Alexandre Souza
(Foto: Arte NSC)

Os dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartups) apontam que a cada 10 startups, nove morrem durante a fase de validação. Essa informação dimensiona a importância dos atores do ecossistema na fortificação de novos negócios. Afinal, uma startup que não escala, não atrai investidores, não contrata novos funcionários e, principalmente, não gera valor para a comunidade. É neste cenário que o ecossistema se forma e se estrutura. 

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Com origem na biologia, o termo ecossistema é adaptado ao universo da inovação e tecnologia com a definição de um conjunto de atores que interagem em determinado lugar e exercem influências entre si. De certa forma, tudo está interligado, por isso, para compreender a complexidade desse ambiente, precisamos olhar para todos os atores envolvidos. 

Em uma perspectiva, temos entidades, como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Associação Catarinense de Tecnologia (Acate). Assim como instituições associadas ao governo do Estado, como a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), além de instituições do governo federal, como a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). 

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Em outra ponta dessa comunidade, há startups em formação, os negócios em validação e scale ups. Por fim, a propagação dessas soluções pela imprensa local, estadual e até mesmo nacional permite restabelecer e fomentar, ainda mais, todas essas conexões. 

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Geração de empregos 

Cada instituição em sua possibilidade de interação e influência se beneficia com a existência do ecossistema e o exemplo mais prático está na geração de empregos. Enquanto novos negócios buscam entidades para capacitação, incentivo financeiro e troca de experiências com pares, instituições de ensino colaboram para a capacitação de novos profissionais para o mercado de trabalho e se beneficiam quando essas novas soluções são criadas em parceria público-privada. 

De certa forma, a comunidade como um todo é favorecida quando essas empresas começam a crescer e suas soluções escalam para fora do ecossistema local, atingindo o país como um todo e ou expandindo além das nossas fronteiras. De acordo com o Índice de Cidades Empreendedoras (ICE) da Endeavor em parceria com a Escola de Administração Pública (Enap) de 2020, Florianópolis está em destaque no ranking. O ICE compara dados de sete pilares: ambiente regulatório, infraestrutura, mercado, acesso a capital, inovação, capital humano e cultura empreendedora. A capital catarinense teve o melhor desempenho em capital humano e pilar de inovação e, no ranking geral, ficou em segundo lugar, atrás apenas de São Paulo. 

Como exemplo do sucesso do ecossistema catarinense, posso citar RD Station, ExactSales e ContaAzul. Todas foram startups fundadas, desenvolvidas e impulsionadas em nossa comunidade inovadora e hoje, são as principais empresas de tecnologia do Brasil em seus segmentos. 

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Naturalmente, durante esse boom de scale up, a empresa precisa preencher vagas de trabalho altamente qualificadas em uma velocidade, muitas vezes, maior do que as graduações conseguem formar. Então, voltam-se novamente ao ecossistema para encontrar esses talentos. Segundo a Acate, até 2023 as empresas catarinenses vão abrir 16,6 mil vagas de trabalho, sendo que mais da metade será destinada a desenvolvedores de software. 

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Iniciativas para a formação de profissionais 

Para atender essa alta demanda, há outras iniciativas de formação além de instituições de ensino de nível superior, como os editais de qualificação, lançados pela FAPESC e o programa DEVinHouse, da Acate em parceria com o Senai, onde jovens recebem bolsas de estudos integrais durante os nove meses de formação como desenvolvedores. 

Além disso, há o Programa Jovem Programador, uma parceria entre Acate com Senac/SC e coordenação do Sindicato Patronal das Empresas de TI de Santa Catarina (Seprasc). 

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Novas iniciativas são lançadas constantemente, completando e reiniciando assim, um novo ciclo para o ecossistema. Isso porque, não é incomum empreendedores bem sucedidos retornarem aos locais onde fundaram suas empresas em busca de investir em novos negócios e possibilitar o desenvolvimento de novas startups. 

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