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    Construção civil

    Preços de materiais de construção sobem mais que a inflação após falta de produtos

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    Loetz
    Por Loetz
    21/09/2020 - 10h45
    Materiais de construção
    Variação de preço de certos materiais chega a mais de 30% (Foto: Arquivo AN)

    Há falta de materiais de construção no mercado. Cimento, tijolo, aço, tubos e conexões, areia, esquadrias, louças sanitárias, brita, tintas, cabos elétricos, blocos de concreto por exemplo, só são encontrados em pequenas quantidades - e com preço muito elevados.

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    O problema é nacional e atinge tanto as construtoras - que compram diretamente dos fabricantes - como as revendas, que atendem pessoas físicas.

    O presidente da Associação de Comerciantes de Material de Construção de Joinville  (Acomac), Ivonei Arnaut acredita que a normalização do abastecimento só vai acontecer em janeiro. O problema todo  é consequência de fatores combinados: grande aumento de procura, desde junho, ao mesmo tempo em que as indústrias diminuíram o volume de produção como reflexo da pandemia do Coronavírus. Em Joinville há 400 lojas de material de construção.

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    O presidente do Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon) de Joinville, Bruno Cauduro, relata que é de dois a três meses a demora para que fabricantes entreguem pedidos feitos pelas construtoras. Mesmo assim não deverá haver atraso nas obras porque quando a situação se regularizar, os trabalhos ganharão mais velocidade. Certamente, o que se observará é o descolamento do preço do CUB - custo unitário básico - mais alto em relação às taxas de juros praticadas pelos bancos nos financiamentos imobiliários.

    Nos últimos meses, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) realizou duas pesquisas.

    O levantamento contou com a participação de associados do Sinduscon Joinville, que informaram a variação dos preços, o percentual e a data dos reajustes de materiais.

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    Com base nas informações apuradas em todo o país, a CBIC entregou à Secretaria de Advocacia da Concorrência e Competitividade do Ministério da Economia um documento que comprova o aumento excessivo nos preços durante a pandemia.

    Para o presidente da CBIC, José Carlos Martins, o reajuste é resultado da falta de oferta de produtos em quantidade suficiente para atender o mercado, uma vez que foi criado um desequilíbrio artificial por parte das empresas. "Com a insegurança inicial causada pela pandemia, em março, foi gerado um falso desabastecimento, que foi sendo aproveitado pelos fornecedores para recuperar preços. Se não houver um choque de oferta urgente, a memória inflacionária irá criar um caminho sem volta."

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    De acordo com o presidente do Sinduscon de Joinville, Bruno Cauduro, é inadmissível que em um momento tão importante para a retomada da economia o setor esteja vivendo uma situação como essa. "Justamente quando se espera que o mercado tenha ética e união para garantir emprego e renda, nos deparamos com práticas abusivas com efeitos negativos para toda a sociedade. O relatório da CBIC mostra as sérias consequências à economia."

    Os impactos a que Cauduro se refere incluem, segundo a Câmara Brasileira,, o aumento no custo das obras públicas, dificuldades para viabilizar programas criados para impulsionar obras de infraestrutura; e redução de lançamentos imobiliários no último trimestre do ano. Outro reflexo deve ser o aumento do custo dos imóveis populares no país.

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    Para o vice-presidente da CBIC para a região Sul, Marco Antonio Corsini, o posicionamento nacional do setor junto ao governo federal será fundamental para evitar que a escalada de preços continue da forma que tem sido vista. O setor da construção civil criou 8,7 mil novas vagas de janeiro a julho deste ano no país, sendo 2 mil em Santa Catarina.

    Variação de preços de materiais de construção e datas de reajustes em Joinville:

    - cimento: 7% a 18%- janeiro, abril, julho, agosto

    - concreto: 6,5% a 9% - fevereiro, maio, agosto, setembro

    - bloco cerâmico: 8% a 15% - agosto e setembro

    - bloco de concreto: 10% - julho

    - cabos elétricos: 10% a 24% - agosto e setembro

    - areia: 5% a 10% - agosto e setembro

    - brita: 10% - setembro

    - esquadrias: 12% a 14% - agosto e setembro

    - revestimento: 7% - agosto

    - argamassa: 8% - maio e setembro

    - tubos e conexões: 10% a 18% - fevereiro, julho, agosto, setembro

    - aço CA50 : 38% - maio e setembro

    - tintas e misturas: 10% a 18%

    Fonte: Sinduscon Joinville

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