O episódio envolvendo a tentativa de resgate de um piloto americano no Irã expôs versões conflitantes entre Teerã e Washington e evidenciou a escalada da guerra no Oriente Médio.
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As forças armadas iranianas afirmaram neste domingo (5) que três aeronaves militares dos Estados Unidos foram abatidas durante a operação em seu território. A mídia estatal divulgou imagens de destroços queimados em uma área desértica, ainda com fumaça.
Segundo o Irã, a missão fracassou. O porta-voz do comando central militar, Ebrahim Zolfaghari, declarou que a ação, planejada como uma operação de “engano e fuga” em um aeroporto abandonado no sul de Isfahan, foi “completamente frustrada”.
A versão contrasta com a apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele afirmou que o segundo piloto abatido havia sido resgatado “são e salvo” em uma das operações “mais audaciosas da história” do país. De acordo com o presidente, o militar sofreu ferimentos, mas não corre risco de morte.
Veja fotos do conflito no Oriente Médio
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O que aconteceu?
O piloto estava em um caça-bombardeiro F-15E que caiu no sudoeste do Irã na sexta-feira. O exército iraniano afirma ter abatido a aeronave, cujos dois ocupantes se ejetaram em pleno voo.
O primeiro piloto foi resgatado pouco depois por forças especiais americanas. O segundo permaneceu desaparecido por mais tempo, enquanto autoridades iranianas chegaram a prometer recompensa por sua captura.
Em publicação na plataforma Truth Social, Trump destacou a operação de resgate. “NÓS O TEMOS! (…) Tenho grande satisfação em informar que agora está SÃO E SALVO”, escreveu.
Escalada regional e impactos globais
O confronto, iniciado em 28 de fevereiro com bombardeios israelo-americanos contra o Irã, entrou no segundo mês e ampliou seus efeitos para além das fronteiras diretas da guerra.
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O fechamento do estreito de Ormuz — responsável pela passagem de cerca de 20% do petróleo mundial — elevou a tensão nos mercados internacionais.
Neste domingo, países do Golfo voltaram a relatar ataques. Nos Emirados Árabes Unidos, houve incêndio em uma instalação petroquímica após a interceptação de disparos iranianos.
No Bahrein, um drone iraniano atingiu um depósito da companhia petrolífera estatal. O Kuwait informou danos em usinas de energia, instalações de dessalinização e um complexo ministerial.
O exército iraniano afirmou ter atacado alvos militares no Kuwait e instalações industriais nos Emirados, que, segundo Teerã, estariam ligadas à produção de equipamentos militares.
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Novas frentes e aumento da tensão
Alertas voltaram a ser acionados em Israel após o lançamento de mísseis iranianos.
No Líbano, o Hezbollah afirmou ter disparado um míssil de cruzeiro contra um navio de guerra israelense, no primeiro ataque desse tipo desde o início do conflito. O exército israelense disse não ter conhecimento do incidente.
Os bombardeios israelenses no território libanês já deixaram mais de 1.400 mortos desde o início de março, segundo autoridades locais.
Troca de ameaças e tentativa de mediação
No sábado (4), Trump deu ao Irã um ultimato de 48 horas para aceitar um acordo que permita a reabertura do estreito de Ormuz. Caso contrário, prometeu desencadear o “inferno” sobre o país.
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— O tempo está se esgotando: 48 horas antes de que todo o inferno se desencadeie sobre eles — afirmou.
Autoridades iranianas reagiram. O general Ali Abdollahi Aliabadi classificou a ameaça como “uma ação impotente, nervosa, desequilibrada e estúpida” e disse que “as portas do inferno se abrirão para eles”.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abás Araqchi, manteve conversas com representantes do Paquistão e do Egito, que tentam mediar uma saída diplomática.
Em meio à guerra, o Irã executou dois homens acusados de atuar em nome de Israel e dos Estados Unidos durante protestos recentes, segundo o Judiciário.
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A capital Teerã continuava sob bombardeio. Um jornalista da AFP relatou uma espessa camada de fumaça cobrindo o céu da cidade.





