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Erros fazem SC 'perder' mais de 90 mil doses aplicadas da vacina contra gripe

Um dos casos é de Balneário Piçarras, que apresentava um número de imunizados três vezes maior do que a sua população

02/07/2021 - 05h00 - Atualizada em: 02/07/2021 - 13h17

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Por Luana Amorim
Santa Catarina ainda não atingiu nem metade da meta da vacinação contra a gripe
Santa Catarina ainda não atingiu nem metade da meta da vacinação contra a gripe
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A uma semana do fim da Campanha Nacional de vacinação contra a gripe, os números exigem atenção. Segundo dados do Ministério da Saúde, até está quinta-feira (1º), apenas 44% do público-alvo tinham sido vacinado em Santa Catarina. Para piorar, em apenas um dia, mais de 90 mil vacinados 'sumiram' dos números oficiais. Um levantamento feito pelo DC encontrou essas inconsistências.

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De quarta (30) a quinta-feira (1º), foram 'retiradas' 90.053 doses do total aplicado no Estado, caindo de 1.327.498 para 1.248.736. As explicações apontam qur isso pode ter sido causado por erros durante o preenchimento dos dados.

Um dos casos mais graves foi o que ocorreu em Balneário Piçarras, no Litoral Norte. A cidade, que tem pouco mais de 23 mil habitantes segundo a estimativa do IBGE, contava com um total de 93.325 vacinas aplicadas até as 20h desta quarta-feira - quase quatro vezes mais que a sua população e 10 vezes mais que o público apto para receber o imunizante no município (8.354), que previne a H1N1.

Plataforma do SUS mostra cidade de SC com mais de 93 mil doses aplicadas, três vezes mas que a população
Plataforma do SUS mostra cidade de SC com mais de 93 mil doses aplicadas, três vezes mais que a população
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Questionada, a prefeitura informou que o número acima do esperado ocorreu devido a um erro de digitação. Depois de avisada pela reportagem, a quantidade foi corrigida pela Vigilância Epidemiológica na manhã desta quinta-feira. Agora, a cidade conta com 5.365 doses aplicadas, o que corresponde a 61,40% do público-alvo - 94% a menos do que o número anterior. 

Segundo a Prefeitura, número foi corrigido após a vigilância identificar um erro de digitação
Segundo a Prefeitura, número foi corrigido após a vigilância identificar um erro de digitação
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Mas além das 87.960 doses a menos em Balneário Piçarras, outras cinco cidades também podem ter sido responsáveis pelo 'sumiço' nos dados estaduais. Os números foram analisados pelo DC na quarta e quinta-feira. São elas: 

- Irati, no Oeste: passou de 572 para 539, uma redução de 33 doses. Segundo a vacinadora e auxiliar de enfermangem, responsável pela sala de vacina, Cleusa Bortoluz Fortuna, a redução pode ter ocorrido por um erro de contagem. 

- Paraíso, no Oeste: passou de 1.110 para 1.106, uma redução de 4 doses. A prefeitura não retornou à reportagem até a publicação.

- Cocal do Sul, no Sul: passou de 4.003 para 3.935, uma redução de 68 doses. A responsável pelo cadastro das doses no sistema informou à reportagem que desconhecia a informação e que a retirada pode ter ocorrido pelo próprio sistema. 

- Campos Novos, no Meio-Oeste: passou de 6.401 para 6.333, uma redução de 68 doses. Segundo a prefeitura, a diferença ocorreu após uma checagem junto aos dados das clínicas particulares do município, que também realizam a aplicação da vacina. O município afirma que alguns números estavam duplicados, além de que também haviam sido lançados de forma equivocada na plataforma.

> Veja como está a vacinação contra a Covid-19 na sua cidade

- Palhoça, na Grande Florianópolis: passou de 34.070 para 32.150, uma redução de 1.960 doses. De acordo com a prefeitura, o motivo foi um erro de digitação das informações no sistema, que já foi corrigido.

Mesmo sendo dos municípios a responsabilidade pela atualização do número de aplicações, o DC também questionou a Diretoria de Vigilância Epideimiológica (Dive) se há um acompanhamento dessas inconsistências. 

A diretoria informou que orienta as prefeituras a preencherem corretamente as doses no sistema e, em casos de erros, quando identificados, o alerta é acionado. A pasta reitera que a responsabilidade é inteiramente dos municípios. 

Baixa vacinação pode afetar a estrutura dos hospitais, diz especialista 

Desde que a campanha de vacinação contra a gripe foi lançada, a meta era de que, ao menos, 90% da população dos grupos prioritários fosse vacinada até o dia 9 de julho. Fazem parte do grupo crianças de 6 meses a menores de 6 anos; gestantes e puérpetas; povos índigenas; trabalhadores da saúde; idosos com mais de 60 anos; professores; pessoas com comorbidades; forças de segurança e salvamento, e forças armadas; caminhoneiros; trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros urbano e de longo curso; trabalhadores portuários; funcionários do sistema prisional; adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas e população privada de liberdade.

> Veja onde se vacinar em Florianópolis contra a Covid e gripe nesta segunda-feira

Porém, ao menos 63 municípios catarinenses não vacinaram nem a metade da população, segundo os dados do Ministério da Saúde. A pior situação está em São Pedro da Alcântara, que segundo o painel, aparece com apenas 4,3% da meta alcançada. Em contrapartida, a cidade de Celso Ramos, na Serra, está prestes a completar a imunização: até está quinta, 98,7% das pessoas do grupo prioritário tinham sido vacinadas.

A baixa procura pela vacina, que é gratuita para quem faz parte das prioridades, pode impactar diretamente na estrutura dos hospitais. O imunizante protege contra três subtipos do vírus Influenza: H1N1, H3N2 e influenza B e tem como objetivo reduzir os sintomas, evitando a evolução para casos graves e possíveis óbitos. 

Ou seja, se não há vacinação, há chances de que haja a lotação dos hospitais, que já vivem a pandemia da Covid-19, com casos graves de gripe. 

— Se entendeu que, em 2009, a H1N1 não virou uma situação como a da Covid-19 devido a vacinação. Então, se esse grupo não se vacinar, há, sim, o risco de sobrecarregar o sistema — pontua o professor de microbiologia da Univille, Tarcisio Crocomo. 

De acordo com os dados da Secretaria de Estado da Saúde, a ocupação dos leitos de UTI SUS está em 89,92%, com apenas 185 vagas disponpiveis. Se levar em conta apenas aqueles destinados para o tratamento da Covid-19, o percentual está em 88,25%.

A Dive informou que deve se reunir com o Ministério da Saúde ainda nesta semana para discutir a situação da vacinação contra a gripe e a necessidade de se prorrogar a campanha.

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