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Política

Fusão de DEM com o PSL acelera saída de deputados e mudanças nos partidos em SC

Criação do União Brasil foi anunciada nesta quarta-feira e deve selar saída de ao menos quatro parlamentares catarinenses do PSL

06/10/2021 - 18h59 - Atualizada em: 06/10/2021 - 21h36

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Jean
Por Jean Laurindo
Convenções de DEM e PSL anunciaram fusão para criar o União Brasil
Convenções de DEM e PSL anunciaram fusão para criar o União Brasil
(Foto: )

O DEM e o PSL aprovaram a fusão dos partidos em convenções feitas nesta quarta-feira (6), em Brasília. O processo resulta na criação de uma nova legenda, batizada de União Brasil, que pretende usar o número 44.

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A mudança ainda depende de aprovação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Uma comissão instituidora foi formada e a expectativa das lideranças é de que o novo partido seja oficializado até fevereiro. Até lá, seguem atuando separadamente, como DEM e PSL.

Apesar disso, a fusão entre os partidos deve representar mudanças na política de SC. A primeira é o próprio comando da nova legenda no Estado. Em entrevista coletiva, o presidente do DEM, ACM Neto, disse que as mudanças nos diretórios estaduais devem ser tratadas a partir de agora, mas que a divulgação oficial deve ocorrer somente após a homologação do novo partido pelo TSE.

Em SC, o DEM é presidido pelo prefeito de Florianópolis e pré-candidato a governador, Gean Loureiro, e o PSL, pelo deputado federal Fabio Schiochet. O parlamentar sinaliza que SC é um dos dois únicos estados em que o PSL seria maior que o DEM (tem 143 vereadores eleitos), mas diz que deve se reunir com Gean nos próximos dias para tratar do assunto, “sem vaidade”.

Se o comando da legenda em SC pode dividir, o discurso do presidente do PSL para 2022 já é de apoio à pré-candidatura de Gean Loureiro a governador em 2022.

– A partir de hoje o Gean é o meu pré-candidato – discursa.

Na semana passada, Schiochet já havia dito à reportagem do Diário Catarinense que, caso a fusão com o DEM se confirmasse, o nome de Gean Loureiro seria o pré-candidato a ser apoiado pelo bloco.

A reportagem procurou o presidente do DEM em SC, Gean Loureiro, para comentar a fusão, mas não obteve retorno até a publicação. Na semana passada, o prefeito de Florianópolis afirmou à reportagem que “a fusão fortalece o partido, mas não ganha eleição”, ao comentar se o movimento favoreceria uma candidatura dele próprio ao governo de SC. Gean criticou a quantidade de partidos no país e disse que “movimentos para união e diminuição do número de siglas fortalecem a democracia”.

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Deputados do PSL devem deixar partido

Outra mudança na política de SC deve ser a saída de deputados estaduais e federais do PSL. A debandada de filiados mais próximos ao bolsonarismo já é contada em todo o país, e também deve ocorrer no Estado.

Dos cinco deputados estaduais do PSL, ao menos dois admitiram à reportagem que não devem continuar no partido: Jessé Lopes, que tem conversas com legendas como PTB, PL e PSC, e Felipe Estevão, que deve migrar para o PTB. Além deles, Ana Campagnolo também é citada como nome que pode migrar do PSL para os petebistas. As assesssorias de Campagnolo, Ricardo Alba e Coronel Mocellin, que está licenciado, não atenderam à reportagem até a publicação.

Entre os deputados federais, ao menos dois dos quatro parlamentares devem sair. Coronel Armando admite que deve migrar para o partido que o presidente Jair Bolsonaro se filiar. Daniel Freitas já confirma que deixará o PSL, mas diz que a definição do novo destino também depende da escolha de Bolsonaro. Já teve conversas com PTB e PL. Caroline de Toni informou que ainda não há decisão tomada.

O presidente do PSL em SC diz que convidou os três deputados federais a seguirem no partido, mas dá praticamente como certa a saída dos colegas de bancada.

– Eles já estavam procurando outro caminho. Fiz convite para ficarem uma vez que, quem lê o estatuto do novo partido, vê que ele é de direita. Hoje temos dois ministros desse novo partido no governo Bolsonaro: Onyx Lorenzoni e Tereza Cristina. Então não vejo que vá interferir, não é um partido de oposição ao governo – defende.

Inicialmente, os deputados que já pretendiam deixar o PSL antes mesmo da fusão teriam de fazer isso na janela partidária, seis meses antes da eleição. Com a fusão, no entanto, deve se abrir outra janela, anterior a esse período, para a saída dos integrantes que não concordarem com a incorporação dos partidos, o que pode acelerar a saída de parlamentares catarinenses do PSL.

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União Brasil deve ter maior bancada da Câmara

Com a fusão aprovada pela Justiça Eleitoral, o União Brasil nasce como o partido com a maior bancada na Câmara Federal, com 83 deputados, e a quarta maior do Senado, com oito nomes.

No entanto, há possibilidade de que parte da bancada do PSL, que hoje é responsável por 53 parlamentares na Câmara, deixe o partido por serem apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e temerem um distanciamento da nova legenda ao bolsonarismo.

Nas convenções desta quarta, o ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni (DEM), tentou fazer com que os partidos já decidissem sobre um apoio à reeleição do presidente Jair Bolsonaro em 2022, ou ao menos sobre a liberação de apoio a candidato que não seja apoiado oficialmente pelo partido, mas os dois pedidos foram rejeitados.

O ex-prefeito de Salvador, presidente do DEM e futuro secretário-geral do União Brasil, ACM Neto, considerou que “ainda não chegou o momento para que o partido possa decidir sobre as eleições de 2022”. Apesar disso, lideranças admitem uma possibilidade de candidatura própria do novo partido à corrida presidencial.

A presidência do partido deve ficar com o atual presidente do PSL, Luciano Bivar, que entrou em rota de colisão com Bolsonaro em 2019. O DEM trabalha para manter entre os filiados o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que tem convite para se filiar ao PSD e concorrer à Presidência da República, além de buscar atrair novos quadros para o União Brasil. São cotados nomes como o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e o atual govenador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).

A fusão foi buscada pelos partidos como forma de unir trunfos como o robusto fundo eleitoral, partidário e tempo de televisão do PSL, depois do fenômeno da onda Bolsonaro em 2018, que fez o partido até então nanico eleger a segunda maior bancada da Câmara, à história e lideranças do DEM. O partido, ainda sob o nome de PFL, chegou a ter a maior bancada do Congresso nos anos 1980 e 1990, mas que perdeu fôlego nos últimos anos.

* Com informações de Folhapress

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