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LUTA FEMININA

Marília Mendonça foi um ícone do empoderamento feminino na música sertaneja

No universo masculino, onde a dor de amor era visualizada com tapas e beijos, a artista se posicionou e garantiu espaço às mulheres

06/11/2021 - 07h12 - Atualizada em: 06/11/2021 - 10h11

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Raquel
Por Raquel Vieira
Cantora teve visibilidade aos 16 anos
Cantora teve visibilidade aos 16 anos
(Foto: )

O sucesso estrondoso de Marília Mendonça foi proporcional às barreiras que quebrou como cantora e como mulher. Em um cenário dominado pelos homens, onde a dor de amor era visualizada com tapas e beijos, Marília se posicionou. Aos 16 anos, encontrou um espaço e deu digna voz à dor de milhões de mulheres que sofriam com os corações partidos. Mais do que isso, chegou plus size nos microfones sem protagonismo dos corpos perfeitos, barrigas chapadas, corpos seminus, esbeltos e sem tchans.

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Veio da composição, mas com voz potente conquistou o posto de “Rainha da Sofrência”. Recebeu reconhecimento, namorou, foi mãe, mostrou sua rotina da maternidade de quem lida com trabalho, as doenças derivadas do excesso de peso, a busca pela saúde, o nascimento do filho, o marido e a carreira, tudo ao mesmo tempo. Mulher como eu, como você, como nós. Obviamente que tinha uma rede de apoio maior por ser uma artista, mas os dilemas foram os mesmos. De amor e de dor, em cada uma das fases expostas aos seus admiradores via redes sociais.

Foi disruptiva até ao falar sobre a rivalidade entre as mulheres quando anunciou a parceria com Maiara e Maraisa na turnê As Patroas: “Vamos deixar sempre esse recado: 'não precisa ter medo de outra mulher'. Está tudo bem. Pega na mão dela e vai crescer junto com ela que vai ser lindo”. Vida real. Sem tabu, sem rótulo, feminista da vida real, na linha da evolução como sociedade, como ser humano, sem soltar a mão de ninguém.

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Não sou fã de música sertaneja, mas não me nego a ouvir se o clima e a companhia forem bons. Parava para sentir suas letras. A história de Marília me fez acompanhar sua meteórica carreira na música e na busca pelo empoderamento feminino. Uma amiga adepta ao rock in roll lamentou: perdemos um ícone, me disse consternada no fim de tarde desta sexta-feira. Ou seja, ela foi muito além do sertanejo. Angariou fãs pela sua coragem e espírito disruptivo.

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Marília Mendonça, morta nesta sexta-feira, em um acidente aéreo, deixa uma semente e cumpriu uma missão: a do respeito e da igualdade. Pelas mulheres e pela música.

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