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Os árbitros relaxaram e Havelange tinha razão

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Por Roberto Alves
23/10/2021 - 07h05
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Roberto Alves: "Não sou contra o VAR, mas entendo que está mal usado no Brasil" (Foto: Fernando Calzzani, Folhapress)

O brasileiro João Havelange, ex-presidente da Fifa, tinha algumas observações sobre o futebol muito interessantes. Uma delas, foi abordada pelo ex-jogador Valério Mattos em palestra que proferiu na Fiesc, em Florianópolis. Foi sobre o carrinho no futebol, que Valério considerava o antijogo, opinião corroborada por Havelange.

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Levou a International Football Association Board (órgão que regulamenta as regras do futebol) a sugestão de uma punição mais forte ao atleta que aplicar o carrinho por trás, colocando em risco a integridade física do adversário. O futebol é o esporte que menos tem se modernizado. As regras são as mesmas, com algumas pequenas alterações. Há um conservadorismo enorme na Fifa, os senhores da International Board são insensíveis à modernidade. Nisso Havelange também os acompanhava.

O ex-presidente da Fifa costumava dizer: “O dia em que acabarem com o impedimento ou colocarem a tecnologia no futebol correremos o sério risco de perder a emoção”. Ele era contra. Verdade que está sendo constatada neste momento, especialmente no Brasil. O VAR veio para tirar dúvida do arbitro de campo e não mudar decisão tomada em cima do lance.

Isso vem acontecendo e de uma forma triste, porque os jogadores não estão aceitando o que vem como prato pronto lá da cabine do VAR. O resultado é que estamos tirando a emoção do jogo, com paralisações de cinco minutos ou mais, em algumas vezes. Enquanto isso, os atletas cercam o árbitro, não têm o mínimo respeito pela decisão e o jogo para. 

Tem acontecido no Brasil com frequência, obrigando o árbitro a aplicar até o cartão vermelho em algumas ocasiões. Na semana passada aconteceu no jogo Palmeiras x Internacional, com Bráulio Machado aplicando a medida extrema a Edenilson, do Internacional, que depois se desculpou pelas redes sociais.

Edna Alves Batista não marcou um lance que considerou normal e escandalosamente fez gestos de “segue o jogo” em Confiança-SE x Avaí, para depois ser chamada pelo VAR e marcar o pênalti. Ela estava a um metro do lance, com ótimo visual e interpretação não teria de atender o chamado da cabine. Não havia dúvida para ela, foi na frente dela. Voltou atrás e marcou, destruindo a interpretação que estava correta. 

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O que é isso então gente? O VAR veio mesmo para ajudar a esclarecer lances duvidosos ou dar conforto aos árbitros, que agora se escoram na tecnologia, transferindo a responsabilidade? 

Havelange tinha razão. As paralisações até a tomada de decisão da arbitragem estão matando o futebol. Não sou contra o VAR, mas entendo que está mal usado no Brasil. Inclusive, não vem sendo respeitado pelos próprios jogadores em campo. 

Os protestos

Antigamente era preciso montar uma fita com gravações de erros da arbitragem, levar a CBF e marcar território, até porque as decisões nunca foram e nem serão mudadas. Hoje, a TV mostra todos os jogos com um batalhão de câmeras posicionadas para não perder nenhum ângulo das jogadas, e os erros continuam escancarados. E nenhuma providência é tomada.

Velha política

O benefício do voto continua sendo implacável, claro. Árbitros de federações que são importantes na hora da eleição na CBF e que não reúnem a menor condição para o exercício da atividade. A força dos clubes através do peso das camisas, às vezes, assusta. A CBF sabe quem tem ou não condição de arbitrar um jogo, cuja resultado pode decidir a vida de um clube, mas continua errando. Isso tudo faz com que o torcedor ache que os chamados “grandes do futebol” têm o benefício do “apito amigo”.

Nossos árbitros

SC sempre deu boa contribuição à arbitragem nacional. Atualmente, temos como árbitros Fifa: Bráulio Machado, Rafael Traci e Charly Deretti. Na condição de árbitro VAR Fifa temos Rodrigo D’Alonso Ferreira, assistente Kléber Lucio Gil, Neusa Inês Back (hoje em SP) e Cleide Mary como instrutora Fifa.

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Dentro da CBF estão Giuliano Bozzano, na direção da escola nacional de arbitragem, e Erika Kraus, como secretária da escola. Precisamos ser respeitados. Agora, buscam nossas comentaristas de arbitragem pelo conteúdo e qualidade, como Nadine Bastos e Fernanda Colombo. É preciso olhar mais para Santa Catarina.

Problemas

Vamos ter muitos problemas nesta reta final. Pergunto, qual grande árbitro brasileiro temos hoje? Quem é o Armando Marques do futebol atual, o Arnaldo Cesar Coelho? Não temos. Dirão alguns: também erraram. Claro, são seres humanos. Os atuais são ruins tecnicamente e alguns até trapalhões.

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O momento requer cuidado e atenção. A Série B do Brasileiro está caminhando para a definição e a CBF precisa usar o que tem de melhor. Porém, hoje parece que o mais importante é a arbitragem do VAR. Não adianta no campo ter um árbitro Fifa e no VAR alguém sem a mesma expressão. E isso tem acontecido.

Lançamento

Valério José Mattos foi considerado, juntamente com Teixeirinha, os melhores jogadores da história do futebol catarinense. Era craque e já nos deixou. A história dele está retratada no livro escrito por Murilo Ronald Capella. O lançamento será nesta segunda-feira, dia 25, das 18h às 22h, no Paula Ramos EC, em Florianópolis. Valério jogou e foi campeão estadual pelo clube em 1959. Imperdível.

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Referência por resgatar a memória do Esporte catarinense, fatos do dia a dia e pitorescos, misturando bom humor e seriedade na dose certa.

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