O aumento vertiginoso no número de casos de dengue levanta um alerta em Santa Catarina. O Estado já registrou 4.043 ocorrências prováveis da doença em 2024, um crescimento de 900% em comparação com o mesmo período do ano passado.

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Segundo a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive), da Secretaria do Estado de Saúde, o principal fator por trás desse aumento são as mudanças climáticas. No ano passado, o Estado sofreu com o El Niño, fenômeno natural que causou aumento do volume de chuvas durante a primavera.

Além disso, temperaturas mais altas fazem com que aumente a reprodutibilidade e o tempo de vida dos mosquitos Aedes aegypti, vetor da dengue. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), 2023 foi o ano mais quente da história do planeta.

— Se há chuvas intensas, você acaba tendo vários depósitos com água. Com as temperaturas se mantendo na faixa dos 25°C até 30°C durante quase todo ano, você acaba tendo as condições favoráveis para o aumento de focos do mosquito — explica João Fucks, diretor da Dive.

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Atualmente, há 154 municipios infestados com dengue no Estado. Conforme a Dive, a transmissão é intensa no Norte do Estado, na Grande Florianópolis e na região de Itajaí. A região Nordeste, que engloba 13 municípios, incluindo Joinville, foi priorizada no repasse de vacinas para a doença no Estado, anunciada pelo Ministério da Saúde nesta semana.

Mapa dos municípios segundo a situação entomológica em 2023 (Foto: Dive, Divulgação)

Até poucos anos atrás, a maioria dos casos de dengue no Brasil eram registrados no Sudeste, no Norte e no Nordeste. Nos últimos dois anos, o cenário mudou. Tanto Santa Catarina quanto Rio Grande do Sul e Paraná vêm registrando números de casos nunca vistos. A região Sul é agora vice-líder no número de casos de dengue.

— Santa Catarina costumava ficar fora da área tropical, não tinha tanto mosquito e essas doenças. Mas por causa das mudanças climáticas, a gente tá tendo uma expansão da região tropical. Na última década, a dengue tem se alastrado para o Sul do país, porque o Sul está ficando mais quente — descreve a professora de Oceanografia Física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Regina Rodrigues.

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Conforme a pesquisadora, há estudos que associam os efeitos do El Niño ao aumento da proliferação de Aedes aegypti em países da América Central do Leste da Ásia. No caso de Santa Catarina, o aumento da dengue está, sim, relacionado ao fenômeno natural, mas principalmente às mudanças climáticas.

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— As mudanças climáticas estão fazendo com que o El Niño fique mais forte e tenha impactos mais fortes. Tendo mais chuvas e maior temperatura, isso ajuda na proliferação do mosquito e também na transmissão. O mosquito é muito mais eficiente no calor, precisa picar muito mais a gente, e o tempo de incubação diminui. Então, ele é muito mais eficiente em transmitir — conclui a pesquisadora.

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