O cão comunitário Orelha, que morreu após ser vítima de maus-tratos, foi homenageado com uma arte de cerca de 40 metros desenhada na areia da Praia da Galheta, em Florianópolis, nesta quarta-feira (28). O trabalho foi feito pelo artista Clayton Balduino.
Continua depois da publicidade
“Orelha fazia parte da paisagem viva: dos passos lentos, dos olhares gentis, da convivência silenciosa entre humanos e natureza. Sua partida, marcada pela violência, nos convoca a refletir sobre o cuidado, o respeito e a responsabilidade que temos com todas as formas de vida”, escreveu Clayton na legenda de uma publicação nas redes sociais.
Ao g1, Clayton explicou que trabalha há 13 anos com land art, uma criação que usa a própria paisagem como suporte, especialmente em praias. O artista disse que arte do Orelha levou duas horas e meia para ficar pronta.
— Fui eu mesmo que fiz a arte e também a captação das imagens. Tudo ali tem a ver com as minhas ideias. Fico muito feliz com a repercussão positiva e por estar contribuindo com essa causa, que acabou se tornando algo global, diante de um fato tão triste — disse Clayton.
O artista falou que costuma produzir artes na Praia da Galheta, seu principal “ateliê ao ar livre” e também na Praia do Santinho.
Continua depois da publicidade
— A proposta era começar a trabalhar com rostos, algo mais livre, mais artístico, buscando um pouco de realismo. Quando me deparei com o caso do Orelha, resolvi experimentar fazer o rosto dele. Estudei a imagem e fiz essa ampliação na areia. O dia ajudou, a praia estava bem grande, tudo colaborou.
Veja o vídeo
Entenda o caso
O cachorro, também conhecido como Preto, vivia há mais de 10 anos na região, segundo a comunidade, e era cuidado por pessoas que moravam nos arredores, além de pescadores. Após a agressão, o cão foi encontrado com vários ferimentos em uma área de mata da Praia Brava e levado ao veterinário por moradores. Lá, ele não resistiu e faleceu.
Uma das moradoras da Praia Brava fez uma postagem em uma rede social afirmando que o ato chegou a ser filmado por um vigia do local que, ao divulgar as imagens, teria sido ameaçado por parentes dos suspeitos.
Continua depois da publicidade
Na segunda-feira (26), dois adolescentes e um adulto foram alvos de mandados de busca e apreensão. O objetivo, segundo a Polícia Civil, foi buscar mais provas para a investigação. Ainda na segunda-feira, um advogado e dois empresários foram indiciados pela polícia por suspeita de coagir uma testemunha no processo. Já nesta quinta-feira, outros dois adolescentes foram alvos de mandados de busca e tiveram os celulares apreendidos ao chegarem em Florianópolis no aeroporto internacional.
Quatro adolescentes são suspeitos pelo espancamento e morte do cão. O NSC Total e todas as plataformas da NSC não divulgam o nome, nem a identidade dos adolescentes suspeitos em total respeito e consonância ao que determina o artigo 143 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que veda a “divulgação de atos judiciais, policiais e administrativos que digam respeito a crianças e adolescentes a que se atribua autoria de ato infracional”.
Diz o ECA: “Qualquer notícia a respeito do fato não poderá identificar a criança ou adolescente, vedando-se fotografia, referência a nome, apelido, filiação, parentesco, residência e, inclusive, iniciais do nome e sobrenome.”
Veja fotos de Orelha
Continua depois da publicidade








