O número de moradores de Blumenau que nasceram no Pará teve um salto exponencial em duas décadas. Os 160 paraenses que viviam em terras blumenauenses no ano 2000 passaram para 344 em 2010 e, finalmente, para 8.883 em 2022, conforme dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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O aumento de nascidos no Pará em Blumenau em 22 anos foi de 5.451%, disparado o maior deste período. Na sequência, vêm Sergipe (4.095%), Acre (2.620%), Paraíba (2.253%) e Maranhão (1.867%). Somados, os nascidos em estados do Norte e Nordeste do Brasil contribuíram com um aumento populacional de 23.922 pessoas em duas décadas no maior município do Vale do Itajaí — mais do que a população de 231 cidades catarinenses.
Esse salto fez com que o Pará se tornasse o quarto estado com mais influência entre os moradores de Blumenau, atrás apenas do Paraná, do Rio Grande do Sul, e de São Paulo (confira abaixo a tabela completa). Os números do Censo 2022 ainda expõem que um a cada quatro blumenauenses veio, na verdade, de outro estado da federação.
Lista de migrantes por Estado
Relação excetua Santa Catarina, estado de nascimento de 270.673 moradores de Blumenau.
- Paraná – 23.634
- Rio Grande do Sul – 13.134
- São Paulo – 11.762
- Pará – 8.883
- Bahia – 4.366
- Rio de Janeiro – 3.180
- Paraíba – 3.059
- Pernambuco – 2.831
- Maranhão – 2.459
- Minas Gerais – 2.294
- Sergipe – 2.056
- Rio Grande do Norte – 1.074
- Mato Grosso do Sul – 934
- Ceará – 909
- Alagoas – 823
- Piauí – 723
- Acre – 680
- Amazonas – 678
- Amapá – 470
- Goiás – 443
- Rondônia – 441
- Mato Grosso – 381
- Distrito Federal – 278
- Espírito Santo – 205
- Tocantins – 147
- Roraima – 98
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Fonte: IBGE
De onde são os migrantes que moram em Blumenau hoje
O porquê dessa migração
Maiko Spiess, sociólogo e professor universitário, explicou em entrevista à repórter Talita Catie, em julho, que o movimento migratório dá sinais das condições de economia e de vida da população. Essa troca de lugares leva em conta o que os especialistas chamam de fatores de atração e fatores de expulsão.
Ele cita, por exemplo, que no fim da década de 1980 e começo de 1990, sobretudo no oeste do Paraná, os agricultores começaram a deixar as propriedades e se mudar para o Vale do Itajaí. Os atrativos da região eram o trabalho na indústria têxtil e no setor de metalmecânica.
Spiess pontua que o que se vê em Blumenau quando o assunto é migração reflete o que acontece com Santa Catarina. Até pouco tempo atrás, o Sudeste, geralmente São Paulo, era para onde a maioria dos migrantes, sobretudo aqueles vindos do nordeste, ia.
Com a metrópole saturada, agora SC se tornou a menina dos olhos do Brasil. Não à toa, foi o Estado que mais recebeu migrantes no país. A chegada dos novos moradores pode refletir dois fatores. O de expulsão, como o avanço da violência no Norte, e o de atração, como trabalhos com melhores salários.
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— Há alguns fenômenos, como, por exemplo: quando vem alguém, uma família ou pelo menos um membro inicialmente, e encontra boas condições, existe uma tendência de que ela atraia outras pessoas também, porque faz o relato dizendo que é legal, tem emprego etc. Então acabam trazendo outras por relações de familiaridade, de solidariedade. Isso gera ondas de perfis. Paranaenses em um momento. Paraenses em outro. E no futuro a dinâmica pode ser outra — pontua Spiess.
Lauro Mattei, professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Coordenador Geral do Núcleo de Estudos de Economia Catarinense, ainda vê três elementos centrais como razões para essa dinâmica de alto fluxo migratório.
— O principal fator é o mercado de trabalho. E, aliado a isso, Santa Catarina apresenta três características que o tornam extremamente atrativo. Primeiro, o baixo índice de desemprego. Segundo, a alta formalização das relações de trabalho. E terceiro, um nível de renda média, tanto pessoal quanto familiar, superior à média nacional — explica o professor.




























