A poucos dias do prazo final, a CPI do INSS chega à reta decisiva acumulando desgastes institucionais e políticos, enquanto, em paralelo, avança a negociação de uma delação premiada considerada estratégica para o desfecho das investigações. Com informações do O Globo.
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Com término previsto para sábado (28) a comissão não dá sinais de que será prorrogada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União). O colegiado gerou atritos com a cúpula dos três Poderes ao longo dos trabalhos, ao atingir desde um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até as relações de Daniel Vorcaro, do Banco Master, com lideranças do Legislativo e do Judiciário.
A inclusão do caso Master ampliou a tensão, especialmente com o Supremo Tribunal Federal (STF), onde dois ministros, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, foram mencionados. A decisão sobre uma eventual prorrogação ainda passa pelo ministro André Mendonça, relator de um mandado de segurança apresentado pela CPI pedindo mais 120 dias de investigação.
A Polêmica entre Lulinha e crise do INSS
Enquanto isso, o tensionamento com o Supremo ganhou novos capítulos na última semana. O ministro Flávio Dino cobrou explicações do senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPI, pelo envio de R$ 3,6 milhões em emendas para uma fundação da Igreja da Lagoinha, ligada às apurações do caso Master. Em reação, Viana afirmou que a quebra de sigilo de Vorcaro identificou indícios de contato com um número vinculado ao STF e enviou ofício à Corte pedindo a identificação dos usuários.
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Os atritos também alcançaram o Legislativo. Alcolumbre, que manteve engavetado por meses o pedido de prorrogação da CPI, viu aliados citados nas investigações, como o advogado Paulo Boudens, ex-chefe de gabinete, apontado pela Polícia Federal como beneficiário de repasses ligados à fraude.
A comissão também avançou sobre o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A tentativa de quebra de sigilo chegou a ser aprovada em votação tumultuada, mas foi posteriormente anulada pelo STF por erros de procedimento.
Houve ainda ruídos com a Polícia Federal após o vazamento de documentos considerados sensíveis, como conversas de Vorcaro com a ex-namorada Martha Graeff. A PF afirmou que a CPI teria acessado dados armazenados em nuvem mesmo após decisão do STF restringindo esse acesso.
Internamente, parlamentares reconhecem que a comissão perdeu foco ao abrir múltiplas frentes de investigação. Reservadamente, integrantes avaliam que a CPI “se perdeu no caminho” e que a condução dos trabalhos “deixou a desejar”.
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É nesse cenário de desgaste e incerteza sobre a continuidade da CPI que ganha relevância o avanço da delação premiada de Daniel Vorcaro. Como ocorre em CPIs, não é possível prever com exatidão o desfecho de uma colaboração desse tipo, mas a expectativa entre os envolvidos é de um processo acelerado.
A negociação do acordo está em curso com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) e deverá ser homologada pelo ministro André Mendonça. A previsão é de que, entre a assinatura e a validação, o processo leve cerca de 90 dias — o que aponta para uma conclusão até o fim de junho.
Segundo uma pessoa que participa das negociações e conversou com o colunista Lauro Jardim, do O Globo, o ritmo é parte essencial da estratégia:
— Acordo tem que ter timing. E neste caso não pode ser lento.
O avanço da delação ocorre enquanto o presidente Lula busca se distanciar do caso. Na quinta-feira passada, ele voltou a mencionar o escândalo envolvendo o Banco Master, afirmando que “não deixaremos pedra sobre pedra para a gente apurar tudo o que fizeram, dando um rombo de R$ 50 bilhões neste país”, em uma sinalização clara de que pretende evitar que o episódio tenha impacto direto sobre o governo.
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