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Denúncias por racismo e injúria racial em Joinville aumentam 110% em dois anos

Total de registros em 2020 já ultrapassa o total de 2019 a pouco mais de um mês para o fim do ano

19/11/2020 - 12h03 - Atualizada em: 19/11/2020 - 12h14

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Patrícia
Por Patrícia Della Justina
Registro do manifesto contra o racismo em Florianópolis durante junho de 2020
Registro do manifesto contra o racismo em Florianópolis durante junho de 2020
(Foto: )

Só durante 2020, a pouco mais de um mês para o fim do ano, Joinville já ultrapassou o número de boletins de ocorrência registrados em todo o ano anterior por injúria racial e racismo. Foram 166 boletins protocolados nas delegacias de polícia de Joinville durante 2019 contra 168 durante este ano. 

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Com relação a dois anos antes, em 2018, o aumento representa 110% em comparação a 2020. Foram registrados 80 boletins durante os 12 meses do ano retrasado. 

Na última quarta-feira (18), a vereadora eleita Ana Lúcia Martins prestou depoimento após sofrer ataques e ameaça de morte em redes sociais. Com 3.126 votos contabilizados no último domingo (15), ela é a primeira vereadora negra eleita em Joinville. A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar o caso.

> “O racismo é velado em Joinville”, diz primeira vereadora negra eleita na cidade

- Estamos em 2020 e ainda recebendo esse tipo de reação na eleição legítima de uma vereadora - pontuou Ana Lúcia em entrevista ao Bom Dia Brasil nesta quinta-feira. 

Conforme a delegada regional da Polícia Civil de Joinville, não há como precisar se houve um aumento de casos ou se os números representam apenas o aumento de denúncias. 

- A elevação pode ser decorrente tanto do aumento de casos, como também de uma maior consciência sobre a necessidade da denúncia. Eventualmente pode não ter havido um aumento de casos, mas as pessoas não estarem aceitando isso passivamente, caladas, e estarem efetuando mais registros. Não há como dizer o que aconteceu precisamente neste momento porque exige um estudo mais aprofundado - explica a delegada. 

> Entidades, associações e políticos se posicionam contra ataques racistas à vereadora em Joinville

Professores atacados virtualmente durante eventos

Nos últimos meses, Joinville e região também registraram casos de ataques virtuais racistas durante palestras online. O mais recente foi no Instituto Federal Catarinense (IFC).  

De acordo com o instituto, durante o evento, algumas pessoas se infiltraram entre os participantes da sala virtual e iniciaram uma sequência de ataques com textos, falas, sons e imagens obscenos, ofensivos e racistas. O evento foi promovido em parceria com o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) e fazia parte da programação do Mês da Consciência Negra.

Já em agosto, um professor da Univille alvo de ofensas raciais durante uma transmissão online. O evento era um seminário educacional organizado pela Associação Empresarial de Joinville (Acij), que reunia professores e estudantes universitários. 

Durante a apresentação do professor Jonathan Prateat, a transmissão foi invadida por hackers que silenciaram o microfone do professor e iniciaram uma série de xingamentos. Jonathan foi chamado de “macaco” e outras ofensas raciais, e na sequência os invasores exibiram vídeos pornográficos até a transmissão ser cortada.

Como denunciar 

A Polícia Civil faz um apelo à população para que denuncie qualquer tipo de situação que envolva racismo. A polícia reforça que os dados são sigilosos e contam com apuração da equipe policial. Os canais são as redes sociais da Polícia Civil, o número 181 ou por meio do whatsapp no número (48) 9 8844-0011.

Informações de contato para denúncia
Informações de contato para denúncia
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