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2020: o ano com menos gás carbônico

Medidas de isolamento social para lutar contra a pandemia de Covid-19 devem provocar redução de 7% em ritmo anual das emissões de CO2, segundo a ONU e o grupo Global Carbon Project

01/01/2021 - 08h00

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Por AFP
Foto de 22 de dezembro de 2020 mostra caminhões de lixo e uma usina de incineração de resíduos em Shenyang, na província de Liaoning, na China
Foto de 22 de dezembro de 2020 mostra caminhões de lixo e uma usina de incineração de resíduos em Shenyang, na província de Liaoning, na China
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O ano de 2020 foi, contra todos os prognósticos, um ano notável para o clima: as emissões de gases do efeito estufa registraram uma queda recorde e a demanda por energias fósseis recuou em 12 meses. As medidas de confinamento adotadas para lutar contra a pandemia de Covid-19 devem provocar uma queda de 7% em ritmo anual das emissões de CO2, segundo a ONU e o grupo Global Carbon Project.

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A ONU calcula que seria necessário reduzir as emissões entre 2020 e 2030 para cumprir a meta do Acordo de Paris de conter o aquecimento a 1,5 °C e limitar as catástrofes climáticas. Com a distribuição em larga escala de vacinas contra a Covid-19 em 2021 e a esperada retomada econômica, 2020 será uma exceção ou marcará uma tendência mais duradoura de queda?

– Temo que se os governos não adotarem medidas fortes, esta redução das emissões será seguida por uma alta. Sem medidas verdes contempladas nos planos de recuperação econômica, voltaremos ao mesmo ponto em que estávamos antes da pandemia – afirmou o diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol.

De acordo com Birol, a atitude da China, maior emissor, será um teste importante:

– A China foi o primeiro país que detectou o coronavírus, o primeiro que decidiu por um confinamento e que sofreu a desaceleração da economia. Mas também foi o primeiro país onde a economia foi retomada e hoje as emissões são maiores que antes.

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O projeto Energy Policy Tracker, que inclui 14 institutos de pesquisa, calcula que os países do G20 prometeram nos planos pós-Covid ao menos 234 bilhões de dólares de dinheiro público para projetos ligados a energias fósseis, contra 151 bilhões para as energias limpas. De acordo com os cálculos da ONU, a produção de petróleo, gás e carvão deve registrar queda de 6% em ritmo anual até 2030 para limitar o aquecimento do planeta a 1,5 °C. Mas os Estados preveem aumentar a produção de energias fósseis em 2% a ritmo anual, apesar dos preços reduzidos das energias renováveis. Kingsmill Bond, da Carbon Tracker, espera que 2019 entre para a história como o ano em que as emissões de CO2 atingiram o teto.

Subsídios às fontes mais poluentes

As energias renováveis são uma alternativa às fósseis, mas o avanço é freado pelos subsídios que ajudam as fontes mais poluentes, como petróleo e gás. Os países dos G20 investem quase 300 bilhões de dólares em ajudas “ineficazes” para energias fósseis, aponta Fatih Birol.

– O apoio público procede principalmente dos países emergentes, que criaram uma concorrência desleal com as energias limpas, distorcendo os mercados e provocando um uso ineficaz das energias – critica o diretor da AIE.

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2020 também se tornou o ano em que vários países, incluindo grandes emissores de CO2 como China e Japão, se comprometeram a alcançar a neutralidade de carbono.

Casos os compromissos sejam cumpridos, o aquecimento se limitaria a +2,1 °C, segundo o grupo Climate Action Tracker. Embora insuficiente para respeitar as metas do Acordo de Paris, ao menos melhoraria a atual trajetória, de +3 °C para 2100.

Para 2021, Corinne Le Quéré prevê um aumento das emissões, antes que atinjam o teto ou avancem ainda mais durante alguns anos, até que os investimentos em energias limpas comecem a surtir efeito.

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