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Saúde

Fungo negro: o que é a epidemia na Índia e qual a relação com a Covid

Joinville investiga caso de paciente pós-covid com suspeita de mucormicose, infecção fúngica grave e rara, também conhecida como fungo negro

31/05/2021 - 16h22 - Atualizada em: 26/06/2021 - 13h59

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Patrícia
Por Patrícia Della Justina
Imagem microscópica de célula atingida por fungo negro
Imagem microscópica de célula atingida por fungo negro
(Foto: )

O caso provável de um paciente pós-covid com fungo mucormicose, também conhecido como fungo negro, tem sido investigado em Joinville. Na manhã desta segunda-feira (31), a Secretaria da Saúde explicou a situação do paciente e os motivos pelo qual o problema precisa ser acompanhado.

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Os principais fatores que levam à preocupação são os altos números de pacientes covid e pós-covid que foram diagnosticados com o fungo na Índia, além da busca por possível correlação com a Covid-19. Os estudos sobre essa possível correlação ainda estão sendo realizados a nível mundial, e, por isso, a orientação é que o problema seja notificado quando acontecer. Acredita-se que a vulnerabilidade de pacientes que tiveram a Covid-19 pode favorecer a infecção.

Na Índia, segundo informações do portal G1, médicos estão vendo o crescimento vertiginoso de casos. A situação tem levado à mutilação de pacientes, além de ter acometido quase nove mil pacientes com Covid no país. 

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O que é a mucormicose?

A mucormicose é uma é uma infecção fúngica séria e rara, causada por fungo filamentoso, popularmente chamado de bolor. Ele pode entrar no organismo, lesionar a parte vascular e invadir os tecidos em volta. Nessa lesão, pode ocorrer a necrose do tecido, o que acaba gerando uma característica enegrecida, por isso o nome "fungo negro". A mucormicose não é uma doença nova e a principal forma de apresentação da é a rinocerebral.

De onde vem?

Os mucormicetos, grupo de fungos causadores da mucormicose, estão presentes em todo o meio ambiente, principalmente no solo e em associação com matéria orgânica em decomposição, como folhas, pilhas de composto e esterco animal.  São mais comuns no solo do que no ar e no verão e outono do que no inverno ou na primavera.

As características climáticas, como umidade atmosférica, propiciam o aparecimento deste tipo de situação. O clima típico de Joinville, por exemplo, favorece o surgimento. Por isso é importante manter os ambientes arejados, evitar a formação de mofo e cuidar com ingestão de alimentos mofados como formas de precaver essa e outras doenças crônicas.

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Tipos 

Existem cinco tipos de mucormicose: rinocerebral, pulmonar, gastrointestinal, cutânea e a disseminada. A mais comum é a rinocerebral, que atinge seios da face e cérebro. 

  • A mucormicose rinocerebral (seios da face e cérebro) é uma infecção nos seios da face que pode se espalhar para o cérebro. Esta forma de mucormicose é mais comum em pessoas com diabetes não controlada e em pessoas que fizeram um transplante renal. 
  • A mucormicose pulmonar (pulmão) é o tipo mais comum de mucormicose em pessoas com câncer e em pessoas que fizeram um transplante de órgão ou de células-tronco.
  • A mucormicose gastrointestinal é mais comum em crianças pequenas do que em adultos, especialmente bebês prematuros e com baixo peso ao nascer com menos de 1 mês de idade, que fizeram antibióticos, cirurgias ou medicamentos que diminuem a capacidade do corpo de combater germes e doenças. 
  • Mucormicose cutânea (pele) : ocorre depois que os fungos entram no corpo por meio de uma fenda na pele (por exemplo, após uma cirurgia, uma queimadura ou outro tipo de trauma na pele). Esta é a forma mais comum de mucormicose entre as pessoas que não têm o sistema imunológico enfraquecido.
  • A mucormicose disseminada ocorre quando a infecção se espalha pela corrente sanguínea para afetar outra parte do corpo. A infecção afeta mais comumente o cérebro, mas também pode afetar outros órgãos, como baço, coração e pele.

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Sintomas da mucormicose

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), os sintomas dependem de onde o fungo está crescendo no corpo. Existem 

Sintomas da mucormicose rinocerebral (seios da face e cérebro):

  • Edema facial unilateral
  • Dor de cabeça
  • Congestão nasal ou sinusal
  • Lesões pretas na ponte nasal ou parte superior da boca que rapidamente se tornam mais graves
  • Febre

 Mucormicose pulmonar (pulmão):

  • Febre
  • Tosse
  • Dor no peito
  • Falta de ar

Mucormicose cutânea (pele):

Pode se parecer com bolhas ou úlceras, e a área infectada pode ficar preta. Outros sintomas incluem dor, calor, vermelhidão excessiva ou inchaço ao redor de uma ferida.

Mucormicose gastrointestinal:

  • Dor abdominal
  • Nausea e vomito
  • Sangramento gastrointestinal

Mucormicose disseminada

Geralmente ocorre em pessoas que já estão doentes devido a outras condições médicas, então pode ser difícil saber quais sintomas estão relacionados à mucormicose. Pacientes com infecção disseminada no cérebro podem desenvolver alterações do estado mental ou coma.

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Diagnóstico

Os profissionais de saúde levam em consideração o histórico médico, sintomas, exames físicos e exames laboratoriais ao diagnosticar a mucormicose. Em caso de suspeita da doença nos pulmões ou seios da face, é coletada uma amostra de fluido do sistema respiratório para enviar ao laboratório. O médico pode realizar uma biópsia de tecido, na qual uma pequena amostra do tecido afetado é analisada em um laboratório em busca de evidências de mucormicose em um microscópio ou em uma cultura de fungos. Também podem ser feitos exames de imagem.

Tratamento

A mucormicose é uma infecção grave e precisa ser tratada com medicamentos antifúngicos prescritos, geralmente anfotericina B, posaconazol ou isavuconazol. Frequentemente, a mucormicose requer cirurgia para cortar o tecido infectado.

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