As mortes de milhares de peixes registradas em Florianópolis, Biguaçu e Palhoça entre fevereiro e abril deste ano possuem fatores em comum, sendo o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA-SC). O órgão divulgou uma nota técnica, na segunda-feira (25), em que detalha as semelhanças entre as ocorrências nas cidades.
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As análises identificaram que o principal fator associado aos eventos foi uma intensa floração de microalgas. O fenômeno é favorecido pelas condições do oceano no litoral catarinense no período.
Veja imagens dos peixes mortos no manguezal do Itacorubi
— Houve uma forte ressurgência costeira, fenômeno natural que transporta águas frias e ricas em nutrientes para regiões mais rasas, estimulando o crescimento acelerado dessas microalgas — detalhou o IMA.
De acordo com o IMA, a elevada concentração de algas e a baixa circulação de água em áreas rasas e abrigadas resultou em uma queda acentuada do oxigênio dissolvido durante a noite, causando anóxia (falta de oxigênio) e levando os peixes à asfixia.
As análises identificaram uma vulnerabilidade ambiental em alguns pontos monitorados, indicando a influência de efluentes domésticos. Contudo, o relatório técnico conclui que não há evidências para atribuir a mortandade a um despejo pontual específico. A principal hipótese do IMA envolve a relação entre a floração de microalgas e as condições oceanográficas.
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Relembre a morte de milhares de peixes na Grande Florianópolis
Os estudos técnicos realizados sobre a mortandade de peixes registrada no Manguezal do Itacorubi apontam que o fenômeno não foi isolado nem restrito à região central de Florianópolis. Os registros mostraram ocorrências sucessivas de mortandade entre fevereiro e abril de 2026 em diferentes pontos das Baías Sul e Norte, incluindo episódios nos municípios de Palhoça e Biguaçu.
Mortes de milhares de peixes chocaram moradores
Os primeiros registros ocorreram na Baía Sul, em Palhoça, nos dias 23 de fevereiro, 06 de março e 25 de março. Posteriormente, os eventos avançaram para a Baía Norte, com registros em Biguaçu nos dias 07 e 12 de abril, antes de atingir a região do Itacorubi em 22 de abril.
UFSC apontou “poluição crônica” como causa da morte de peixes
Em abril, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) divulgou uma nota elaborada por pesquisadores do programa Ecoando Sustentabilidade em que afirma que a poluição crônica por esgoto não tratado está associada à mortandade de peixes na bacia do Itacorubi.
— Este fenômeno é resultado da poluição crônica por esgoto doméstico não tratado na bacia do Itacorubi, que, ao introduzir excesso de matéria orgânica, favorece a decomposição bacteriana intensa e o consumo acelerado de oxigênio, quadro agravado por altas temperaturas anômalas, baixo regime de chuvas e falhas no sistema de saneamento. Além da anoxia, a análise das brânquias sugere a possível influência de substâncias tóxicas do escoamento urbano — diz o documento, assinado pelos pesquisadores Alessandra Larissa Fonseca e Paulo Horta.
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