Todo mundo já ouviu falar do Pé Grande, do Monstro do Lago Ness ou do Chupa Cabra, mas e a anaconda gigante? A anaconda é uma criatura fascinante que foi descrita pela primeira vez pelo explorador do século 19, Percy H. Fawcett, mas cuja existência, por enquanto, ainda não foi comprovada.

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De acordo com Fawcett e relatos de pessoas que teriam visto a grande anaconda, ela teria mais de 12 metros de comprimento — podendo a chegar a 30 metros — e pelo menos 30 cm de diâmetro. Para alguns, a cobra pré-histórica é chamada de vários nomes, dependendo do lugar.

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O explorador Fawcett afirma que a anaconda gigante vive na bacia do rio Amazonas. Embora muitas reivindicações tenham sido feitas, nenhum avistamento oficial de cobras desse tamanho veio à tona. Se olharmos para as evidências, no entanto, as alegações sobre essa criatura lendária podem estar mais distantes do mito e mais próximas à realidade.

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Confira quais são as origens da anaconda gigante:

Tudo sobre a anaconda

A anaconda faz parte de um grande grupo de cobras encontradas no interior e ao redor da floresta amazônica. Há quatro espécies de serpentes que podem chegar perto dos relatos da anaconda gigante — as sucuris grandes.

Existem quatro tipos de sucuris grandes: a verde, amarela, a sucuri manchada e a sucuri boliviana. Elas são todas do gênero Eunectes e fazem parte da família das jiboias, ou Boidae.

A espécie mais comum de sucuri é também uma das maiores — a sucuri verde, ou Eunectes murinus, que também foi apelidada de sucuri gigante.

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Os mitos da literatura e dos povos ribeirinhos apontam quem as anacondas são cobras semiaquáticas — o que significa que existem em terra, mas também se destacam por nadar em águas rápidas. A maioria das pessoas que afirmam a existência da anaconda gigante dizem que ela se esconde camuflada em águas profundas nos grandes rios.

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No entanto, mesmo a maior espécie confirmada de anaconda (a anaconda verde ou sucuri) atinge apenas cerca de 3 a 5 metros de comprimento — embora o relato descreva o avistamento de uma com pouco mais de 7 metros de comprimento.

Serpente morta. (Foto: Reprodução/G1)

Por outro lado, existe outra espécie de cobra que podem atingir até 5 ou 6 metros: as pítons; mas é improvável que tenham sido as famosas anacondas gigantes.

Evidências da cobra gigante

Além de Percy H. Fawcett, outros afirmaram terem visto a anaconda gigante nos últimos anos. Em 2009, um litógrafo irlandês afirmou ter encontrado evidências da criatura, chegando a fotografar a cobra gigante.

Outro explorador, o peruano Juan Palomino também afirmou ter visto e matado uma sucuri gigante, de aproximadamente 12 metros de comprimento, durante uma expedição militar. Mas para além dos avistamentos individuais, há também os relatos da história oral da região amazônica.

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Os povos da Floresta Amazônica peruana contam há milhares de anos histórias lendárias sobre a enorme Yacumama que teria mais de 30 metros de comprimento. Assim, com tantos relatos verbais e escritos da mesma região, há chances de tal criatura existir em um ponto da história.

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Com a descoberta de uma serpente dessas proporções, a ideia de que sucuris gigantes poderiam estar escondidas em algum lugar inexplorado na Amazônia não é totalmente irreal. Como muitas outras espécies não mapeadas, ela pode simplesmente estar escondida em águas turvas e inexploradas, conforme sugerido por aqueles que afirmam tê-la visto.

Certamente, a espessa rede de mananciais d’água e a regiões impenetráveis da floresta amazônica seriam um ambiente perfeito para tal criatura permanecer escondida.

Desmistificando os mitos sobre o animal

Um caso de identidade equivocada?

O problema com esses relatos de primeira mão é que nenhum deles é científico. Aqueles que afirmaram ter visto a anaconda gigante ou até mesmo matado uma, fazem estimativas gerais sobre o tamanho dela. Nenhuma das sucuris gigantes que foram vistas foi capturada, muito menos medida ou estudada.

