Conselheiro da All4Labels, terceiro maior grupo empresarial do mundo no mercado de rótulos impressos, o empresário Ronaldo Baumgarten Jr. enxerga com preocupação a exaltação de ânimos decorrente das incertezas do cenário eleitoral. Ele avalia que o mercado está parado aguardando o resultado da votação e diz que a possibilidade de o Vale perder representatividade na esfera política é preocupante.
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Baumgarten é o quarto entrevistado da série sobre desafios do país que o blog publica nesta semana para marcar o lançamento do novo santa.com.br.
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Como o industrial brasileiro tem visto essa disputa política tão acirrada?
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Há muita apreensão e medo. Estamos naquela fase que se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. O meu entender é que essa indefinição criada por esse ambiente político levou a grandes incertezas de investimento. Queira ou não, o país está parado. Ninguém está fazendo absolutamente nada enquanto a eleição não acontecer. Tudo vai depender do presidente. Há empresários que, inclusive, dependendo de quem ganhar, querem ir embora do Brasil, levar seus negócios para fora. Muitos já estão levando para o Paraguai. E outros querem apostar no país, o que eu acredito que ainda é a melhor coisa, independentemente de quem assumir. O presidente vai ter de trabalhar muito porque o Brasil chegou no seu limite. Daqui para frente, se a situação permanecer como está, vai ficar insustentável.
E o mercado internacional? Como tem enxergado esse cenário?
Com bastante preocupação. Óbvio que o Brasil, no mundo global, representa muito pouco do interesse dos investidores. Hoje há uma atratividade muito forte para investir nos Estados Unidos. E outras regiões como a Ásia e a Europa estão mais preocupadas com o próprio desenvolvimento. Esse estado de insegurança criado no Brasil, que não é só político, é uma crise econômica, jurídica e que está, no meu modo de ver, instituída em todas as instâncias, faz realmente com que o investidor internacional olhe tudo com muita cautela.
Como o próximo presidente ajuda a mudar essa situação?
Ele vai ter que entrar com um choque de credibilidade e demonstrar claramente que chegou para resolver. Vai precisar muito do apoio do Legislativo. Está na hora de o Brasil enxergar o Brasil para os brasileiros, e não para um grupo. Foi mais do que provado nesses últimos escândalos que o Brasil foi administrado por um grupo que tinha interesses específicos. Então, o novo presidente vai ter de construir esse apoio do Legislativo, do Judiciário, vai ter que dar uma enxurrada de credibilidade tanto internamente quanto externamente para que as coisas voltem à sua normalidade, para que a gente volte a navegar em águas calmas. Hoje estamos realmente navegando em águas muito turbulentas.
Você mesmo disse que mercado está em compasso de espera, aguardando as definições do cenário eleitoral. Que sinais transmitem confiança para a retomada dos investimentos?
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Nós precisamos de uma estabilidade cambial. Apesar do fato de fazer investimentos em época de crise realmente te deixar pronto para a hora que ela acabar, é muito difícil assumir dívidas a um euro a quase R$ 5 e um dólar a mais de R$ 4. Isso assusta o empreendedor. E eu não estou falando das grandes empresas, mas do pequeno e médio, que têm mais sede de investimento. As grandes compram e fazem acontecer, mas as pequenas e médias hoje passam por uma dificuldade muito grande na hora de buscar novas tecnologias.
No fiel da balança, o câmbio acima de R$ 4 é mais positivo ou negativo para a indústria catarinense?
Depende da situação. Se a empresa é exportadora, quanto maior o dólar, melhor, apesar de isso não ser de todo o certo, porque o cliente lá de fora vai pedir desconto porque também acompanha o câmbio aqui no Brasil. Por outro lado, quem é importador sofre violentamente porque esse aumento excessivo do dólar faz com que os custos operacionais dos negócios aumentem. E é muito difícil repassar esse preço para o mercado, normalmente os clientes demoram muito para fazer isso. Fica difícil acompanhar e lutar com essa variação repentina. Isso afeta onde na empresa? Na última linha do balanço, e é aquela última linha do balanço que motiva ou não o empresário a investir.
Qual deve ser a grande prioridade do próximo governador de SC?
O próximo governador, da mesma maneira que o presidente da República, vai ter que enxugar e diminuir despesas, fazer uma gestão com menos pessoas e mais eficiência. Independentemente de quem for, a receita está pronta. O estado de Santa Catarina é diferenciado sim, mas ele não pode se transformar em um Rio de Janeiro. Por isso precisamos de um governante extremamente competente, com muito apoio da Assembleia Legislativa e do Judiciário, para realmente atingirmos os níveis que o catarinense merece.
Há um cenário de pulverização de candidaturas tanto para a Assembleia Legislativa quanto para o Congresso na nossa região. Isso pode afetar a representatividade do Vale?
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Preocupa, porque grandes nomes da política local estão sendo usados na majoritária. Estão surgindo novas opções, inclusive a classe empresarial está representada. Mas o trabalho precisa ser árduo. Dia 7 está chegando, vamos ver o que vai acontecer. O que não pode é o Vale do Itajaí perder representatividade. O eleitor da região tem que ter essa consciência de que representatividade é tudo. Precisamos votar em candidatos da nossa região.
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