A Globo adotou um protocolo com orientações para jornalistas e técnicos que vão atuar na transmissão do primeiro dia de desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro no domingo (15). As medidas têm relação com a apresentação da Acadêmicos de Niterói, que vai homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As informações são da Folha de S. Paulo.
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A ideia, segundo a Folha de S. Paulo, é evitar manifestações a favor do presidente que possam acarretar problemas jurídicos. A primeira orientação dada aos profissionais pela emissora é de que, caso haja indícios de propaganda política, o coordenador de transmissão mude a câmera para um plano geral das alas da escola passando pela Marquês de Sapucaí.
A segunda orientação é de que os repórteres que participam da transmissão foquem apenas em alegorias e adereços. Eles devem evitar falar com populares que queiram exprimir alguma posição política.
Outra orientação é de que os apresentadores evitem comentários que soassem como empolgação ao falar sobre a história do presidente. Para as redes sociais, o protocolo é tratar o desfile da escola de forma mais sóbria.
O temor é de que haja problemas jurídicos devido a possíveis acusações de propaganda eleitoral antecipada feitas por partidos adversários ao PT. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, nesta quinta-feira (12), os pedidos do partido Novo para que o desfile não ocorresse.
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Procurada, a Globo confirmou que irá transmitir, na íntegra e sem cortes, todos os desfiles de escolas de samba de São Paulo e Rio, além das apurações paulista e carioca na terça (17) e quarta (18), respectivamente.
Veja fotos do Carnaval do Rio de Janeiro
Direita critica homenagem
O partido Novo entrou na terça-feira (10) com uma representação no TSE contra o presidente Lula, o Partido dos Trabalhadores (PT) e a escola de samba Acadêmicos de Niterói, acusando os representados de propaganda eleitoral antecipada por causa do samba-enredo escolhido pela agremiação para o Carnaval de 2026.
O samba-enredo da escola é “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. Segundo o Novo, o desfile extrapola os limites de uma homenagem cultural e passa a funcionar como peça de pré-campanha ao associar a trajetória política de Lula a elementos típicos de campanhas eleitorais.
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O partido pede aplicação de multa de R$ 9,65 milhões, valor que corresponde ao custo econômico total envolvido na ação, segundo o Novo.
Em outra ação, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) acionou o Ministério Público Eleitoral (MPE) para também questionar a escola de samba. No pedido ao MP Eleitoral, a senadora afirma que o samba-enredo configura propaganda eleitoral antecipada e cita trechos da letra que, segundo ela, fazem promoção pessoal do presidente Lula e ataques a adversários políticos, com referência direta ao ex-presidente Bolsonaro.
A senadora também argumenta que o desfile será exibido em rede nacional por emissoras de TV, que são concessões públicas, e que o evento é financiado com recursos públicos.
A representação cita repasses de R$ 40 milhões do governo do Rio de Janeiro para as escolas do Grupo Especial, além de valores transferidos pela Riotur, que, segundo o documento, somam quase R$ 2 milhões.
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