O ex-prefeito Mário Hildebrandt (PL) não é alvo das três operações deflagradas pelo Gaeco que sacudiram Blumenau na última semana e continuam provocando desdobramentos, com informações exclusivas publicadas pela reportagem da NSC. Mas politicamente é quem mais está exposto pelas investigações do Ministério Público que identificaram uma rede de crimes que se instalou em parte do primeiro escalão. Cabe ao chefe do Executivo, afinal, a prerrogativa de nomear secretários municipais.
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O episódio vem revelando uma espécie de fogo amigo dentro do PL de Blumenau. Embora todos estejam alinhados ao projeto de reeleição do governador Jorginho Mello, são notórios os esforços de outros caciques locais da legenda de tentarem se blindar e se desvincular das denúncias de corrupção.
Sem citar nomes, o prefeito Egidio Ferrari disse nesta semana em entrevista à Rádio Menina que se instalou uma “verdadeira organização criminosa” na gestão anterior. Hildebrandt fez campanha para Ferrari, chegando inclusive a pedir voto em sinaleira, numa articulação costurada por Jorginho – que mais tarde lhe contemplaria com a Secretaria de Estado da Defesa Civil. Apesar de militarem no mesmo partido, os grupos políticos que eles representam nunca tiveram boa relação interna.
O ex-líder do governo na Câmara, vereador Flavinho, gravou vídeo na última semana ao estilo Nikolas Ferreira comentando os casos. Também sem citar diretamente o ex-prefeito, disse que “estamos passando a limpo aquilo que foi deixado para trás”. Chegou a falar em “corrupção do passado”. Na recente CPI do Esgoto, foi quem mais atacou Hildebrandt durante o depoimento do ex-prefeito.
Conhecido por não ter papas na língua, o deputado estadual Ivan Naatz foi mais do que direto ao se manifestar em um vídeo no Instagram, bradando que o PL não teria nada a ver com os escândalos revelados pelo Gaeco:
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— Se quiserem apontar o dedo para alguém, apontem para o ex-prefeito Mário Hildebrandt.
Naatz lembrou ainda que, nas eleições passadas, Hildebrandt defendeu primeiramente a reeleição de Carlos Moisés (então no Republicanos), sugerindo que ele só se aliaria mais tarde, por conveniência, a Jorginho.
As repercussões mostram uma disputa por território e uma tentativa de apropriação de um discurso anticorrupção que é caro para a direita blumenauense.
Impacto eleitoral
É totalmente incerto o impacto que as investigações terão na corrida eleitoral deste ano. Pelo histórico de ex-prefeito de dois mandatos e ex-secretário de Estado da Defesa Civil, Hildebrandt vinha sendo dado como nome praticamente certo nas bolsas de apostas para se eleger deputado estadual.
Os casos revelados pelo Gaeco, no entanto, colocam uma interrogação sobre o processo e alimentam críticas contundentes de outros pré-candidatos com base eleitoral em Blumenau que também miram a Assembleia Legislativa, entre eles o próprio Naatz e o ex-promotor de Justiça Odair Tramontin (Novo).
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Em um vídeo publicado nas redes sociais, Hildebrandt disse que sempre prezou pela transparência e que chegou a determinar auditoria externa sobre “diversas irregularidades” que percebeu, mas que “infelizmente não tem controle sobre tudo”. Ele se colocou à disposição da Justiça.

