quadro permanente.

À parte o impacto nas contas públicas, a ser acompanhado de perto nos próximos anos, se os salários mais altos reduzirem a presença do professor ACT nas redes de ensino, um profissional pouco valorizado, sem vínculo fixo com a comunidade onde atua, que leciona sob a insegurança de não saber onde trabalhará no ano seguinte, ganhará a Educação dos catarinenses.

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