Começou na manhã desta quinta-feira (15) o julgamento do motorista acusado de matar a menina Alicia Bindemann Carini, de 5 anos, e Fernando Martins de Albuquerque, de 34, em um acidente de trânsito que ocorreu em dezembro de 2021. De acordo com o Ministério Público, ele conduzia o veículo bêbado, invadiu a contramão e bateu de frente com outro carro. Oito horas após provocar a batida, o bafômetro apontou que ele ainda estava alcoolizado. Desde então, o homem está preso de forma preventiva.

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O réu conduzia um Punto, onde estavam mais três passageiros. Segundo a polícia, o grupo tinha saído de uma festa em Mafra e seguiam a caminho de casa, em São Bento do Sul, quando o condutor perdeu o controle e bateu de frente com a Ecosport que estava a família de Alícia. A criança morreu horas depois, no hospital, já Fernando, que era amigo e estava no mesmo veículo em que o acusado, morreu uma semana após o acidente.

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Desde a manhã, familiares das vítimas se unem para acompanhar o julgamento. Com camisetas que estampam a foto de seus entes queridos e em seus letreiros clamam por justiça, ocupam as cadeiras da Câmara de Vereadores de Rio Negrinho.

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Avó, tia e demais familiares de Alícia compareceram ao julgamento (Foto: Guilherme Barbosa/NSC TV)
Familiares de Fernando usam camisetas com a foto da vítima e pedem por justiça (Foto: Guilherme Barbosa/NSC TV)

A dinâmica da sessão é a seguinte: primeiro estão sendo ouvidas as vítimas sobreviventes do acidente e sete testemunhas de acusação. Em seguida, falam as cinco testemunhas de defesa e o acusado. Após isso, será aberto o debate entre o Ministério Público, advogados de acusação e defesa do réu, que pode ter duração de até cinco horas. Ainda haverá espaço para réplica e tréplica entre os advogados de acusação e defesa, para só depois iniciar a votação do conselho da sentença. O julgamento, portanto, pode adentrar a madrugada.

O condutor pode responder por duplo homicídio e mais seis lesões corporais — sendo uma delas gravíssima. A expectativa das famílias é de que o réu seja condenado por todos os crimes que foi acusado para que, enfim, possam chorar a ausência dos seus com a sensação que a justiça foi feita.

“Um pedaço de mim se foi”

Michelle Bindemann, mãe da menina Alicia, conta que, desde o acidente, sua vida nunca mais foi a mesma. Ela relata que ficou oito meses sem trabalhar, não conseguiu voltar para casa onde vivia com a filha e até hoje faz acompanhamento psiquiátrico.

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Apesar da dor, a servidora pública tenta ressignificar o sentimento e no ano passado, criou um projeto para beneficiar crianças carentes com a doação de mochilas e materiais escolar, já que a filha amava ir à escola. Outra forma que encontrou para tentar lidar com o luto foi fazendo a campanha “se beber, não dirija”, para conscientizar motoristas e incentivar que este tipo de crime não seja impune.

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Alicia, de 5 anos, morreu logo após o acidente, antes de dar entrada no hospital (Foto: Facebook/Divulgação)

— Eu percebo que as pessoas não acreditam na justiça para os crimes de trânsito, e isso acaba normalizando beber e dirigir. E eu espero que ele [o acusado] seja condenado, porque quando ele sair da cadeia, vai seguir a vida dele, já a minha vida nunca mais será a mesma, um pedaço de mim se foi. No início, eu tinha dificuldade até de ficar com meu filho, porque a presença dele lembrava a ausência dela — desabafa Michelle.

“Acabou a vida dele e a minha junto”

Maria de Lourdes Martins de Oliveira é mãe de Fernando, amigo que estava no mesmo carro em que o réu. A mulher conta que, desde 2012, com a morte do marido, ela e o filho eram o apoio um do outro, seja nas finanças ou nas alegrias e tristezas do dia a dia.

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Fernando, além de médico veterinário, era professor universitário em Joinville e, como aponta a mãe, era um rapaz do bem, que não tinha envolvimento com nada de errado. Ele morreu após ficar uma semana internado e, desde então, Maria diz que nunca foi procurada pelo réu.

Fernando era amigo do réu e morreu após uma semana internado (Foto: Facebook/Divulgação)

— Meu filho não tinha envolvimento em nada, nem com bebida, nem drogas, nada. Mas eu sei que pra mim acabou. Acabou a vida dele e a minha junto. Eu não conheço essa gente [o acusado], nem quero conhecer. Só espero que seja condenado — deseja a mãe.

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Relembre o acidente

O acidente aconteceu por volta das 6h do dia 19 de dezembro de 2021. O carro Punto invadiu a contramão na altura do Km 134, da BR-280, e bateu de frente com a Ecosport, com placas de Joinville, onde estava Alicia, Michelle, o padrasto da menina e o filho do homem. Todos sofreram ferimentos. A pequena, de 5 anos, chegou a ser socorrida com vida pelos bombeiros, mas não resistiu.​

Acidente aconteceu em dezembro de 2021 e vitimou duas pessoas (Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)

No Punto, além do motorista, havia outros três homens. Um deles, Fernando, que estava no banco de trás, foi resgatado inconsciente. Ele ficou internado por sete dias, mas também morreu. Os outros ocupantes não se feriram com gravidade.

No momento do acidente, o grupo de amigos que estava no Punto, segundo policiais relataram à época, tinha acabado de sair de uma festa e voltavam para casa em São Bento do Sul. Já a família de Alicia  viajava de Joinville em direção a um resort em Itá para comemorar o aniversário de 70 anos da avó da criança.

De acordo com a PRF, oito horas após a batida, o teste do bafômetro apontou a presença de álcool no organismo do condutor do Punto.

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