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    Ex-companheiro é condenado a 31 anos de prisão por morte de enfermeira em Joinville

    Ele teve pena máxima aplicada pelo crime de homicídio triplamente qualificado

    02/08/2017 - 16h50

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    Por Redação NSC
    Julgamento teve nove horas de duração e foi realizado no Fórum de Joinville
    Julgamento teve nove horas de duração e foi realizado no Fórum de Joinville
    (Foto: )

    Antonio Neto Borges de Souza, 40 anos, foi declarado culpado pela morte da enfermeira Claudia Mara Koppe em janeiro de 2016, em júri realizado nesta quarta-feira em Joinville. Foi aplicada a pena máxima, de 30 anos, para o crime de homicídio triplamente qualificado (pagamento de recompensa, motivo fútil e feminicídio) e de um ano e quatro meses para o crime de corrupção de menores. O júri popular ocorreu na manhã de ontem no Fórum de Joinville.

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    O julgamento contou com sete jurados – seis homens e uma mulher. Presidida pela juíza Karen Schubert Reimer, a sessão durou nove horas. À frente da acusação estavam o promotor Ricardo Paladino e o assistente de acusação Rafael Luiz Siewert. Já a defesa foi conduzida pelo advogado criminalista Antônio Lavarda. Somente o réu foi ouvido durante o júri.

    Para Siewert, não havia dúvidas de que o acusado é o mandante do crime. Todas as provas juntadas durante o processo, inclusive a apreensão do adolescente que efetuou o disparo que matou Claudia, levaram a acusação a formular a denúncia de que Antonio teve a intenção de matar e encomendou a morte da ex-companheira por não aceitar o término do relacionamento.

    – Há provas consistentes colhidas desde a fase policial, em que o menor foi apreendido no dia do crime por causa de um assalto, e acabou confessando que tinha matado a Claudia a mando do Antonio, pelo valor de R$ 1 mil. Além disso, tem testemunhas que não presenciaram o fato em si, mas que viram a hora em que o menor efetuou o disparo e saiu correndo – afirma.

    Além deste processo, Antonio foi condenado pela 4ª Vara Criminal de Joinville pelo crime de ameaça à ex-companheira – a sentença saiu há 15 dias. De acordo com Paladino, o denunciado também tem outros boletins de ocorrência por crimes de violência e ameaça, registrados por outras companheiras. Também foi sentenciado por tentativa de homicídio ocorrida em 1997, no Estado de São Paulo. O acusado está preso preventivamente desde 18 de fevereiro de 2016.

    Em depoimento, o acusado negou ser mandante do crime. Antonio afirmou que conheceu a vítima em um bar e que alguns dias depois começaram a namorar. À época, ele mantinha um relacionamento com a vítima e também com outra mulher. O acusado confirmou que, no início, da relação os dois se davam bem, mas depois do primeiro mês, as brigas começaram a aparecer.

    – Devido às amizades que ela tinha. Quando saía do serviço, eles (os amigos) ligavam e convidavam para sair. Ela ia e deixava o filho e eu sozinhos – declara.

    O denunciado também assegurou ter visto traições por parte da vítima nas redes sociais e por mensagens do celular, mas nunca presenciou pessoalmente nenhuma situação. Ele ameaçava a vítima há algum tempo de que tiraria a vida dela, o que teria gerado o registro de BO.

    Para o advogado do réu, o caso foi bastante complicado porque envolveu passionalidade. Lavarda reforça que o delito é diferente de outros crimes que envolvem facções criminosas, por exemplo. O advogado também defendeu que a prova apresentada pela acusação era insuficiente para a condenação e sistematicamente vem defendendo a negativa de autoria.

    – Receber uma condenação muito grave em cima de um depoimento de um menor infrator, uma espécie de delator, o debate de hoje (quarta-feira) vai ser nesse sentido – salienta.

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    Família à espera de justiça

    O rosto de Claudia estampava a camiseta dos amigos e familiares da vítima. A palavra paz, escrita em cima da foto, ilustra o sentimento que o grupo espera que a enfermeira tenha encontrado. Para o irmão da vítima, Evandro Koppe, o julgamento não trará para o convívio da família a presença da irmã, mas oferece ao menos um pouco de conforto.

    – Minha irmã era enfermeira, trabalhava para cuidar do próximo. Não adianta ele (Antonio Neto Borges de Souza) querer chegar aqui e desqualificá-la. Agora, nós só queremos que a justiça seja feita – assegura.

    Durante o interrogatório do réu, a filha de Claudia, Camila Maiara Koppe, se emocionava. Ela teve pouca convivência com Antonio enquanto ele mantinha o relacionamento com a mãe, mas relembra que diversas vezes o presenciou agredindo a mulher. Claudia teria se afastado do trabalho por problemas de saúde ocasionados pela violência cometida pelo ex-companheiro.– Eu quero que ele pegue o que for justo e que ele pague pelo mal que fez para mim e para minha família – desabafa.

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