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Coronavírus

Grávidas de SC imunizadas com Astrazeneca relatam reações leves

Aplicação do imunizante em gestantes foi suspensa pela Anvisa após a morte de uma mulher de 35 anos

14/05/2021 - 13h03 - Atualizada em: 17/05/2021 - 17h56

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Catarina
Por Catarina Duarte
Grávidas com comorbidades podem ser vacinadas com a Coronavac e a Pfizer
Grávidas com comorbidades podem ser vacinadas com a Coronavac e a Pfizer
(Foto: )

A morte de uma gestante por acidente vascular cerebral (AVC) após tomar a vacina da Astrazeneca contra a Covid-19 motivou a suspensão do uso do imunizante em grávidas no Brasil. Em Santa Catarina, toda a campanha para o grupo chegou a ser paralisada. Vacinadas antes da interrupção, gestantes de Santa Catarina relatam o que sentiram após a vacinação.

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A enfermeira Rafaela Roque Queiroz Farias, 30 anos, estava nas primeiras semanas de gestação quando os colegas começaram a ser imunizados. Funcionária do Hospital Regional de São José, na Grande Florianópolis, ela só foi vacinada na última semana, já com a gravidez no sexto mês.

Em janeiro, quando os profissionais de saúde começaram a ser imunizados, não havia orientação para a vacinação das gestantes. No mês seguinte, ela foi afastada do trabalho em função do risco de contaminação.

Rafaela foi vacinada em 6 de maio. Sem comorbidades e com uma gravidez considerada de baixo risco, a enfermeira foi imunizada como profissional autônoma da saúde. Cerca de 10 horas depois da aplicação ela teve calafrios e dores de cabeça e no corpo. Com o passar dos dias os sintomas sumiram por completo.

— Eu acredito que é muito mais importante as gestantes serem imunizadas o quanto antes — diz Rafaela.

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Grávida da segunda filha, Evilyn Adrine Silva, 27 anos, também teve sintomas leves após a aplicação da vacina. Moradora de Florianópolis, ela diz que sentiu dor no local da aplicação e dores no corpo que duraram cerca de dois dias depois da vacinação. Acompanhando as notícias sobre a suspensão, Evilyn ficou apreensiva.

— De imediato tive sim [medo], não sabia como meu organismo iria reagir. [...] Hoje mesmo sabendo do que aconteceu, eu tomaria de novo — conta.

Apreensão

O pensamento de Evilyn é compartilhado pela doula e psicanalista Joana Fabbro, 31 anos. Vacinada no dia 6 de maio, ele ficou febril e teve dores na cabeça e nas pernas. Os sintomas leves foram sentidos no dia seguinte à aplicação. A notícia da suspensão deixou Joana preocupada.

— Antes de tomar eu fiz uma pesquisa e tomei uma decisão bem consciente.[...] Depois da notícia eu fiquei bem apreensiva. Surgiram diversas coisas que me deixaram com insegurança. Eu deixei o celular de lado porque não conseguia acompanhar tanta coisa —relata.

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A recomendação da suspensão foi feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na segunda-feira (10). Segundo nota técnica da agência, a própria fabricante do imunizante relatou a morte.

A mulher de 35 anos foi hospitalizada com dores de cabeça no dia 5 de maio. Ela estava na 23º semana de gravidez. O óbito fetal aconteceu no dia 6 e o da gestante, no dia 10. Ainda segundo a nota, nenhum outro evento adverso grave relacionado à gestantes foi relatado.

A bula da Astrazeneca descreve que dores de cabeça e febre são sintomas considerados comuns às pessoas que recebem a vacina. Um inchaço, coceira e sensação de calor no local da aplicação também é considerado normal.

A formação de coágulos sanguíneos é considerado um evento raro.

Quando começou a vacinação de grávidas?

A vacinação de gestantes contra a Covid-19 foi incluída no Programa Nacional de Vacinação (PNI) em abril no país. A recomendação, à época, do Ministério da Saúde era de que gestantes e lactantes fossem imunizadas desde que pertencessem a algum grupo prioritário.

No caso de gestantes sem doenças pré-existentes, a recomendação era de que fosse feita uma avaliação médica antes da vacinação. Em Santa Catarina, São José foi a primeira a imunizar grávidas contra a Covid-19.

Como está a vacinação agora?

Após recomendação da Anvisa, Santa Catarina suspendeu a vacinação de grávidas contra a Covid-19. Na quarta-feira (12), a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE) voltou a autorizar que fossem aplicadas a Coronavac e a Pfizer em grávidas com comorbidades e puérperas — até 45 dias após o parto.

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O Ministério da Saúde recomendou a suspensão da vacinação de grávidas sem comorbidades. Em coletiva de imprensa na terça-feira (11), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que a pasta fará um acompanhamento das mulheres imunizadas. Até terça, 22 mil mulheres grávidas tinham sido vacinadas.

A recomendação de Brasília foi seguida pelo governo de Santa Catarina. Em Florianópolis, a vacinação das gestantes com comorbidades segue sendo realizada nesta sexta-feira (14) e no sábado (15).

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