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Trocas de partido

Definições de novembro clareiam cenário pré-eleitoral de Florianópolis

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Por Upiara Boschi
02/12/2019 - 16h36 - Atualizada em: 02/12/2019 - 16h39
Palácio das Secretarias, sede da prefeitura de Florianópolis é o atual endereço do poder na Capital do Estado. Foto: Guto Kuerten
Palácio das Secretarias, sede da prefeitura de Florianópolis é o atual endereço do poder na Capital do Estado. Foto: Guto Kuerten

O mês de novembro foi marcado por uma janela informal de troca de partidos que clareou o cenário pré-eleitoral em Florianópolis. Três peças importantes do jogo se mexeram em busca de novos partidos e um lugar no tabuleiro eleitoral: o deputado estadual Bruno Souza, o prefeito Gean Loureiro e o vereador Pedrão Silvestre. Com isso, ficaram reduzidas as posições ainda em aberto na Capital.

Bruno e Gean entraram novembro desfiliados dos partidos em que se elegeram. O deputado estadual havia vencido no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SC) a batalha jurídica sobre a acusação de infidelidade partidária movida pelo PSB nacional. Com a justa causa aceita pelos juízes eleitorais, Bruno tinha como opções o Podemos (onde estão se abrigando os ex-pessebistas) e o Novo. Acabou escolhendo o partido de João Amoêdo, onde chegou colocando o nome à disposição para concorrer à prefeitura. O estatuto do Novo determina que os eleitos devem completar o mandato, mas não está clara a situação de quem aderiu ao partido. Vencida a questão interna, Bruno ocuparia a faixa de candidatura com propostas liberais.

Pré-candidato à reeleição, Gean Loureiro havia deixado o MDB em maio, alegando o desgaste nacional da sigla e a falta de indícios de que haveria mudança na cúpula. Deixou o destino partidário em aberto e conversou com diversas siglas. Após flertar com Podemos e Republicanos, optou pelo tradicional DEM (antigo PFL), após conversas com a direção nacional, especialmente o prefeito de Salvador, ACM Neto (presidente nacional da sigla). Escolheu um partido com história e projeto nacional - além, claro, de boas fatias de tempo de televisão, fundos eleitoral e partidário.

Uma definição que não deve causar grandes reviravoltas, considerando que o DEM já faz parte de sua base e deveria apoiá-lo ano que vem mesmo sem a migração. A dúvida que fica é quais emedebistas vão acompanhá-lo no novo endereço. Na Câmara, ele ainda tem o apoio de Dinho, Maria da Graça e Gui Pereira, enquanto Celso Sandrini e Rafael Daux alinham-se à oposição. Além dos três alinhados, muitos suplentes da sigla devem acompanhar o prefeito - no DEM e em aliados.

A terceira mudança de posição foi anunciada no domingo, primeiro dia de dezembro, mas foi acertada na última semana do mês anterior. Assim que anunciou na segunda-feira que estava de saída do PP por não se sentir seguro de que o partido lhe garantiria a candidatura a prefeito, o vereador Pedrão Silvestre recebeu telefonema do senador Jorginho Mello (PL). As conversas desaguaram no anúncio da futura filiação, domingo, sob a histórica figueira da Praça XV de Novembro. Pedrão ganhou a garantia que queria, o PL a oportunidade de ter com o campeão de votos da última eleição para vereador um protagonista na disputa pela prefeitura da Capital do Estado. A legenda (como PL ou como PR, sigla que usou entre 2003 e 2019) não tem candidato a prefeito desde 1992, quando Péricles Prade ficou em quarto lugar. Nesse período, apenas em 2008 esteve na majoritária, com João Batista Nunes (hoje no PSDB) eleito vice-prefeito de Dário Berger (MDB).

Com Pedrão, o PL tenta ocupar um espaço ao centro do tabuleiro, o mesmo em que joga o prefeito Gean. Embora Jorginho Mello se aproxime dos bolsonaristas em nível estadual, a aposta de Pedrão na Capital é apresentar-se longe dos extremos e focar no discurso da renovação.

Com os movimentos de novembro, sobram poucas casas no tabuleiro das candidaturas a prefeito ano que vem. Sem Pedrão, o PP deve lançar a deputada federal Angela Amin - derrotada no segundo turno em 2016 por 1,1 mil votos - ou o deputado estadual João Amin. A definição entre mãe ou filho deve se dar de acordo com o tamanho do arco de alianças conquistado pelos pepistas - dificilmente Angela será candidata em um projeto isolado.

À esquerda, a dúvida é se haverá a união dos partidos em uma única candidatura. Hoje, a tendência é uma terceira tentativa de Elson Pereira (PSOL), com a vaga de vice em disputa pelo PT e pelo PDT e apoio do PCdoB. Os três partidos nunca estiveram juntos na eleição da Capital. Em 2012 e 2016, os petistas apoiaram Angela Albino (PCdoB).

A última vaga seria do PSL do governador Carlos Moisés, que deseja uma candidatura forte na Capital. Depois de sondar Pedrão no início do ano, o governador focou suas investidas no coronel Araújo Gomes, comandante da Polícia Militar e secretário de Segurança no atual modelo do comando colegiado. O racha do PSL dificulta os planos, com a saída do presidente Jair Bolsonaro para criar o Aliança. A nova legenda bolsonarista também é dúvida e ainda não teria um nome despontando para entrar no jogo.

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Faz a leitura e a análise do contexto do cenário político de Santa Catarina, com informações de bastidores. Explica motivações e consequências das principais decisões tomadas nos poderes do Estado.

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