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Ataque a creche em Saudades: como foi o dia do crime

Autor dos cinco assassinatos atacou a escola no horário do intervalo do trabalho; polícia esclareceu os detalhes

14/05/2021 - 14h20 - Atualizada em: 14/05/2021 - 14h31

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Catarina
Por Catarina Duarte
Criminoso decidiu atacar a creche cinco dias antes do crime
Criminoso decidiu atacar a creche cinco dias antes do crime
(Foto: )

O 4 de maio de 2021 jamais será esquecido pelos moradores de Saudades, no Oeste de Santa Catarina. Na manhã daquela terça-feira, um jovem de 18 anos entrou em uma creche e matou cinco pessoas, entre elas três bebês menores de dois anos. Em coletiva nesta sexta-feira (14), a Polícia Civil deu detalhes da investigação e reconstitui os passos do assassino naquele dia trágico do ataque.

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O autor do ataque à creche morava em Saudades com os pais e uma irmã. Segundo o delegado Jerônimo Marçal, responsável pelas investigações, ele era uma pessoa quieta e nos últimos meses se isolou da família. O jovem ficava a maior parte do tempo no quarto e não participava nem mesmo das refeições com os familiares.

— Ele entrou num mundo [virtual] onde começou a ter contato com muito material violento, com muitas ideias violentas e com pessoas que pensavam parecido com ele, com pensamentos ruins, sentimentos ruins — disse o delegado na coletiva.

A intenção inicial do jovem era comprar uma arma de fogo, segundo o delegado. Ele teria tentado por meses adquirir o item, mas não teve sucesso. Os alvos iniciais, ainda de acordo com a polícia, eram ex-colegas de escola.

Pela internet, ele conseguiu comprar dois facões e mudou o alvo do ataque. A escolha pela creche se deu pela fragilidade das vítimas, disse o delegado Marçal. A decisão final por ir até a creche Pró-Infância Aquarela foi feita cinco dias antes do crime, apontou a investigação.

Dia do crime

Por meio de depoimentos e do interrogatório com o autor do crime, a polícia reconstitui o que o jovem fez horas antes do ataque.

Naquela manhã ele foi ao trabalho e voltou para casa na hora do seu intervalo. O delegado não especificou se o jovem pegou os facões naquele momento ou se já estava armado quando foi ao trabalho.

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De bicicleta, ele foi até a creche, onde chegou por volta das 9h50min. Testemunhas contaram à polícia terem ouvido barulhos de rojões que teriam sido colocados pelo criminoso para assustar os moradores do local.

A professora Keli Adriane Aniecevski, 30 anos, a agente educativa Mirla Renner, 20 anos, e três crianças menores de dois anos foram mortas. Os corpos foram velados e enterrados juntos no dia 5 de maio.

Jovem está em presídio

Após ter alta hospitalar na quarta-feira (12), o jovem foi levado ao Presídio Regional de Chapecó. Ainda no hospital, ele foi interrogado e confessou que planejava o crime há meses.

A prisão preventiva do jovem foi decretada um dia depois do crime. Ele foi indiciado por cinco homicídios triplamente qualificados e uma tentativa de homicídio.

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