Alexandre Birman (E) e Roberto Jatahy (D) discordam sobre movimentos na companhia (Foto: Divulgação)
Em meio a uma crise entre os dois principais sócios que já era pública, e que foi escancarada ao parar na Justiça, a Azzas 2154, dona da Hering, contratou assessoria financeira do banco Itaú BBA para “avaliação de diversas oportunidades estratégicas”, segundo um comunicado ao mercado divulgado nesta semana pela empresa. O documento serviu de resposta a uma reportagem do jornal “O Globo”, que antecipou a contratação da consultoria para, conforme a publicação, discutir uma eventual cisão da sociedade.
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A possibilidade de rompimento voltou a ganhar força no mercado após Roberto Jatahy, egresso do Grupo Soma, entrar com uma cautelar para impedir a retirada da Reserva, uma das marcas do conglomerado de moda, da sua alçada – em uma decisão que teria partido de Birman, presidente da Azzas 2154. O movimento refletiu mais uma vez a falta de alinhamento dos executivos, que não vem de agora.
No comunicado, a Azzas 2154 informou que “avalia continuamente alternativas” que envolvam a empresa e seus ativos. A companhia diz que a contratação do banco é preliminar, e visa o suporte em análise econômico-financeira de oportunidades e de possíveis estruturas para as alternativas eventualmente identificadas.
“Não há qualquer definição acerca da efetiva implementação de qualquer eventual operação, tampouco sobre seus potenciais termos, estrutura ou viabilidade”, diz o documento.
Na última terça-feira (19), o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro indeferiu um pedido de efeito suspensivo impetrado por Birman para reverter os efeitos de liminar favorável a Jatahy concedida em primeira instância, que determinou a manutenção da estrutura organizacional vigente da companhia até 22 de abril – o que anularia a decisão de tirar a Reserva da gestão de Jatahy – e estabeleceu que o assunto deve ser tratado em uma arbitragem entre as partes.
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A Azzas 2154 é fruto de uma até agora confusa fusão entre Grupo Soma e Arezzo, anunciada em 2024. Desde então, houve divergências entre Birman (da Arezzo) e Jatahy (da Soma) sobre a condução dos negócios. A escalada na tensão entre os principais acionistas de referência da companhia já provocou debandada de executivos e diretores, num sinal claro de dificuldades de integração de duas companhias com culturas diferentes e executivos com visões de negócios distintas.
Além da Hering: relembre outras empresas de Blumenau que foram vendidas
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A Artex foi incorporada nos anos 2000 pela Coteminas (Foto: Reprodução)
A Mega Transformadores foi comprada em 2000 pela multinacional sueco-suíça ABB (Foto: Reprodução)
A Eisenbahn foi comprada em 2008 pelo Grupo Schincariol. Depois, foi negociada com a japonesa Kirin até ser adquirida pela Heineken (Foto: Divulgação)
Em 2008 a francesa Areva, fornecedora de equipamentos de energia, comprou a Waltec, que mais tarde passaria a integrar a Schneider Electric (Foto: Patrick Rodrigues, BD)
Em 2010 a Wheb Sistemas, fabricante de softwares de gestão de saúde, foi comprada pela multinacional Philips (Foto: Patrick Rodrigues, BD)
A Dudalina foi vendida em 2013 para fundos americanos e um ano depois acabou comprada pela Restoque, hoje Veste S.A (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total, BD)
Desde setembro de 2016 a Bermo, fabricante de válvulas e equipamentos industriais, faz parte do Grupo ARI Armaturen, da Alemanha (Foto: Divulgação)
A Baumgarten não foi vendida, mas em 2016 anunciou uma fusão com duas empresas alemãs que deu origem à All4Labels (Foto: Divulgação)
Em 2017, a CM Hospitalar, dona do Grupo Mafra (atual Viveo), anunciou a compra da Cremer (Foto: Luís Carlos Kriewall Filho, Especial, BD)
Desenvolvedora de softwares de gestão logística, a HBSIS foi comprada em 2019 pela cervejaria Ambev (Foto: Divulgação)
Em março de 2021, a Viveo comprou o Grupo FW, fabricante de lenços umedecidos e dona da marca Feel Clean (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total, BD)
Em 2021 a Cia. Hering aceitou uma proposta de compra do Grupo Soma (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total, BD)
Em 2021 a Hemmer foi comprada pela multinacional Kraft Heinz (Foto: Artur Moser, NSC Total, BD)
A Unimestre, que desenvolvia sistemas de gestão educacional, foi comprada em outubro de 2021 pela Plataforma A+ (Foto: Divulgação)
Em 2021 a fintech PagueVeloz aceitou uma proposta de compra feita pela Serasa (Foto: Pedro Machado, NSC Total, BD)
A agência de marketing digital A7B foi comprada em 2021 pela Adtail, empresa gaúcha do mesmo ramo (Foto: Divulgação)
Em 2021, o Laboratório Hemos foi comprado pelo Grupo Sabin, uma das principais empresas de medicina diagnóstica do Brasil (Foto: Divulgação)
Em 2021, a startup Velo foi comprada pela QuintoAndar, plataforma de moradia (Foto: Reprodução)
Em dezembro de 2021, a marca Sulfabril foi arrematada em leilão pela companhia têxtil catarinense Lunelli (Foto: Lucas Amorelli, BD)
A Movidesk, que oferece soluções tecnológicas de atendimento e suporte a clientes, foi comprada em dezembro de 2021 pela companhia gaúcha Zenvia (Foto: Divulgação)
Em 2021, a fabricante de etiquetas, tags e acessórios de moda Tecnoblu foi comprada pela canadense CCL Industries (Foto: Divulgação)