Uma única atividade da economia de Santa Catarina demitiu quase mil pessoas em agosto, primeiro mês de vigência do tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A indústria de fabricação de produtos de madeira, uma das mais afetadas pela medida, fechou o mês passado com um saldo negativo de 926 vagas de trabalho formais, revelam dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta segunda-feira (29).

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O número representa a diferença entre contratações e desligamentos feitos no período. No geral, como a coluna já destacou, a indústria catarinense perdeu cerca de 1,6 mil vagas em agosto. Foi o primeiro resultado mensal negativo de 2025. O Estado também teve, em agosto, o mês mais fraco do ano na geração de emprego, ainda que tenha registrado saldo positivo, de 315 postos de trabalho.

No caso da indústria de madeira, o resultado acompanha o que já havia sido visto em julho, quando incertezas geradas pelo anúncio do tarifaço alimentaram a desaceleração da atividade no segmento. Naquele mês, o Estado registrou um saldo negativo de 600 vagas formais nos setores de madeira e móveis, como destacou o colega Ânderson Silva.

Setor madeireiro é um dos mais afetados pelo tarifaço

Uma fatia significativa da produção de madeira em Santa Catarina abastece a indústria da construção dos Estados Unidos, por isso o tombo.

Em junho, o segmento “obras de carpintaria para construções”, principal item da pauta exportadora do Estado ao mercado americano, vendeu US$ 21,5 milhões. Em julho, esse volume subiu para US$ 24,3 milhões, naquilo que especialistas sugerem que foi uma “corrida” para desovar a produção antes da entrada em vigor da tarifa de 50%. Em agosto, já com a sobretaxa valendo, as exportações caíram para US$ 16,8 milhões.

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Cidades catarinenses que são polos de produção de madeira fecharam agosto com saldo geral de emprego no vermelho, casos de Lages (que perdeu 287 vagas no setor) e Caçador (-132 vagas). O impacto no mercado de trabalho do setor ainda pode ser maior porque há casos de empresas que, para evitar demissões em massa, deram férias coletivas aos funcionários.

O setor de fabricação de móveis também amarga prejuízos, com perda de 274 empregos em agosto, segundo dados do Caged. Outro setor industrial que ficou no vermelho no mês foi o de fabricação de compressões, com redução de 292 vagas de trabalho.

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