nsc
dc

Covid-19

Maiores cidades de SC têm menos de 1% das crianças de 3 e 4 anos vacinadas contra a Covid

Região com maior adesão é a Grande Florianópolis, que atingiu 2% da população infantil imunizada

27/07/2022 - 16h07

Compartilhe

Diane
Por Diane Bikel
Vacinação de crianças em SC começou no dia 19 de julho
Vacinação de crianças em SC começou no dia 19 de julho
(Foto: )

Menos de 1% das crianças entre 3 e 4 anos foram vacinadas contra a Covid-19 nas maiores cidades de Santa Catarina. A baixa adesão à imunização do novo público preocupa o Estado em meio à crise no sistema de saúde pediátrico. Entre as cidades, Chapecó foi a que registrou o menor percentual de crianças imunizadas até o momento.

> Receba notícias do DC via Telegram

A campanha catarinense de vacinação da nova faixa etária infantil teve início no dia 19 de julho. Desde então, 14% dos municípios iniciaram a aplicação das primeiras doses para o grupo.

Das 10 maiores cidades do Estado, seis estão com a imunização do público-alvo abaixo de 1% e uma delas não deu início a vacinação ainda.

> SC tem mais de 90% dos leitos de UTI ocupados há três meses

A Grande Florianópolis é a região com maior número de crianças vacinadas. A Capital e o município de Palhoça foram os únicos a vacinar, até o momento, mais de 2% do grupo infantil. São José, também na região, já se aproxima dos números e registra 1,9% das crianças imunizadas.

Itajaí dará início a aplicação de vacinas em crianças de 3 e 4 anos na tarde desta quarta-feira (27).

Segundo o pesquisador e professor de imunologia da UFSC, Daniel Mansur, a situação acontece por três motivos. Além da normalização da pandemia, dos sintomas brandos que atingem as crianças está a disseminação de informações falsas, que gera medo da vacinação. 

— Daria para argumentar: "não vou vacinar porque não vai dar em nada", mas claramente a situação está ruim, especialmente vendo os dados. Então não tem justificativa, Fake News mata mesmo — diz.

Para o superintendente de Vigilância de Saúde, Eduardo Macário, a campanha de fake news reflete diretamente na vacinação, principalmente de crianças, que junto com o movimento anti-vacina causa medo dos pais em expor os filhos à imunização.

— A campanha de fake news envolvendo a vacina contra a covid, principalmente para as crianças, gerou um receio dos pais e responsáveis em levar os seus filhos para serem vacinados contra a covid, com reflexo para as demais vacinas. Com isso, aumentou a hesitação vacinal, que coloca em risco toda uma geração de crianças a serem suscetíveis a doenças — explica. 

Macário diz que "o movimento antivacina que tem se mostrado crescente no mundo, alcançou terreno fértil no Brasil por conta do debate acerca das liberdades individuais e a vacinação contra a covid". 

— E isso gerou um debate sobre o "direito de não vacinar os meus filhos". Mas o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente coloca que a vacinação é obrigatória para as crianças com vacinas recomendadas pela autoridade sanitária. Dessa forma, deixar de vacinar uma criança e expô-la a doenças é uma grave violação dos direitos, tanto quando submetê-la a maus-tratos, negligência e violência - complementa. 

De acordo com ele, a situação ainda enfluencia no receio a eficácia do imunizantes.

- As vacinas são consideradas os medicamentos mais seguros e custo efetivos na prevenção de doenças que, uma vez estabelecidas se não causarem óbito provocam sequelas muitas vezes irreversíveis. Elas estimulam o sistema imunológico de um indivíduo saudavel, nao doente, a produzir anticorpos que irão protege-las caso tenham contato com um patogeno - diz.

Ações de resgate da confiança da população nas vacinas devem ser feitas pelos municípios nos próximos dias, segundo o secretário do Estado da Saúde, Aldo Baptista Neto. Além disso, o Estado vai adotar a dispensa do comprovante de residência para aplicação do imunizante, assim como abrir os postos de saúde aos sábados para que os números aumentem em Santa Catarina.

Segundo o secretário, outra medida adotada pelo Governo do Estado em meio a alta demanda de casos respiratórios nos hospitais infantis será a utilização de álcool gel nas escolas após o retorno das férias.

— Ainda há dois meses de inverno pela frente, estamos com uma circulação alta de vírus que causam doenças respiratórias e combinado à baixa adesão de vacinas pode gerar mais uma onda de casos no estado — diz.

Desde maio, Santa Catarina vive um caos em meio aos atendimentos pediátricos e neonatais. Desde então, duas crianças com menos de dois anos morreram no aguardo por um leito de UTI em Florianópolis e as filas nas instituições chegaram a oito horas de espera.

Veja o ranking das cidades

  • Palhoça: 2,9% das crianças vacinadas
  • Florianópolis: 2.8% das crianças vacinadas
  • São José: 1,9% das crianças vacinadas
  • Criciúma: 1,1% das crianças vacinadas
  • Blumenau: 0,9% das crianças vacinadas
  • Lages: 0,6% das crianças vacinadas
  • Joinville: 0,6% das crianças vacinadas
  • Chapecó: 0,04% das crianças vacinadas
  • Jaraguá do Sul: 35 vacinados. Sem número total oficial, segundo a prefeitura.
  • Itajaí: inicio da vacinação nesta quarta.

Situação em SC

A alta demanda de casos atinge todos os hospitais de Santa Catarina. O Estado enfrenta alta ocupação de leitos de UTI nas insituições e segundo dados do Painel do Coronavírus do NSC Total, abastecido com estatísticas da Secretária de Estado da Saúde, o Estado enfrenta ocupação acima de 90% das UTIs há três meses.

*Danielly Witt

Leia também

Hospital Infantil em Florianópolis recebe mais de 80 profissionais para atender demanda

Criança que morreu à espera de UTI em SC ficou dois dias na fila, diz mãe: "Desesperador"

Colunistas