A Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) estima que as possíveis novas tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm potencial para afetar 65% das exportações catarinenses destinadas ao mercado estadunidense. A entidade manifesta preocupação com a medida conhecida como Seção 301.

Continua depois da publicidade

O percentual é mais que o dobro da média nacional e coloca Santa Catarina entre os estados mais vulneráveis à eventual taxação. Ainda há a possível imposição adicional da taxa de 12,5% tanto ao Brasil, como para outros 46 países, relacionados às condições de trabalho, que ainda possui cenário de incerteza em relação a como essa tarifa poderá ser aplicada. 

Diante dessas medidas, a Facisc defende celeridade nas negociações diplomáticas e comerciais entre os governos brasileiro e estadunidense. A decisão final está prevista para julho. A entidade também cita a necessidade diversificar os mercados como estratégia para reduzir a dependência dos EUA.

Veja fotos dos produtos mais exportados de SC aos EUA

Exportações catarinenses aos EUA podem sofrer grande impacto 

Segundo levantamento preliminar da Facisc, cerca de 14% dos produtos exportados catarinenses aos Estados Unidos estão incluídos na lista de exceções que não sofreriam com a nova tarifa. 

Continua depois da publicidade

Outros 20% permanecem temporariamente excluídos da medida por estarem enquadrados em outras cotas e taxações de outra seção comercial, que contempla segmentos como aço, alumínio e setor automotivo. Portanto, caso essa nova medida comercial seja aprovada, cerca de 85% das exportações do estado para o país sofrerão algum tipo de taxação.

— Santa Catarina possui uma relação comercial muito relevante com os Estados Unidos e diversos setores dependem diretamente desse mercado. É fundamental que as negociações avancem rapidamente para evitar prejuízos à competitividade das empresas catarinenses e garantir previsibilidade e segurança jurídica aos exportadores — afirmou o diretor de Relações Internacionais da Facisc, Evaldo Nieheus Jr.

Agronegócio concentra maior risco em SC

A preocupação é ainda maior para o agronegócio catarinense, o quinto maior do país em produção e reconhecido pela alta diversidade produtiva. Mais de 80% dos produtos que podem ser atingidos pela nova taxação pertencem ao setor, com destaque para madeira e móveis, gelatina, recipientes de papel, suco de maçã e peixes.

Além do agronegócio, outros setores importantes da economia catarinense também podem ser afetados, como a indústria cerâmica não vitrificada e a fabricação de iates. O entendimento da Facisc é que as negociações devem considerar as especificidades da pauta exportadora de cada estado brasileiro.

Continua depois da publicidade

— Em diversos segmentos do agronegócio catarinense, os Estados Unidos são o principal destino das exportações. É o caso de produtos como obras de carpintaria e suco de maçã, cujas vendas ao mercado norte-americano representam aproximadamente 80% das exportações desses setores — analisa a entidade.