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Sucuri-verde (Foto: Reprodução/G1)

Isso leva às perguntas:

  • Quão precisas são as avaliações visuais daqueles que viram essas cobras gigantes?
  • Seria difícil para a maioria das pessoas estimar de forma precisa o comprimento dessas cobras, especialmente quando a criatura observada está curvada e em movimento?
  • É possível que aqueles que afirmaram ter visto essas serpentes enormes estivessem simplesmente olhando para uma cobra maior do que a média e estimassem incorretamente seu tamanho?

Outro aspecto a considerar em relação a esse animal é a evolução.

Ao longo da tempo e por meio da seleção natural, os mamíferos e répteis menores tiveram vantagem na sobrevivência e reprodução de suas espécies. Isso se deu, provavelmente, à mudança da composição atmosférica e das temperaturas na Terra, além da competição por espeço com seres humanos.

Por isso, é possível que a anaconda gigante, sucuri gigante, Yacumama ou alguma outra grande cobra semelhante tenha existido em nosso planeta. Ainda, evidências de uma cobra pré-histórica de 15 metros chamada Titanoboa foram encontradas no início dos anos 2000.

De acordo com cientistas de herpetologia, que estuda répteis e anfíbios, o fóssil da família de jiboias mais antigo é da espécie Titanoboa cerrejonensis.

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O que significa “anaconda”?

Em 1768, o nome usado pela primeira vez em inglês para nomear uma píton do Ceilão (Sri Lanka), foi aplicado equivocadamente a uma grande jibóia sul-americana, a sucuri. Assim, a palavra é de origem incerta.

Porém, os nomes sul-americanos “anacauchoa” e “anacaona” foram sugeridos como uma possível origem.

Por que o animal possui tantas citações pela literatura e mitos?

Embora exista poucos registros da anaconda gigante na história, a verdade de sua existência ainda permanece incerta.

Ao mesmo tempo, relatos pessoais sobre sucuris gigantes sugerem que esses répteis enormes podem estar à espreita nas profundezas da Amazônia brasileira, peruana ou boliviana. No entanto, a busca da anaconda gigante permanece nas regiões amazônicas.

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E os mitos?

A cultura amazônica, em geral, se baseia na criação do mundo por animais como a sucuri, considerada uma criadora ancestral.

Histórias orais contam que o rio Amazonas é uma metáfora de sucuri, por suas curvas similares a desta cobra. Muitos destes mitos foram representados em peças de cerâmica, mostrando alguns animais como pássaros e cobras dentro do xamanismo indígena amazônico.

Ainda, a analogia mostra que mitos que associam a serpente à criação, como a “mãe dos peixes”, por exemplo, são recorrentes nas cosmologias amazônicas.

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Algumas características peculiares dessas cobras podem ter chamado a atenção dos indígenas, como serem compridas e terem pele pálida com desenhos pretos. Outros fatores impressionantes sobre as sucuris são: camuflagem eficiente, velocidade de ataque na água, letargia em terra, ativa à noite, dentes e músculos poderosos. As fêmeas são maiores e mais agressivas que os machos, predadores de grandes mamíferos como onças, veados e antas.

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No que diz respeito aos aspectos cosmológicos, todas essas características poderiam contribuir para associar esse animal aos mitos da criação do mundo e da humanidade.

Este mundo mágico é ainda mais aprimorado pela música e pela dança.

A anaconda no imaginário popular e seu medo

A maioria das pessoas pensam que as cobras grandes são extremamente perigosas e as consideram assustadoras. Não à toa, a ofidiofobia — “o medo de cobras” — é uma das fobias mais comuns.

Enquanto outras ansiedades tendem a se manifestar na idade adulta, fobias específicas como a ofidiofobia e a aracnofobia — “o medo de aranhas” —, muitas vezes, remontam à primeira infância. Isso porque, pertencem aos tipos de perigos que remetem à reações instintivas.

Mas hoje, esses medos e mitos são mais alimentados no imaginário popular por manifestações culturais e artísticas, como no sequência “Anaconda”. O primeiro dos quatro longas-metragens foi lançado em 1997 e retrata ataques de cobras gigantes, com vítimas sendo espremidas e engolidas inteiras ou sufocadas.

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Como vimos, cientificamente estimar o tamanho de uma anaconda na natureza é extremamente difícil e esse tipo de representação é exagerada.

Os mitos prosperam na incerteza e, no caso da anaconda gigante, isso permitiu que a lenda crescesse. Até uma comprovação científica, você decide: essa serpente é mais que um mito?

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