A Serra Gaúcha segue como protagonista e coração histórico da vitivinicultura nacional. Ao mesmo tempo, novas regiões redesenham o setor e expandem o mapa do enoturismo brasileiro. Viajantes e suas taças, sedentos por novidades e novos terroirs, buscam destinos de altitude, vinhedos entre montanhas e experiências que vão além do vinho, transformando a bebida em identidade cultural, lazer, saúde e bem-estar.

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Na coluna de 4 de maio, abordamos a Serra da Mantiqueira, entre São Paulo e Minas Gerais, como destino dos amantes de experiências completas de enoturismo. Hoje, vamos conhecer outras regiões que fortalecem o interesse do turista, atraem empreendedores e recebem grandes investimentos, transformando paisagens em destinos cada vez mais desejados.

Santa Catarina vive expansão no mundo do vinho

Santa Catarina vive um momento privilegiado no mundo do vinho. Diferentemente da tradição histórica da Serra Gaúcha, empresários apaixonados pela bebida enxergaram, há cerca de 30 anos, a possibilidade de produzir vinhos apostando na altitude, no frio intenso e em um terroir ainda pouco explorado.

Apesar de três décadas representarem pouco tempo na vitivinicultura, o Estado já produz rótulos considerados entre os melhores do país e que também conquistam reconhecimento internacional. O resultado une a herança da imigração italiana à inovação da vitivinicultura de altitude.

Dividida entre a produção histórica no Oeste e Sul catarinense e os prestigiados rótulos atuais da Serra catarinense, a trajetória do Estado se consolidou como uma das principais referências vinícolas do Brasil.

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Vinhos de altitude impulsionam o enoturismo em SC

Os vinhos de altitude de Santa Catarina representam hoje uma das faces mais sofisticadas da vitivinicultura brasileira. Produzidos entre 900 e 1.400 metros acima do nível do mar, especialmente na região do Planalto Catarinense, os rótulos construíram uma identidade própria baseada em características geográficas e climáticas específicas, reconhecidas com o selo de Indicação de Procedência (IP) em 2021.

A Serra catarinense ganhou destaque pela acidez refinada, frescor natural e perfil elegante de seus vinhos. A combinação de altitude elevada, noites frias, dias quentes com ótima insolação, grande amplitude térmica e baixa incidência de chuvas durante a colheita proporciona maturação lenta das uvas e maior concentração aromática.

Com isso, os vinhos apresentam equilíbrio, complexidade aromática, taninos macios e grande potencial de guarda.

Mesmo jovem, Santa Catarina já concentra algumas das vinícolas mais premiadas do país e busca ampliar o reconhecimento de sua origem e terroir. Bom Retiro, São Joaquim e Urubici concentram boa parte das 339 vinícolas registradas no Estado, número que cresceu cerca de 30% nos últimos anos.

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Também chama atenção o desempenho das castas italianas cultivadas na Serra Catarinense. Um exemplo é o Mastino 2021, da vinícola Leone Di Venezia (@leone.divenezia), eleito melhor tinto Montepulciano do Brasil na Grande Prova Vinhos do Brasil 2026.

Vinícolas da Serra catarinense para conhecer

A Serra catarinense reúne vinícolas que oferecem experiências completas em meio a algumas das paisagens mais preservadas e impressionantes do Brasil.

Vinícola Thera (@vinicolathera)
Localizada em Bom Retiro, a vinícola boutique aposta fortemente no enoturismo. Integrada à natureza, a estrutura fica a cerca de 900 metros de altitude, entre araucárias, lagos e vinhedos. Além dos vinhos, oferece experiências sofisticadas e estrutura pensada para receber visitantes em busca de conforto e exclusividade.

Vinícola Villa Francioni (@vinicolavillafrancioni)
Uma das mais conhecidas de Santa Catarina e pioneira no enoturismo da região. A vinícola chama atenção pela arquitetura imponente e pela galeria de arte com exposições frequentes. Produz vinhos premium e oferece degustações guiadas, além de eventos culturais e experiências temáticas.

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Vinícola Abreu Garcia (@vinicolaabreugarcia)
Situada em Campo Belo do Sul, a cerca de 900 metros de altitude, construiu sua identidade em torno de um terroir marcado pelo frio intenso e pela maturação lenta das uvas. O local também abriga um sítio arqueológico milenar considerado sagrado por povos originários. Os vinhos se destacam pela elegância, frescor e complexidade aromática. O wine bar oferece degustações guiadas e o restaurante promove almoços harmonizados.

Vinícola Quinta da Neve (@quintadaneve)
Em São Joaquim, na região de Lomba Seca, foi uma das pioneiras a apostar nos vinhos de altitude catarinenses. Os vinhedos foram implantados em 1999, a cerca de 1.250 metros acima do nível do mar. Os rótulos têm perfil elegante, fresco e aromático.

Vinícola Leone Di Venezia (@leone.divenezia)
Também em São Joaquim, é uma das vinícolas mais autorais do país. A influência italiana aparece nas castas, arquitetura e filosofia de produção. A 1.300 metros de altitude, produz variedades italianas pouco comuns no Brasil. O espaço oferece degustações, piqueniques, gastronomia regional e experiências intimistas.

Vinícola Villaggio Bassetti (@villaggiobassetti)
Localizada a cerca de cinco quilômetros do Centro de São Joaquim, possui vinhedos acima de 1.200 metros de altitude. As estradas internas asfaltadas cortam as videiras e proporcionam um passeio cênico entre araucárias. Os vinhos refletem manejo artesanal e cuidadoso, com destaque para a Pinot Noir.

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Vinícola Suzin (@vinicolasuzin)
Vinícola familiar de São Joaquim, dedica-se à produção de pequenos lotes, permitindo atenção especial em todas as etapas. A altitude e a amplitude térmica contribuem para vinhos estruturados, frescos e aromáticos. O ambiente reforça a proposta de um enoturismo acolhedor e afetivo.

Vinícola Villaggio Conti (@villaggioconti)
Entre Urubici e São Joaquim, no Vale do Pericó, a vinícola boutique familiar aposta em mínima intervenção na produção para valorizar a expressão das castas italianas cultivadas na altitude catarinense. As experiências devem ser agendadas diretamente com a vinícola.

Vinhedos do Monte Agudo (@vinhedosdomonteagudo)
A vinícola familiar recebe visitantes em clima intimista. Os almoços harmonizados, sunsets e piqueniques entre os vinhedos estão entre os destaques da experiência. A proposta une gastronomia regional, vinhos autorais e paisagens exuberantes.

Esta seleção não pretende esgotar a riqueza do vinho catarinense. Muitas vinícolas ficaram de fora não por falta de qualidade, mas porque Santa Catarina vive um momento extremamente fértil e diverso no setor. Cada uma delas contribui para fortalecer a identidade e a relevância do vinho catarinense no cenário nacional.

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Saúde!
Néa Silveira
@neasommeliere