nsc
nsc

Investimentos na saúde

Dados mostram que taxa de mortalidade por Covid-19 costuma ser menor em hospitais mais bem equipados

Município catarinense investe em leitos, equipamentos e insumos necessários para garantir atendimento pleno a pacientes

20/05/2021 - 17h00 - Atualizada em: 20/05/2021 - 17h15

Compartilhe

Estúdio
Por Estúdio NSC
Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
Dados mostram que o acesso a equipamentos e profissionais capacitados pode diminuir a mortalidade pela doença.
(Foto: )

A preparação eficaz de hospitais e equipes de saúde pode reduzir as chances de um desfecho trágico dos pacientes com sintomas graves de Covid-19. Infelizmente, centenas de pessoas perderam a vida à espera de leitos de UTI no estado catarinense. O acesso a equipamentos e profissionais capacitados pode diminuir a mortalidade pela doença.

> Covid-19: Município catarinense é referência em transparência no enfrentamento da pandemia

Nos hospitais de ponta, o número de óbitos é menor. Entre os exemplos estão o Hospital Vila Nova Star, da Rede D´Or, com equipe exclusiva e especializada em manejo de pacientes respiratórios, e o Sírio Libanês, ambos em São Paulo. Um estudo realizado pelo hospital Sírio-Libanês mostra que o tratamento adequado e uma equipe bem organizada faz diferença.

Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
Um exemplo de amplo investimento da gestão municipal é o caso do Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, localizado em Gaspar.
(Foto: )

No hospital, dos pacientes com Covid-19, a mortalidade daqueles com até 59 anos ficou próxima de zero. Já no grupo de 70 a 79 anos, foi de 4,2%, e nos acima de 80 anos, de 14,3%. Segundo a Associação de Medicina Intensiva Brasileira a mortalidade da Covid-19 nas UTIs brasileiras chega a 65%.

Esses dados reforçam a importância de investir em equipes especializadas, garantir insumos e medicamentos necessários quando houver intubação de pacientes críticos. O atendimento público de saúde no país ainda carece de recursos, mas algumas prefeituras aportam o restante dos valores para fornecer um serviço de saúde de qualidade principalmente nesse momento crítico. 

Mesmo após habilitação do Ministério da Saúde, boa parte dos recursos necessários para a manutenção dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva é repassada pelos municípios catarinenses.

Um exemplo dessa defasagem dos repasses do governo federal e um amplo investimento da gestão municipal é o caso do Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, localizado em Gaspar. A unidade recebe uma grande demanda de emergências de acidentes devido à proximidade da BR-470, atende cerca de quatro mil pessoas por mês no pronto-socorro e conta com o nascimento de 60 crianças no mesmo período. Agora, o hospital também atua para auxiliar os pacientes com a Covid-19 e implantou 20 leitos de UTI desde o ano passado.

Prefeitura custeia metade do valor necessário para manter leitos

Com o início da pandemia, em maio de 2020, a Prefeitura de Gaspar decidiu montar uma estrutura para criação dos dez primeiros leitos de UTI do hospital, com recursos próprios. Depois, ocorreu a habilitação do Ministério da Saúde. 

Além disso, a equipe de manutenção da PMG também executou toda a reforma da ala onde foi implantada a UTI, com pintura, hidráulica, elétrica e outros reparos. A Ala Francisco Mastela, que estava desativada, foi restaurada e equipada com leitos clínicos. Em junho do ano passado, com recursos da Live do Bem, o Hospital conseguiu comprar um aparelho de raio-x móvel – com valor de R $125 mil.

Em março deste ano, o hospital abriu mais dez leitos de UTI, substituiu reservatório de oxigênio e adquiriu mais medicamentos, materiais e insumos necessários para garantir o atendimento dos pacientes. Um tomógrafo foi doado pela multinacional JBS e a administração ainda adquiriu, com recursos da Live monitores, instrumentos para cirurgias ortopédicas, bomba de infusão de contraste, respiradores para UTI e reformou alas como o pronto socorro e o centro de imagens. 

Com a falta de medicamentos no mercado, o chamado “kit entubação”, o hospital mantém um acompanhamento em tempo real de todos os insumos necessários para os atendimentos aos pacientes da UTI.

A prefeitura destaca que os primeiros dez leitos de UTI foram mantidos mesmo quando o primeiro pico da pandemia passou – situação que não foi vista em muitos municípios e refletiu na falta de leitos em diversas regiões do estado quando chegou a segunda onda. A instalação foi extremamente necessária, pois o hospital chegou a ter 100% de ocupação dos leitos de UTI no ano passado e neste ano novamente, agora com 20 leitos. 

Ainda segundo a prefeitura, no momento não há previsão da ampliação devido à limitação do espaço físico no prédio do hospital. No entanto, se o governo do estado ou governo federal destinar mais recursos, seria possível instalar uma estrutura móvel.

Investimento no hospital de Gaspar
Segundo a comissão interventora do Hospital, nos últimos seis meses a Prefeitura de Gaspar repassou para UTI e atendimento regular mais de R$ 6 milhões.
(Foto: )

Todos os leitos são habilitados no Ministério da Saúde, mas já houve dificuldades para conseguir os repasses – que hoje são insuficientes. O município de Gaspar garante recursos adicionais para manter o funcionamento aos pacientes com a Covid-19. 

No entanto, a gestão municipal mantém uma rotina de contatos com o Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado da Saúde para viabilizar uma participação maior dos governos, porque além dos recursos dos leitos, há funcionários, insumos, medicamentos e equipamentos de proteção individual que estão sendo pagos pelo município e aumentando as despesas decorrentes da pandemia.

De acordo com a comissão interventora do Hospital, a Prefeitura de Gaspar repassou para UTI e atendimento regular mais de R$ 6 milhões nos últimos seis meses. Isso representa praticamente 50% de todos os recursos para a manutenção do atendimento em saúde à população do município.

> Prefeitura de Gaspar é destaque no combate à Covid-19

Com a ocupação total, o funcionamento dos 20 leitos de UTI consome diariamente R$ 70 mil, com o custo por paciente de R$ 3,5 mil por dia. Por mês a UTI tem um custo total de R$ 2 milhões, sendo que metade deste valor é pago pela Prefeitura de Gaspar – o que representa um dos maiores investimentos municipais na manutenção de UTI-Covid em todo o Vale do Itajaí. Com esse valor mensal, por exemplo, seria possível construir uma nova creche, ou uma unidade de saúde.

De outubro a março, o governo estadual e a União repassaram juntos ao Hospital de Gaspar R$ 5,4 milhões. No mesmo período, a Prefeitura de Gaspar investiu R$ 600 mil a mais, superando a casa dos R$6 milhões de reais. Enquanto isso, o faturamento e as doações ao Hospital foram de R$ 1,6 milhão, o que reforça a importância do investimento municipal.

Quer saber mais detalhes sobre a gestão municipal de Gaspar no combate à pandemia? Acompanhe as ações da Prefeitura do Município aqui.

Leia também

Despesa com energia elétrica pode representar até 40% dos custos de produção nas empresas

Conheça os principais termos do mercado financeiro com o glossário do investidor

Como escolher o bairro ideal para viver?

Colunistas