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Um ano depois, reabertura do shopping em Blumenau virou episódio banal

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Por Evandro de Assis
22/04/2021 - 07h15
Vídeos viralizaram e levaram Blumenau ao noticiário internacional da Covid-19
Vídeos viralizaram e levaram Blumenau ao noticiário internacional da Covid-19 (Foto: Reprodução)

À época, a cena parecia absurda. Um shopping center reabrindo em clima de festa, com aplausos, aglomeração e um saxofonista recebendo os clientes. Entre os frequentadores desfilando pelo corredor comercial, vários idosos. Vídeos espalharam-se nas redes sociais, puseram Blumenau no noticiário internacional da Covid-19 e, durante meses, o episódio cristalizou-se como amostra do mau exemplo brasileiro no combate à pandemia. Faz um ano neste 22 de abril. Em retrospecto, tudo parece banal. E também premonitório.

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Naquela imagem está embutida a defesa cínica de que "cumprir todos os protocolos" basta para conviver em segurança com o coronavírus. Armados de máscaras (não raro no queixo), álcool gel e distanciamento para inglês ver, muitos setores econômicos seguiram essa lógica, com bem menos estardalhaço e muito mais apoio das autoridades. Hoje ela vigora para quase tudo, sob fiscalização falha.

Poucos meses após o escândalo do sax, os catarinenses tomavam chope em bares nas madrugadas, faziam ginástica em espaços fechados e cantavam dentro de templos religiosos. Os indignados com "festas clandestinas" talvez não lembrem, mas no verão passado até balada funcionou sob supostos regramentos. Hotéis puderam lotar 100% dos leitos.

Quando a lotação chegou aos leitos de UTI e uma fila de espera formou-se em hospitais e ambulatórios, primeiro no Oeste e depois em todo o Estado, os tais protocolos ficaram outra vez mais rigorosos, mas não muito.

No fim de semana passado, frequentadores de um bar de Florianópolis que dançavam ao som de música ao vivo correram para as mesas, feito crianças na quinta série, alertados de que a fiscalização estava a caminho. Apesar do flagra, o bar respondeu que "segue as determinações, reduziu o público, mantém as mesas afastadas e cumpre os protocolos de segurança desde a entrada". Claro que cumpre.

Não só a cena do shopping tornou-se banal, mas também o resultado do comportamento negligente. Em 22 de abril de 2020, Blumenau contava três casos de Covid-19 diários, na média móvel. Ninguém havia morrido em decorrência da doença. Um ano depois, estamos comemorando que o número de casos diários baixou de 100. Caminhamos para 500 vítimas. São mais de 70 internados em UTIs. Ninguém sabe ao certo qual será o impacto das sequelas à saúde da população e à economia. 

Ainda assim, Blumenau tem uma das menores taxas de mortalidade do Brasil entre as cidades com mais de 100 mil habitantes. O país que para cá apontou o dedo acusador fez pior, muito pior.

Em abril do ano passado, a cena do shopping provocou revolta. Hoje só desperta tristeza.

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