A mãe do menino de 10 anos vítima de um estupro coletivo em uma comunidade de São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo desabafou, nesta quarta-feira (6), sobre como o crime impactou na vida da criança e da família. Em entrevista à TV Globo, a mulher, que não teve a identidade revelada para preservar a imagem do menino, afirmou que a criança está mais quieta e vive com medo dos vizinhos do local onde ele e a família estão morando descobrirem sobre o crime, pois quer evitar comentários.
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— Ele ficou mais quieto, né? Ele era um pouco mais falante dentro de casa. Ele fica um pouco mais quieto. Ele tem medo dos outros, lá onde a gente está, descobrir. Porque é chato comentar alguma coisa — disse.
A mãe da criança também afirmou que acha que “isso não vai sair da cabeça do meu filho”, principalmente por causa da divulgação dos vídeos do crime divulgados pelos próprios criminosos: quatro adolescentes e um adulto, identificado como Alessandro Santos, que confessou o crime.
— Não tão cedo. É uma coisa que, ainda mais, depois desses vídeos e tudo… — desabafou.
O crime foi cometido no dia 21 de abril contra o menino de 10 anos e outra criança, de 7 anos. Os adolescentes suspeitos foram apreendidos e o adulto foi preso. Para a mãe da criança, as prisões são um “alívio”, mas que sente tristeza pelo o que aconteceu.
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— Eu me sinto mal. Porque, querendo ou não, eu deixei, dei liberdade para ele brincar com esses meninos. Mas iam chamar na porta. Peguei uma certa confiança, porque foram um tempo, né? Eles sempre estavam juntos. E eu não ter percebido isso, pra mim, é horrível — afirmou a mulher.
De acordo com a investigação, os suspeitos atraíram as crianças com um convite para empinar pipa, Para além disso, uma das crianças também foi chamada para tomar banho antes do crime, segundo a polícia.
— O convite para “brincar de pipa” era real. Depois, mudaram de ideia e resolveram violentar as crianças. Ele disse que foi “por zoeira” — disse o delegado responsável pela investigação, Júlio Geraldo.
O adulto foi indiciado por estupro de vulnerável, divulgação de material com conteúdo sexual envolvendo menores e corrupção de menores. Os adolescentes também responderão por estupro de vulnerável. De acordo com a Polícia Civil, quem compartilhou os vídeos nas redes sociais também será investigado, já que a divulgação configura crime por violar a intimidade das vítimas.
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Irmã de criança denunciou o caso
O crime foi denunciado pela irmã de uma das vítimas três dias após o crime. Ela teria recebido um dos vídeos gravados pelos suspeitos com a violência. De acordo com a polícia, as famílias das crianças foram pressionadas para não irem até um delegacia e saíram de suas casas por medo.
— A família saiu com medo. Teve gente que saiu só com a roupa do corpo. Foi uma dificuldade encontrar as vítimas — disse a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk, do 63° DP.

