Com o prazo de entrega do Imposto de Renda 2026 em andamento, especialistas alertam que pequenos descuidos ainda são responsáveis por grande parte das declarações retidas pela Receita Federal. Levantamento aponta que erros recorrentes, muitos deles simples, continuam sendo os principais gatilhos para inconsistências fiscais.

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Dados do InfoMoney indicam que a malha fina está cada vez mais associada ao cruzamento automatizado de informações, o que torna indispensável a conferência detalhada dos dados antes do envio.

O perigo dos centavos

Entre as falhas mais frequentes estão erros de digitação. Informações do Nubank indicam que diferenças de centavos ou um número digitado de forma incorreta já são suficientes para gerar inconsistências com os informes de rendimentos.

Segundo o banco, a recomendação é revisar todos os campos e sempre comparar os dados com os comprovantes oficiais fornecidos por empresas e instituições financeiras.

O campeão da malha fina: o risco de “esquecer” fontes pagadoras

A renda não declarada segue como o principal motivo de retenção na malha fina. Segundo o Correio Braziliense, muitos declarantes deixam de informar rendimentos de diferentes fontes, como salários, aluguéis, benefícios prevenciários e aplicações financeiras.

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O problema se agrava quando envolve dependentes, já que todos os rendimentos a eles vinculados também devem ser informados na declaração.

Critérios de dependência: o erro comum que infla deduções

Outro ponto de atenção é a inclusão de dependentes fora dos critérios legais. Informações da fintech Neon indicam que declarar parentes sem cumprir as exigências — como idade ou condição de estudo — pode levar à retenção.

ATENÇÃO: Deixar de declarar rendimentos de dependentes é visto pela Receita como uma inconsistência relevante.

Saúde sob lupa: deduções sem lastro disparam alerta no Fisco

As deduções com saúde estão entre as mais fiscalizadas. Reportagem do NSC Total destaca que declarar despesas médicas sem comprovantes válidos ou incluir gastos de terceiros é um erro comum.

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A orientação é manter recibos e notas fiscais por pelo menos 5 anos, período em que a Receita pode solicitar comprovação.

Quando o CPF e o CNPJ não conversam

Diferenças entre os valores declarados e os informados pelas fontes pagadoras também são frequentemente identificadas. Segundo a revista Veja, esses dados são cruzados de forma automática com informações enviadas por empresas e bancos.

Por isso, especialistas recomendam reproduzir exatamente os valores que constam nos informes, incluindo o imposto retido na fonte.

Evolução patrimonial: a lógica por trás da variação de bens

Outro erro recorrente envolve a forma de declarar bens. De acordo com análises da Jettax, imóveis e veículos devem ser informados pelo valor de aquisição, e não pelo preço de mercado atual.

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A utilização de valores incorretos pode gerar inconsistências patrimoniais e levantar alertas no sistema da Receita.

O cruzamento de dados com as instituições financeiras

Não informar contas bancárias ou saldos também é uma falha comum. O Nubank aponta que valores acima de R$ 140 em contas correntes, poupança ou investimentos devem ser declarados.

A recomendação é listar todas as instituições financeiras e evitar movimentações por terceiros que possam gerar dúvidas.

Isentos, mas não invisíveis: por que declarar toda a movimentação

Mesmo quando não há tributação, alguns rendimentos precisam ser informados. Segundo o InfoMoney, valores como bolsas de estudo ou determinados benefícios devem constar na ficha de “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”.

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A omissão desses dados pode gerar divergências no cruzamento de informações.

Como o sistema detecta indícios de fraude

A utilização de documentos falsos ou alterados é outro fator de risco. Informações da fintech Neon indicam que a Receita possui sistemas capazes de identificar inconsistências e fraudes com alto grau de precisão.

Nesses casos, além da malha fina, o contribuinte pode estar sujeito a penalidades mais graves.

O equilíbrio entre ganhos e desonerações

Em resumo, as deduções elevadas ou incompatíveis com a renda declarada também entram no radar do Fisco. Segundo a revista Veja, valores expressivos sem a devida comprovação ou que ultrapassem os limites legais ampliam de forma significativa o risco de retenção na malha fina.

Pente-fino final: a cultura da prevenção para evitar o Leão

Diante do avanço dos sistemas de fiscalização e da checagem automatizada de informações, especialistas apontam a prevenção como a estratégia mais eficaz. A conferência rigorosa das informações, o uso de documentos oficiais e o cumprimento das normas da Receita Federal se tornam medidas indispensáveis para diminuir os riscos.

Na prática, a retenção em malha fina decorre, em grande parte, de falhas operacionais e inconsistências evitáveis, que podem atrasar a restituição e exigir retificações. Nesse contexto, a revisão minuciosa da declaração consolida-se como etapa essencial antes do envio, funcionando como a principal barreira contra pendências fiscais.

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.