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Chuva em Presidente Getúlio e no Alto Vale deixou mais mortes que Furacão Catarina em SC

Temporal no Alto Vale já causou ao menos 13 mortes segundo a Defesa Civil; relembre as tragédias climáticas no Estado

18/12/2020 - 09h00

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Lucas
Por Lucas Paraizo
Enxurrada em Presidente Getúlio
Presidente Getúlio foi a cidade mais atingida pelo temporal desta semana
(Foto: )

O temporal que alagou ruas e provocou alagamentos e enxurradas no Alto Vale do Itajaí na madrugada de quinta-feira (17) já figura como uma das tragédias climáticas mais fatais dos últimos anos em Santa Catarina. Com 13 vítimas confirmadas até agora — nas cidades de Presidente Getúlio, Ibirama e Rio do Sul —, a tempestade já deixou um rastro de mortes maior, por exemplo, que o furacão Catarina que atingiu SC em 2004 e causou 11 óbitos.

> Identificadas três vítimas da tragédia de Presidente Getúlio; criança está entre os mortos

A tragédia no Alto Vale vem em um ano que já foi marcado por outro grande fenômeno climático em Santa Catarina: o ciclone-bomba que passou pelo Estado no fim de junho e afetou mais de 1,3 milhão de catarinenses. Ao menos 14 pessoas morreram por causa dos estragos gerados pelo vento de velocidade histórica que destruiu vários municípios.

Enquanto o ciclone foi um fenômeno estadual, com danos registrados em cerca de 200 cidades catarinenses, o temporal desta semana teve um claro “epicentro” na cidade de Presidente Getúlio, onde ao menos nove pessoas morreram segundo o último boletim da Defesa Civil, no início da noite desta quinta (17). 

Enxurradas devastadoras fazem parte da história de SC

Pelo impacto localizado, o caso no Alto Vale lembra outras tragédias climáticas que já marcaram Santa Catarina, como a enxurrada da Rua Belo Horizonte, em Blumenau, em 1990. Na época, 21 pessoas morreram em uma tragédia de ares parecidos com a desta semana. Um grande temporal durante a madrugada passou de forma rápida, mas o volume de chuva provocou uma enxurrada que carregou casas, carros, ônibus, e soterrou famílias na região Sul de Blumenau.

Na mesma Blumenau, outras enxurradas de menores proporções em ruas da cidade deixaram marcas nos últimos anos. Em 2018, um temporal provocou uma correnteza em ruas do bairro Itoupavazinha e acabou causando a morte de duas pessoas que estavam em um carro que foi carregado pela força da água.

Casa arrastada pela força das águas na Rua Belo Horizonte, Sul de Blumenau, em 1990
Casa arrastada pela força das águas na Rua Belo Horizonte, Sul de Blumenau, em 1990
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As grandes enchentes

Castigado com a chuva dos últimos dias, o Vale do Itajaí tem na memória grandes enchentes que estão entre as maiores tragédias climáticas de Santa Catarina. Em 2008, quando 135 pessoas morreram no evento com grandes deslizamentos e a cheia no Rio Itajaí-Açu, e em 1983 quando uma enchente matou 49 pessoas e deixou grande parte de Blumenau debaixo d’água.

> Entenda por que a chuva foi tão intensa em Presidente Getúlio

O histórico faz com que a região tenha, hoje, medidas eficientes de prevenção às cheias e aos deslizamentos, com áreas de risco delimitadas e cotas de enchente determinadas para todas as ruas. No entanto, poucas ações são possíveis contra eventos tão rápidos e intensos como o temporal que atingiu o Alto Vale.

Até hoje, a maior enchente já registrada em Santa Catarina ainda é a de Tubarão, no Sul do Estado, em 1974. A chuva forte e ininterrupta durou semanas e causou 199 mortes segundo os registros oficiais da época.

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