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Trecho Blumenau-Indaial da BR-470 tem maior urgência para receber os R$ 200 milhões do Estado, diz DNIT

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Por Evandro de Assis
16/03/2021 - 13h21
Superintendente citou complexo da Mafisa como exemplo de que DNIT já vem priorizando os gargalos
Superintendente citou complexo da Mafisa como exemplo de que DNIT já vem priorizando os gargalos (Foto: Patrick Rodrigues, BD, Santa)

O superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Santa Catarina, Ronaldo Carioni Barbosa, disse nesta segunda-feira (15) que as obras do trecho Blumenau-Indaial (lotes 3 e 4) da BR-470 têm maior urgência para receber os R$ 200 milhões oferecidos pelo governo do Estado. A posição contraria intenção da Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade, que propôs assumir os lotes 1 e 2, entre Navegantes e Gaspar. Carioni participou de uma reunião online promovida pela Associação Empresarial de Blumenau (Acib).

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Embora tenha frisado que não participa das negociações, Carioni concordou com o posicionamento da direção-geral do DNIT de priorizar os lotes urbanos da rodovia, onde os congestionamentos são diários.

— Quem tem mais recursos tem que fazer o local pior. Se é pra ajudar, vamos fazer os quatro lotes de uma vez só — opinou.

Para o superintendente, não faria sentido despejar toda a verba estadual em lotes 80% prontos, com 23 quilômetros duplicados e fluxo regular de veículos. Ele disse que o DNIT já vem administrando a obra de acordo com o que é mais urgente e usou o viaduto da Mafisa como exemplo. Em 2017, o governo federal decidiu injetar recursos no complexo viário ao invés de acelerar os lotes 1 e 2.

Carioni previu que o dinheiro do Estado só estaria disponível em outubro, quando o lote 2, entre Ilhota e Gaspar, estará quase concluído. Ele afirmou que o DNIT tem condições de entregar o lote 1, em Navegantes, no primeiro semestre do próximo ano, sem ajuda estadual. Quanto aos demais trechos, para terminá-los em 2022 o dinheiro do Estado seria primordial.

Sobre desapropriações, apontadas como empecilho pelo Estado, o superintendente do DNIT disse que seria necessário aplicar R$ 50 milhões em 2021 nos lotes 3 e 4 da duplicação da BR-470. Os outros R$ 150 milhões do governo catarinense poderiam dar forma a viadutos, pontes e pistas duplicadas.

A compra de terrenos particulares que atrapalham o avanço das obras é um dos principais pontos de discordância. O secretário de Estado da Infraestrutura, Thiago Vieira, diz que a legislação impede o governo de desapropriar áreas e repassá-las à União. Carioni afirma ser possível e compara com uma solução encontrada num trecho da BR-280, entre Guaramirim e Jaraguá do Sul, que será transferido ao governo estadual. Porém, o processo arrasta-se desde o fim do ano passado e nenhum terreno foi desapropriado até omomento.

Após a fala do superintendente do DNIT, Vieira conversou novamente com a coluna. Ele não acredita na hipótese de estadualização da BR-470. A proposta que está em discussão é a transferência dos contratos e da responsabilidade sobre as obras, e não sobre a rodovia como um todo.

— De nossa parte, não importa se vai ser ali (lotes 1 e 2) ou se não vai ser. O que importa é que a gente coloque investimento em nova rodovia e resolva o problema — avaliou.

O secretário negou que exista preocupação eleitoral na exigência de que os R$ 200 milhões gerem resultados já no início do próximo ano. E sinalizou que o Estado pode redirecionar os recursos para estradas de outras regiões, como as BRs 282, 162 ou 285.

— A questão não é inaugurar ou não inaugurar, deixei isso bem claro. Vamos pegar os R$ 200 milhões e botar na BR-282? Ninguém vai inaugurar nada, mas a gente vai fazer terceira faixa, que é bom para a população. A BR-163… Ninguém vai conseguir inaugurar nada, mas é bom para a população? A gente investe os R$ 200 milhões lá.

Mediação

Durante a reunião da Acib, o ex-presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau (Sintex), Ulrich Kuhn, avaliou o impasse com precisão. Para ele, se há boa vontade do Estado e da União para acelerar as obras de duplicação da BR-470, questões menores devem ser resolvidas com conversa. Ele e o presidente da Acib, Avelino Lombardi, sugeriram contatos com a bancada do Vale do Itajaí na Assembleia Legislativa e com a bancada catarinense em Brasília para aparar eventuais arestas.

Pelo andar da carruagem, é importante que essa Operação Panos Quentes ocorra logo. Antes que a verba se perca e o Vale do Itajaí fique, mais uma vez, a ver navios.

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