A morte do menino espancado por não dar “bom dia” ao pai em Viamão, Região Metropolitana de Porto Alegre, revelou um desencontro de informações entre as instituições de Justiça de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Os pais do garoto, Dandre Jermaine Grayson e Mayanna Angelina Rodgers, seguem presos preventivamente.
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O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul afirmou ao g1 que a Vara da Infância e da Juventude de Viamão não recebeu o processo que acompanhava a família quando ela morava em Santa Catarina. Já a Promotoria de Justiça de Palmitos, no Oeste de Santa Catarina, sustenta que o procedimento foi encaminhado ao Judiciário gaúcho após a mudança do casal para o estado, em 2025.
Segundo o TJRS, todos os e-mails da Vara de Viamão foram revisados e “não foi localizado nenhum envio do Foro de Palmitos”. O tribunal informou ainda que solicitou o envio do processo, mas que, até o momento, ele ainda não havia sido encaminhado.
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A Promotoria catarinense, por outro lado, afirma que o procedimento foi enviado após autorização da Justiça de Santa Catarina. Segundo o órgão, a remessa foi certificada nos autos do processo.
Veja fotos da família

Entenda o impasse nas informações entre SC e RS
O que diz Santa Catarina
A Promotoria de Justiça de Palmitos informou que recebeu denúncias anônimas, em março de 2025, relatando supostas agressões físicas contra um dos filhos do casal. A partir disso, Conselho Tutelar, Polícia Militar e Ministério Público foram até a casa da família.
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Segundo a promotoria, a inspeção não encontrou hematomas ou outros sinais de agressão. As crianças, conforme o órgão, estavam bem vestidas, em bom estado de saúde e moravam em uma residência considerada adequada.
Mesmo assim, diante das denúncias e de registros anteriores envolvendo a família em outro estado, os cinco irmãos foram acolhidos por cerca de três meses. Durante esse período, laudos psicológicos concluíram que os pais tinham condições psíquicas para exercer a guarda dos filhos.
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Um estudo social também apontou que não havia elementos suficientes para confirmar violência doméstica ou maus-tratos. Segundo a promotoria, outro relatório registrou forte vínculo afetivo entre os pais e as crianças durante as visitas assistidas.
Com base nessas avaliações, a Justiça determinou o retorno das crianças à família em junho de 2025. Depois disso, segundo o Ministério Público catarinense, a família permaneceu acompanhada pela rede de proteção até se mudar para Viamão, em agosto daquele ano.
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Foi após essa mudança que, conforme a promotoria, o procedimento de proteção foi remetido para a Vara da Infância e da Juventude de Viamão, para continuidade do acompanhamento.
O que diz o Rio Grande do Sul
Já o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul afirma que a Vara da Infância e da Juventude de Viamão não tinha conhecimento do caso antes da internação do menino. Segundo o tribunal, uma revisão dos e-mails da unidade não encontrou qualquer mensagem enviada pelo Foro de Palmitos com o processo.
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O TJ informou ainda que já solicitou o envio dos autos, mas que eles ainda não haviam sido recebidos. O Ministério Público do Rio Grande do Sul informou que só tomou conhecimento do caso apenas após a internação e morte do garoto e que, agora, acompanha a investigação junto com a Polícia Civil.
Polícia aponta “lesões gravíssimas” no menino morto por não dar “bom dia”
Conforme a delegada, a morte da criança foi confirmada na quarta-feira (8), depois de passar três dias internada em Porto Alegre. Dandre foi preso em flagrante ainda no Hospital de Viamão, e é investigado por homicídio duplamente qualificado, enquanto a mulher foi presa na última quinta-feira (9), suspeita de participar das agressões.
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A investigação aponta que as crianças de idades entre 1 e 9 anos, foram ensinadas a mentir sobre machucados após as agressões. Elas precisavam dizer que tinham caído em alguma brincadeira quando eram levadas ao hospital.
— A forma como a família vivia foi determinante para a Delegada de Polícia entender que a mãe, na verdade, foi conivente com os atos de tortura e com o homicídio praticado contra o menino de 3 anos. O homicídio foi praticado com inúmeras e gravíssimas lesões, que chegaram a movimentar o coração do infante de lugar e achatar o crânio, não sendo crível que se pense que a mãe não conseguiu ouvir tudo – do quarto ao lado – e que sequer tivesse tentado conter o pai — disse a delegada Luana.
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