O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (14), que não vai comentar sobre as conversas entre o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mas que esse é um “caso de polícia”. Lula não chegou a comentar sobre o pedido de financiamento de Flávio a Vorcaro para o filme “Black Horse” sobre Jair Bolsonaro, revelado pelo Intercept Brasil. Com informações do O Globo.
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Lula disse, quando questionado por jornalistas durante uma visita a uma fábrica de fertilizantes da Bahia, que não era policial para comentar sobre o caso.
— Não vou comentar, é um caso de policia, não é meu, não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia. Tem algum delegado aqui? Não tem. Então vá na primeira delegacia da PF e pergunta como será tratado o caso dele. O meu caso é tratar do povo brasileiro, da Petrobras — afirmou Lula.
Horas antes, Lula havia dito, sem citar o nome de Flávio Bolsonaro e nem fazer menção ao caso, que a “verdade tarda, mas não falha”.
— Vocês estão vendo na televisão, a verdade tarda mas não falha — disse o presidente.
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Saiba mais sobre Daniel Vorcaro
Flávio associou Banco Master a Lula
No podcast do NSC Total, Café nas Eleições, Flávio Bolsonaro, havia dito que o escândalo com o Banco Master era “o maior esquema de corrupção do sistema financeiro que nós já vimos na nossa história” e associou o esquema ao governo Lula.
— Foi o Lula que se reuniu no escondidinho, ali na reunião secreta com o Vorcaro, com o presidente do Banco Central, com o ministro Rui Costa, né? Eles e mais de uma vez… Quer dizer, foi o Lula, não foi o Bolsonaro. Vocês vão se lembrar, o ministro da Justiça do Lula, Ricardo Lewandowski, ele recebia dinheiro do Banco Master antes de virar ministro da Justiça. Depois que ele vira ministro da Justiça do Lula, o contrato continua igual, só que para o filho dele. Aí, uma semana antes do caso Master explodir na imprensa, o ministro Lewandowski pede para sair do Ministério da Justiça. Quer dizer, é o dedo, é o a digital, é o DNA do PT nisso tudo no Banco Master — disse.
Flávio também disse uma frase que, posteriormente, virou estampa de camiseta, como um slogan.
— Eu digo o seguinte, o Pix é do Bolsonaro, o Master é do Lula — afirmou.
Financiamento de R$ 61 milhões já havia sido pago
Documentos e trocas de mensagens obtidos com exclusividade pelo Intercept Brasil mostram que ao menos 10,6 milhões de dólares — cerca de R$ 61 milhões, considerando a cotação da moeda nas datas das transferências — já haviam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025. O valor foi enviado em seis operações para custear o projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro.
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O banqueiro é acusado de comandar um esquema de fraude que provocou um prejuízo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em 18 de novembro, um dia depois da prisão, o Banco Central (BC) decretou a liquidação do Banco Master.
Mensagens mostram planilhas de pagamentos
Nas mensagens, é possível ver um comprovante de transferência bancária no valor de 2 milhões de dólares e uma planilha com previsão de pagamentos. Em análise feita pelo Intercept, parte dos recursos apareciam como enviados pela Entre Investimentos e Participações ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.
O financiamento teria sido intermediado pelo empresário Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, e Fabiano Zettel, identificado pela Polícia Federal (PF) como principal operador financeiro de Vorcaro.
As mensagens obtidas pelo Intercept cobrem o período entre dezembro de 2024 e novembro de 2025 e reúnem conversas do banqueiro com diversos interlocutores. A autenticidade do material foi confirmada a partir do cruzamento de informações dos diálogos com dados públicos e sigilosos. Entre os elementos utilizados na verificação estão registros bancários e telefônicos, inquéritos policiais, dados do Congresso Nacional e publicações em redes sociais.
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Segundo as conversas analisadas, a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para viabilizar a produção internacional do filme começou, no fim de 2024, por meio de intermediários. Ao longo de 2025, no entanto, a interlocução passou a ocorrer diretamente entre eles, incluindo cobranças por liberação de recursos, negociações operacionais e demonstrações de proximidade pessoal.
Os diálogos também sugerem que Vorcaro acompanhava pessoalmente a execução dos pagamentos e dava prioridade ao financiamento do longa em relação a outros compromissos financeiros.






