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Escassez de medicamentos do 'kit intubação' é preocupação em hospitais de SC

Hospitais de pelo menos três regiões estão em alerta em função da falta de remédios do 'kit intubação'

18/03/2021 - 05h00 - Atualizada em: 19/03/2021 - 19h06

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Clarissa
Por Clarissa Battistella
Sedativos e bloqueadores neuromusculares estão entre os remédios que devem ser racionados
Sedativos e bloqueadores neuromusculares estão entre os remédios que devem ser racionados
(Foto: )

A escassez de medicamentos para intubação de pacientes graves com Covid-19 é um dos problemas que afetam hospitais de Santa Catarina. O governo estadual já fez uma compra emergencial, mas unidades hospitalares de pelo menos três regiões estão em alerta em função da falta de remédios do 'kit intubação'.

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O Hospital Nereu Ramos, em Florianópolis, está em alerta por falta desses remédios e tem adotado medidas para minimizar o desabastecimento do mercado, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES).

A orientação na unidade, segundo o Estado, é otimizar o uso de medicamentos para evitar doses excessivas e desnecessárias.

Já no Oeste de SC, em situação mais complicada, ao menos três hospitais estão com estoques de 'kit intubação' no limite crítico, segundo associação responsável pelas unidades, o que coloca em risco o atendimento a pacientes.

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A associação que administra o Hospital Regional do Oeste, em Chapecó, informou na quinta-feira (18) que o estoque de medicamentos teria chegado ao “limite crítico” e que a instituição estaria diante de um “iminente colapso na oferta de medicamentos” para pacientes de UTI.

No Sul do Estado, são unidades de Criciúma e Tubarão que preocupam. O Hospital São José, de Criciúma, informou ter estoques em níveis críticos de medicamentos relaxantes musculares, necessários para a intubação de pacientes em UTIs. A comunicação ocorreu em uma nota do diretor-técnico da instituição na terça-feira (16)

Já o Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão, relatou escassez de medicamentos e equipamentos como ventiladores mecânicos para atender os pacientes, além de falta de vagas de UTI.

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Além disso, em coletiva de imprensa no final da tarde desta quarta-feira, o governador Carlos Moisés da Silva (PSL) e os gestores do Rio Grande do Sul e do Paraná, falaram sobre a preocupação em relação à escassez dos medicamentos e de insumos, um dos principais fatores que motivou a reunião e o acordo de regulação conjunta da saúde entre os três Estados.

Os remédios que mais preocupam a Secretaria de Saúde são os que compõem o “kit intubação”: atracúrio e o rocurônio, que agem como bloqueadores musculares e propofol, um tipo de anestésico.

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A SES informou à reportagem que tem uma estrutura de compra e distribuição de medicamentos hospitalares, mas que “devido à alta demanda nacional, muitos itens ficam escassos no mercado ou completamente desabastecidos”. Com isso, fornecedores não conseguiriam cumprir prazos de entrega e as compras acabam não se concretizando.

Além de volumes recebidos do Ministério da Saúde, o governo tem um processo aberto para compra de um dos medicamentos, Rocurônio, item mais crítico nos estoques, segundo a SES. Outro processo emergencial de compra foi aberto para adquirir outros itens do chamado 'kit intubação', depois que a primeira tentativa de compra não avançou por falta de insumos no mercado.

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Nota de correção: até 19h59min desta sexta-feira (19), o texto dizia que o Hospital Nereu Ramos, em Florianópolis, optou por diluir medicamentos para fazê-los render mais. Essa prática, no entanto, é recomendada em alguns casos e não tem relação com a escassez de remédios. A matéria foi corrigida com informações corretas.

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